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Candidatos prometem medidas radicais contra a criminalidade, mas perdem o foco nas soluções reais

Em pleno 7 de Setembro, sob uma chuva fina, o senador Flávio Bolsonaro (PL) discursou diante de cerca de 30 mil apoiadores na Avenida Paulista, São Paulo, apresentando seu plano de combate à criminalidade. O candidato prometeu “guerra aos narcoterroristas” e defendeu medidas como a castração química de agressores sexuais e a redução da maioridade penal. A promessa de linha dura, porém, ecoa um discurso que tem sido repetido por vários candidatos nas eleições presidenciais de 2026.

Promessas de linha dura nas ruas de São Paulo

Flávio Bolsonaro utilizou o trio elétrico como palco para afirmar que, nos territórios dominados pelo crime organizado, a única alternativa será “cadeia ou morte”. Ele garantiu penas mínimas de oito anos para quem roubar um celular e declarou que será um “radical” nas pautas de segurança. A reação da plateia, com aplausos e gritos de apoio, demonstra a força do apelo à violência como solução política.

Entretanto, especialistas alertam que a adoção de medidas tão extremas pode colidir com princípios constitucionais e gerar efeitos colaterais indesejados, como o aumento da superlotação carcerária e a violação de direitos humanos. A falta de detalhamento técnico nas propostas também levanta dúvidas sobre sua viabilidade prática.

Modelos carcerários inspirados em El Salvador

Outro candidato, Romeu Zema (Novo), sugeriu a construção de um presídio de segurança máxima na Amazônia, inspirado no modelo de Cecot, em El Salvador, administrado por Nayib Bukele. O projeto prevê um complexo que poderia abrigar até 40 mil detentos, com iluminação constante, restrição total de visitas e ausência de contato com a luz solar.

Flávio Bolsonaro, que recentemente se encontrou com o ministro da Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, sugeriu a criação de cinco novos presídios sob o nome “Treva”, seguindo o mesmo padrão de Bukele. A proposta inclui 500 mil vagas no sistema carcerário brasileiro, um número que supera em muito a capacidade atual do país.

  • Presídio de segurança máxima na Amazônia
  • Complexo “Treva” com cinco unidades
  • Modelo de iluminação 24h e restrição de visitas
  • Capacidade total de 500 mil vagas

Críticos argumentam que tais projetos ignoram a necessidade de políticas de ressocialização e podem agravar ainda mais a crise penitenciária, já marcada por rebeliões e condições degradantes.

Outras propostas controversas dos presidenciáveis

Quatro dos principais candidatos – excluindo Lula (PT) e Augusto Cury (Avante) – defendem a redução da maioridade penal para 16 anos e a classificação de organizações como o PCC e o CV como grupos terroristas, medida já adotada pelos EUA sob a administração de Donald Trump.

Renan Santos (Missão) chegou a sugerir que a polícia tenha “passe livre” para matar suspeitos que resistam à prisão, inclusive em casos de furto de celular, prometendo um “banho de sangue” contra líderes de facções criminosas. Ronaldo Caiado (PSD), apesar de ter um histórico de gestão em Goiás, também endossa a linha dura, propondo o congelamento de bens de condenados por violência doméstica.

  • Redução da maioridade penal para 16 anos
  • Classificação de facções como organizações terroristas
  • Autorizações para uso letal da polícia
  • Congelamento de bens de agressores domésticos

Essas propostas, embora populares entre eleitores que buscam respostas rápidas, enfrentam resistência de juristas, organizações de direitos humanos e especialistas em segurança pública, que apontam para a ineficácia de soluções punitivas sem investimento em prevenção e inteligência policial.

A percepção do eleitor e os números da violência

Uma pesquisa BTG/Nexus divulgada em 8 de setembro revelou que 35% dos eleitores consideram a criminalidade a principal preocupação, superando saúde (31%), corrupção (23%) e educação (17%). Apesar da queda de indicadores como mortes violentas intencionais – de 50.448 em 2020 para 40.775 em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública – a taxa de 19,1 homicídios por 100 mil habitantes ainda é uma das mais altas do mundo.

O medo também se intensifica com o aumento de crimes específicos, como violência contra a mulher. No primeiro semestre de 2026, o país registrou 848 feminicídios e 36.233 vítimas de estupro ou tentativa de estupro, números que mobilizam ainda mais o eleitorado feminino.

Esses dados alimentam um clima de pânico que os candidatos aproveitam para reforçar discursos de “guerra” ao crime, ainda que muitas das propostas apresentadas careçam de estudo de viabilidade e possam gerar mais problemas do que soluções.

Para que a segurança pública seja efetivamente melhorada, analistas recomendam investimentos em inteligência policial, políticas de prevenção social, educação e programas de reintegração de detentos. Sem esse conjunto de ações, a promessa de “linha dura” pode se transformar apenas em mais um discurso eleitoral vazio.

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