Horas depois da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o afastamento preventivo do diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, os diretores da corporação manifestaram apoio ao chefe e colocaram seus cargos à disposição do delegado William Marcel Murad, nomeado diretor‑geral substituto. O pronunciamento foi feito na sede da PF, em Brasília, na manhã de 27 de agosto de 2024.
Reação institucional dos diretores
Em nota oficial, os diretores ressaltaram que repudiam qualquer tentativa de atribuir à Polícia Federal uma conduta “não republicana”. A declaração enfatiza que as acusações são desprovidas de fundamento e ferem a história, a credibilidade e o compromisso institucional da instituição.
“Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana”, leu o documento, que também anunciou a disponibilidade dos cargos ao diretor‑geral substituto.
Quem assinou o documento
O apoio foi formalizado por um amplo grupo de diretores, abrangendo diversas áreas da PF. A lista completa inclui:
- Dennis Cali – Diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção;
- Fabrício Schommer Kerber – Diretor de Polícia Administrativa;
- Otavio Margonari Russo – Diretor de Combate a Crimes Cibernéticos;
- Felipe Tavares Seixas – Diretor de Cooperação Internacional;
- Helena de Rezende – Diretora de Gestão de Pessoas;
- Roberto Reis Monteiro Neto – Diretor Técnico‑Científico;
- André Luis Lima Carmo – Diretor de Administração e Logística;
- Christiane Correa Machado – Diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia;
- Alexsander Castro de Oliveira – Diretor de Proteção à Pessoa;
- Ademir Dias Cardoso Júnior – Diretor de Tecnologia da Informação e Inovação;
- Humberto Freire de Barros – Diretor da Amazônia e Meio Ambiente.
Esses signatários reforçaram que os recentes acontecimentos representam “ataques injustificados” à PF.
Contexto do afastamento de Andrei Passos
Andrei Passos Rodrigues foi afastado preventivamente após alegações de supostos desvios de função, que ainda não foram comprovados judicialmente. O ministro André Mendonça, ao analisar as denúncias, concluiu que o afastamento era necessário para garantir a lisura das investigações.
O diretor‑geral substituto, William Marcel Murad, assumiu interinamente as funções, enquanto a corporação aguarda decisões definitivas sobre o caso.
Impactos e perspectivas
Os diretores ressaltaram que a postura adotada visa proteger a integridade institucional da Polícia Federal contra “ataques e tentativas de usurpação de funções”. Eles destacaram que a história da PF e a trajetória de Andrei Passos são marcadas por dedicação e profissionalismo.
“A PF tem, em sua história, razão de sólida admiração dos brasileiros. O Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável”, afirmaram.
Ao oferecer seus cargos ao substituto, os diretores demonstram unidade e reforçam a mensagem de que a corporação não será intimidada por pressões políticas ou eleitorais.
Reações externas
Analistas de direito e especialistas em segurança pública observaram que a decisão dos diretores pode influenciar a percepção pública sobre a independência da PF. Eles apontam que a demonstração de apoio interno pode mitigar danos à reputação da instituição.
Entretanto, alguns setores políticos criticaram a medida, alegando que a “dispensa de cargos” pode ser vista como tentativa de blindar o diretor‑geral afastado.
O debate permanece aberto, e a expectativa é que o Supremo Tribunal Federal emita um julgamento definitivo sobre a legalidade do afastamento de Andrei Passos.
Próximos passos
Enquanto o processo judicial segue, a Polícia Federal continuará operando sob a liderança interina de William Marcel Murad. Os diretores que se colocaram à disposição aguardam novas orientações da alta hierarquia.
O Ministério da Justiça monitorará a situação e deverá apresentar relatórios ao Congresso Nacional, garantindo transparência e controle democrático.
Assim, a PF busca equilibrar a necessidade de investigação rigorosa com a manutenção da confiança da sociedade brasileira.








