Em 11 de setembro de 2001, Howard Lutnick, então presidente da corretora Cantor Fitzgerald, esteve a poucos metros das torres gêmeas do World Trade Center quando o primeiro avião colidiu. Naquele dia, ele deixara o escritório para levar seu filho de cinco anos à escola, escapando por pouco da destruição que ceifou centenas de vidas.
O dia da tragédia e a perda irreparável
O voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte às 8h46, interrompendo a rotina de mais de 600 funcionários da Cantor que ocupavam os andares superiores. Quando as torres desabaram, nenhum dos colaboradores que ainda estavam dentro conseguiu sair.
O impacto foi devastador para a empresa, que registrou a maior perda de pessoal entre todas as organizações atingidas pelos atentados. Estima‑se que cerca de 800 pessoas ficaram impossibilitadas de escapar pelas escadarias destruídas.
- 658 funcionários da Cantor nas torres no momento do ataque
- Mais de 800 vítimas nos andares superiores
- 2.977 mortos em todo o atentado terrorista
O peso da culpa e a reconstrução da reputação
Nos anos que se seguiram, Lutnick enfrentou acusações de não ter pago salários e indenizações às famílias das vítimas. A crítica pública ameaçava destruir a credibilidade da corretora, que precisava reconstruir sua imagem.
Determinado a honrar os colegas perdidos, ele adotou uma política de doação de 25 % dos lucros da empresa e implementou programas de apoio direto às famílias enlutadas. Essa estratégia combinou filantropia com inovação financeira, criando fundos de ajuda que ainda hoje beneficiam milhares de pessoas.
Compromisso permanente: a cultura de doação da Cantor
A cada 11 de setembro, todos os 12 mil funcionários da Cantor Fitzgerald, espalhados por vinte países, destinam os rendimentos do dia a projetos sociais. Desde 2001, a iniciativa já arrecadou cerca de 300 milhões de dólares.
Essas doações são canalizadas para:
- Assistência psicológica a sobreviventes
- Bolsas de estudo para filhos de vítimas
- Projetos de reconstrução de comunidades afetadas
Embora nenhum valor possa substituir as 2.977 vidas perdidas, a ação constante demonstra um dever moral cumprido com honra pelos americanos.
A vida pessoal de Lutnick após o ataque
O filho de Howard, Kyle, que tinha cinco anos na manhã do atentado, hoje tem trinta e está prestes a se casar. Lutnick costuma brincar que seu filho “salvou sua vida” e que, por isso, ele aproveita cada oportunidade para celebrar a família.
Ele ainda relata que o tempo parece tanto uma eternidade quanto um instante passado, refletindo sobre a memória dos colegas desaparecidos e sobre a responsabilidade que carrega.
Hoje, a Cantor Fitzgerald continua sendo a maior corretora de títulos do mundo, mas seu legado está intrinsecamente ligado à capacidade de transformar dor em solidariedade.








