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PF abre inquérito para esclarecer financiamento do filme “Dark Horse” envolvendo Flávio Bolsonaro

Na manhã desta sexta‑feira (11), a Polícia Federal deu um passo decisivo ao retirar o sigilo de documentos que apontam Flávio Bolsonaro como investigado no caso de financiamento do filme “Dark Horse”. A medida foi tomada após solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e se refere a um inquérito autorizado em julho pelo ministro André Mendonça. O objetivo da investigação é mapear a origem e a destinação dos recursos que supostamente foram usados para produzir a obra cinematográfica sobre a trajetória do ex‑presidente Jair Bolsonaro.

Contexto da investigação

A PF recebeu, em 2023, denúncias de que o senador Flávio Bolsonaro teria atuado como intermediário entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme. As suspeitas giram em torno de práticas como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e possíveis crimes de corrupção. O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, que também atua como relator do caso Master no STF, garantindo a legalidade da apuração.

O processo corre em sigilo, mas parte dos autos foi tornada pública nesta sexta‑feira, permitindo que a imprensa e a sociedade acompanhem os principais indícios levantados pelos investigadores. O filme ganhou notoriedade após o site Intercept Brasil divulgar conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, nas quais o senador solicitava recursos para a produção.

Principais pontos que a PF quer esclarecer

A Procuradoria‑Geral da República listou, em relatório divulgado ao público, cinco linhas de investigação que a PF pretende aprofundar:

  • Identificar a origem dos recursos usados para financiar “Dark Horse” e reconstruir todo o caminho do dinheiro.
  • Verificar a participação de Flávio Bolsonaro na captação e no direcionamento dos valores.
  • Mapear a atuação de empresas como Entre Investimentos e Participações Ltda. e de indivíduos como Antonio Carlos Freixo Júnior nas remessas internacionais.
  • Confirmar se os pagamentos realizados por Daniel Vorcaro, totalizando US$ 61 milhões, foram efetivamente repassados ao produtor do filme.
  • Delimitar o papel de outros investigados, como Eduardo Nantes Bolsonaro, Mário Luis Frias e Thiago Miranda Silva.

Essas questões são essenciais para determinar se houve desvio de recursos públicos ou privados e se as transações obedeceram às normas cambiais brasileiras.

Personagens e empresas implicadas

Além de Flávio Bolsonaro, a investigação aponta outros nomes que podem ter colaborado para viabilizar o aporte financeiro. Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, teria criado um fundo nos Estados Unidos chamado Havengate, por meio do qual foram realizados os pagamentos ao produtor.

Antonio Carlos Freixo Júnior, empresário que firmou acordo de delação premiada com a PGR, confessou ter feito sete repasses ao fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025, totalizando US$ 12,333 milhões (cerca de R$ 62,8 milhões). Esses valores foram descritos como “subscrições de cotas”, um mecanismo de aporte que, segundo a delação, foi solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro.

Outros nomes citados nos documentos incluem Eduardo Nantes Bolsonaro, filho do ex‑presidente; Mário Luis Frias, que atua no setor de comunicação; e Thiago Miranda Silva, ligado a empresas de consultoria financeira. Todos eles aparecem em registros de transferências ou conversas que sugerem envolvimento direto ou indireto no fluxo de recursos.

Repercussões políticas e legais

A revelação de que um candidato à Presidência está sob investigação por supostos crimes financeiros pode alterar drasticamente o cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro, que concorre ao mais alto cargo do país, tem negado as acusações e afirma que o último pagamento de Vorcaro ocorreu em maio de 2025, discordando dos documentos que apontam um repasse em setembro do mesmo ano.

O caso também reacende o debate sobre a transparência nas campanhas eleitorais e no financiamento de obras culturais vinculadas a figuras políticas. Se comprovada a irregularidade, os envolvidos podem enfrentar processos criminais, além de sanções eleitorais que podem impedir a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal continua a acompanhar o caso de perto, já que a decisão de levantar o sigilo dos documentos foi tomada por seu presidente, Edson Fachin. A expectativa é de que novas informações sejam divulgadas nas próximas semanas, ampliando o panorama da investigação.

Em suma, a PF está empenhada em esclarecer todos os pontos listados no relatório, a fim de garantir que o financiamento do filme “Dark Horse” tenha sido realizado dentro dos limites da lei. O desfecho desse inquérito poderá ter impactos significativos tanto no universo cinematográfico quanto no cenário político nacional.

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