Na manhã desta terça‑feira (8), a Quaest divulgou os resultados de sua pesquisa sobre a corrida ao governo do Distrito Federal, apontando quem lidera, quem segue e como os eleitores se distribuem por sexo, raça, idade, escolaridade, religião, renda e orientação política. O levantamento, encomendado pela Globo, abrangeu 1.104 entrevistados entre 4 e 7 de setembro, com margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Panorama geral da pesquisa
Os números mostram que a atual governadora Celina Leão (PP) mantém a liderança, registrando 35% das intenções de voto. Atrás dela, o candidato Arruda (PSD) aparece com 18% e Leandro Grass (PT) com 17%, indicando um cenário competitivo nos próximos meses.
Quando analisamos o conjunto dos eleitores, 55% afirmam ter decisão definitiva, um aumento significativo em relação aos 47% da pesquisa anterior. Os demais 45% ainda se consideram indecisos, o que pode gerar variações importantes até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Desempenho dos candidatos por grupos demográficos
Os recortes por sexo revelam que Celina lidera tanto entre mulheres quanto entre homens, embora a vantagem seja ligeiramente maior entre as mulheres. Nos grupos raciais, a governadora também se destaca, mas a diferença se estreita entre eleitores brancos e pardos, enquanto a preferência entre eleitores pretos apresenta maior volatilidade devido à margem de erro de 9 pontos.
Em termos de faixa etária, a candidata mantém a preferência entre jovens de 16 a 34 anos, mas a disputa se intensifica entre eleitores de 35 a 59 anos, onde Arruda e Grass ganham terreno. Entre os mais velhos (60+), Celina ainda lidera, porém com margem de erro de 7 pontos.
Quanto à escolaridade, os eleitores com ensino fundamental tendem a apoiar Celina, enquanto aqueles com ensino médio e superior mostram maior inclinação para Arruda e Grass, respectivamente. Essa divisão indica que a campanha pode precisar adaptar mensagens específicas para diferentes níveis de instrução.
A renda também influencia o comportamento eleitoral. Entre eleitores com renda de até 2 salários mínimos, Grass registra pequenos ganhos, mas ainda fica atrás de Celina. Nos grupos de 2 a 5 salários e acima de 5 salários, a governadora mantém vantagem, embora a diferença seja menor nos estratos mais altos.
Nas categorias religiosas, católicos e evangélicos apresentam padrões semelhantes, com Celina à frente, mas com margens de erro que permitem reviravoltas. A identificação política revela que eleitores lulistas e de esquerda não lulista tendem a apoiar Grass, enquanto a direita não bolsonarista e os independentes mostram preferência por Arruda.
- Mulheres (margem de erro: 4 pontos)
- Homens (margem de erro: 4 pontos)
- Brancos (margem de erro: 5 pontos)
- Pardos (margem de erro: 4 pontos)
- Pretos (margem de erro: 9 pontos)
- 16 a 34 anos (margem de erro: 5 pontos)
- 35 a 59 anos (margem de erro: 4 pontos)
- 60+ anos (margem de erro: 7 pontos)
- Fundamental (margem de erro: 6 pontos)
- Médio (margem de erro: 5 pontos)
- Superior (margem de erro: 5 pontos)
- Até 2 salários mínimos (margem de erro: 7 pontos)
- 2 a 5 salários mínimos (margem de erro: 5 pontos)
- Mais de 5 salários mínimos (margem de erro: 4 pontos)
- Católica (margem de erro: 4 pontos)
- Evangélica (margem de erro: 6 pontos)
- Lulista (margem de erro: 8 pontos)
- Esquerda não lulista (margem de erro: 7 pontos)
- Independente (margem de erro: 4 pontos)
- Direita não bolsonarista (margem de erro: 6 pontos)
- Bolsonarista (margem de erro: 7 pontos)
Análise da indecisão e margem de erro
A parcela de eleitores ainda indecisos (45%) representa um campo fértil para campanhas de mobilização e persuasão. A variação de margens de erro entre os diferentes recortes indica que alguns resultados podem mudar à medida que novas informações surgirem ou que estratégias de campanha sejam ajustadas.
Por exemplo, nos grupos de renda mais baixa, a diferença entre Celina e Grass está dentro da margem de erro, o que significa que pequenas oscilações podem inverter a ordem de preferência. Da mesma forma, entre eleitores evangélicos, a diferença entre a governadora e Arruda é estreita, permitindo que mensagens específicas de valores religiosos tenham grande impacto.
Os resultados também mostram que, apesar da liderança consolidada de Celina, a competição entre Arruda e Grass está se intensificando. Em quase todos os recortes, Arruda ocupa a segunda posição, mas Grass tem ganhado apoio em segmentos como jovens e eleitores de esquerda, o que pode resultar em um empate técnico no agregado total.
Implicações para a campanha
Para a atual governadora, o desafio será manter a coesão de sua base enquanto amplia a atração de eleitores indecisos, especialmente nos grupos onde a margem de erro é alta. Estratégias de comunicação que reforcem sua gestão e apresentem propostas concretas para as camadas mais vulneráveis podem ser decisivas.
O candidato Arruda, por sua vez, precisa consolidar o apoio entre eleitores de centro‑direita e independentes, explorando temas como segurança pública e desenvolvimento econômico. A proximidade com Grass em alguns recortes sugere que ele também deve buscar diferenciação clara para evitar a diluição de votos.
Leandro Grass tem a oportunidade de capitalizar o descontentamento de eleitores de esquerda e de baixa renda, oferecendo propostas sociais robustas. Contudo, ele deve superar a desconfiança de eleitores mais conservadores, que ainda o posicionam em segundo plano.
Em síntese, a pesquisa Quaest indica um cenário dinâmico, onde a liderança de Celina Leão é evidente, mas não imune a reviravoltas. As próximas semanas serão decisivas para definir se a vantagem atual se traduzirá em vitória nas urnas ou se a disputa se estreitará ainda mais.








