Na noite de sexta‑feira, 11 de setembro de 2026, Hwasa subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio e marcou a estreia oficial do K‑pop no festival, tornando‑se a primeira artista solo sul‑coreana e a primeira mulher a representar esse gênero no evento. O show aconteceu em frente a um público diversificado, que acompanhou a performance da cantora em português, coreano e inglês.
Uma entrada que quebrou expectativas
Ao iniciar sua apresentação, Hwasa abriu com a faixa que leva seu próprio nome, seguida imediatamente pela energia contagiante de “Chili”. A escolha das músicas logo deixou claro que a artista não pretende seguir o padrão de delicadeza típico das idols, mas sim assumir uma postura de diva pop “old‑school”.
Com o microfone sempre próximo, ela demonstrou domínio vocal, coreografia afiada e presença de palco que lembrava grandes estrelas do pop ocidental. A combinação de canto potente e dança sincronizada criou um clima de celebração que contagiou a plateia.
Ao contrário de muitos convidados internacionais, Hwasa optou por não usar o inglês como língua franca. Em vez disso, soltou um espontâneo “Nossa” e um afetuoso “Te amo” em português, antes de voltar ao coreano, com auxílio de uma intérprete que traduziu cada verso para o público brasileiro.
O repertório que reforçou a identidade da artista
O setlist foi cuidadosamente montado para mostrar as facetas da carreira solo de Hwasa, que tem como pilares a autoestima, o empoderamento feminino e a sexualidade sem filtros. As músicas foram acompanhadas por uma banda ao vivo, que trouxe arranjos mais densos e solos de guitarra e bateria, contrastando com a produção eletrônica habitual do K‑pop.
- “Maria” – hit que traz o nome de batismo da cantora e recebeu uma resposta entusiástica das Marias da plateia;
- “I Love My Body” – celebração do amor próprio com batida marcante;
- “Kidding” – balada que mistura melodia doce e letras introspectivas;
- Medley do Mamamoo – “Décalcomanie”, “Egotistic” e “HIP”, um aceno ao grupo que está em hiato.
A escolha de incluir um medley do Mamamoo foi estratégica, pois manteve viva a conexão com os fãs do girl‑group, ao mesmo tempo que sinalizou a possibilidade de um retorno futuro. Cada trecho foi executado com a mesma intensidade de uma apresentação solo, reforçando a versatilidade de Hwasa.
Durante a performance de “Maria”, a cantora brincou com o público ao dizer que sabia que havia muitas mulheres chamadas Maria no Brasil, criando um momento de identificação que gerou gritos de “Maria!” por toda a arena.
Interação e momentos memoráveis
Hwasa mostrou que sabe conversar com o público de forma natural. Em vez de um discurso ensaiado, ela expressou sua empolgação ao dizer: “Estava doida para vê‑los”. A frase foi seguida por um convite implícito para que os fãs retornassem ao Brasil ainda mais felizes.
Um dos momentos mais inesperados ocorreu ao final do show, quando a cantora fingiu que iria encerrar a apresentação, mas rapidamente rompeu o silêncio com um coro coletivo de “Eu não vou embora”. Essa estratégia gerou um pico de energia que culminou com Hwasa segurando a bandeira do Brasil enquanto pulava, simbolizando o respeito e a admiração pela terra anfitriã.
A plateia, embora não conhecesse todas as letras, respondeu aos gritos e aos refrões, provando que a linguagem da música transcende barreiras linguísticas. A presença de uma intérprete garantiu que a mensagem de empoderamento fosse compreendida por todos, reforçando a ideia de que o K‑pop pode se adaptar a diferentes contextos culturais.
Além das músicas, a performance contou com momentos de improviso vocal, como a extensão de notas altas em “Goodbye”, que encerraram a noite com um tom emocional profundo. A cantora também interagiu com a banda, trocando olhares e gestos que demonstraram a sintonia entre os músicos.
Em resumo, o show de Hwasa no Rock in Rio 2026 foi mais que uma estreia; foi uma declaração de independência artística, mostrando que o K‑pop pode evoluir sem perder sua essência, mas ao mesmo tempo abraçando novas influências e públicos.








