Na sexta‑feira, 11 de setembro de 2026, o DJ JP subiu ao palco do Artist Village, no Rock in Rio, marcando a primeira vez que um artista com síndrome de Down se apresenta no festival. A apresentação, que durou cerca de quinze minutos, foi recebida com entusiasmo por milhares de espectadores que acompanhavam a transmissão nos telões da Lagoa Rodrigo de Freitas. O momento simboliza a convergência entre talento, dedicação e a crescente demanda por representatividade na música brasileira.
Da infância musical à formação profissional
João Pedro Rocha nasceu em uma família onde a música era a linguagem cotidiana; seus pais colecionavam discos de samba, MPB e rock, e as festas de família eram verdadeiros laboratórios de ritmo. Desde pequeno, ele acompanhava rodas de samba, blocos de rua e shows de artistas consagrados, absorvendo diferentes batidas que mais tarde se tornariam a base de seus sets. Essa imersão precoce despertou nele um fascínio natural pelos vinis e pelas mesas de som.
Em 2024, o futuro DJ encontrou Rafael Nazareh, produtor e mentor da escola AIMEC, especializada na formação de DJs. Sob a orientação de Nazareh, JP aprendeu a manipular equipamentos, a ler a energia da pista e a criar transições fluidas entre gêneros. O apoio da família foi decisivo, pois proporcionou ao jovem a estabilidade emocional necessária para enfrentar os desafios técnicos da profissão.
O currículo de JP inclui estudos de teoria musical, prática de mixagem ao vivo e workshops sobre acessibilidade na indústria do entretenimento. Ele também desenvolveu habilidades de produção, experimentando batidas eletrônicas que mesclavam sons tradicionais brasileiros com elementos de house e techno. Essa formação multidisciplinar permitiu que ele criasse um estilo único, reconhecido por críticos e pelo público.
- Samba e pagode como base rítmica
- MPB e pop para melodias envolventes
- Funk e hip‑hop para energia nas pistas
- Elementos eletrônicos para modernidade
Entre suas referências, JP cita artistas como Lala K, Cris Pantoja, Doni, Pepe Jordão, Tropicals e MAM, que influenciam tanto suas escolhas de repertório quanto sua postura criativa. Ele afirma que cada set é pensado como uma narrativa, onde a sequência de músicas deve contar uma história que conecte o público ao momento presente.
A trajetória de shows e a consagração no Rock in Rio
A estreia profissional de JP aconteceu em 2025, no CasaBloco, localizado dentro do Jockey Club do Rio de Janeiro. A apresentação foi elogiada por sua energia contagiante e pela capacidade de unir diferentes públicos em torno da mesma vibração musical. No início de 2026, ele ampliou seu alcance ao abrir shows de Elba Ramalho em Recife e ao integrar a programação do tradicional Galo da Madrugada, tocando para mais de 20 mil pessoas na Praça do Arsenal.
Ao longo do ano, JP participou de eventos de grande porte, como o Festival Harmonia na Lagoa, onde comandou duas noites consecutivas, e a turnê “Oitentação”, ao lado de Geraldo Azevedo, que incluiu oito apresentações em capitais como São Paulo, Salvador e Belo Horizonte. Cada show contou com público superior a 5 mil espectadores, reforçando sua crescente popularidade.
- CasaBloco – Jockey Club (2025)
- Galo da Madrugada – Recife (2026)
- Festival Harmonia – Lagoa (2026)
- Turnê Oitentação – 8 cidades (2026)
- Abertura da Árvore de Natal da Lagoa – Rio de Janeiro (2026)
Em julho de 2026, JP recebeu o convite para abrir a tradicional Árvore de Natal da Lagoa, ao lado da Orquestra Sinfônica Petrobras, uma apresentação transmitida em telões ao redor da lagoa e do Parque da Catacumba. No verão, ele integrou o projeto Música no Deck, em São Conrado, onde abriu shows de Rodrigo Lorio, Oriente, Gabi Melin e Lagum, demonstrando sua versatilidade ao adaptar o repertório para diferentes estilos.
O ponto culminante da sua jornada foi, naturalmente, o Rock in Rio. No Artist Village, o DJ JP comandou a pista com uma seleção que misturava samba, funk, pop e beats eletrônicos, criando uma atmosfera de celebração e inclusão. A plateia, composta por fãs de todas as idades, respondeu com aplausos, gritos e danças, confirmando que a música transcende barreiras físicas e sociais.
O impacto e a mensagem de inclusão
A presença de JP no maior festival de música da América Latina tem um significado simbólico profundo: ele demonstra que talento e dedicação podem superar preconceitos e limitações impostas pela sociedade. Em entrevista, o DJ ressaltou que o mais gratificante é observar o público se divertindo, dizendo: “Ver a energia da galera, sentir a vibração do som, isso me dá força para continuar”.
Especialistas em inclusão apontam que a visibilidade de artistas como JP incentiva políticas públicas voltadas para a formação de pessoas com deficiência no setor cultural. Projetos educacionais têm se inspirado em sua trajetória para criar bolsas de estudo, workshops e mentoria especializada, ampliando oportunidades para jovens talentos.
Para o futuro, JP planeja lançar um EP com produções autorais, participar de festivais internacionais e continuar a promover a causa da inclusão por meio da música. Ele também pretende criar um programa de capacitação para DJs com deficiência, oferecendo treinamento técnico e suporte emocional.
O legado de JP no Rock in Rio vai além da música; ele abre portas para uma nova geração de artistas que, assim como ele, sonham em transformar paixão em profissão, independentemente das barreiras que enfrentam.








