Na manhã da próxima terça‑feira, 10 de novembro, a Prefeitura de Guarulhos abrirá as portas da Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, localizada na rua Alberto Hinoto Bento, 49, no bairro Macedo, para receber uma roda de conversa focada no letramento racial de pessoas com deficiência visual. O evento tem início às 8h30 e está inserido na programação oficial do Novembro Negro 2026, iniciativa que busca valorizar a cultura afro‑brasileira e combater o racismo institucional. A inscrição pode ser feita via WhatsApp ou pelo telefone (11) 2414‑3685.
Contexto e relevância da ação
O Novembro Negro 2026 reúne, ao longo de todo o mês, uma série de atividades promovidas por órgãos públicos, escolas, ONGs e entidades privadas, todas voltadas para a reflexão sobre a história e a contribuição da população negra no Brasil. Dentro desse cenário, a discussão sobre letramento racial ganha um contorno ainda mais específico quando envolve pessoas com deficiência visual, grupo historicamente subrepresentado nos debates sobre identidade e cultura.
Ao colocar a acessibilidade como eixo central, a iniciativa reconhece que a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva depende de estratégias que considerem as múltiplas dimensões da diversidade. O letramento racial, nesse sentido, deixa de ser apenas um tema acadêmico e passa a ser um instrumento de empoderamento, capaz de transformar percepções e práticas cotidianas.
Além de reforçar o compromisso da administração municipal com os direitos humanos, a ação também serve de modelo para outras cidades que desejam integrar políticas de igualdade racial e inclusão de pessoas com deficiência em um único plano de ação.
Detalhes da roda de conversa
A dinâmica será conduzida por uma das técnicas da Subsecretaria da Igualdade Racial, que guiará os participantes por meio de perguntas abertas, relatos pessoais e estudos de caso. O formato de roda de conversa permite que todos os presentes expressem suas experiências e dúvidas, favorecendo um ambiente de escuta ativa e aprendizado mútuo.
Para garantir a plena participação das pessoas com deficiência visual, o espaço foi preparado com recursos de acessibilidade, como sinalização em braile, iluminação adequada e materiais de apoio em áudio. Também será disponibilizado um guia de turismo especializado, que auxiliará na orientação espacial dos participantes.
O cronograma da manhã está dividido em três blocos: introdução e contextualização, aprofundamento temático e espaço para perguntas e encaminhamentos. Cada bloco foi pensado para durar entre 20 e 30 minutos, permitindo que a discussão se mantenha fluida e produtiva.
Participantes e papéis
Entre os convidados, destacam‑se alunos com deficiência visual do projeto Práticas Educativas para a Inclusão Social (PEIS), que trazem na bagagem escolar vivências de inclusão e desafios cotidianos. A presença da neuropsicopedagoga e guia de turismo Araçari Salles adiciona uma perspectiva profissional sobre como adaptar conteúdos educativos para diferentes modalidades sensoriais.
Os participantes do PEIS compartilharão relatos de como o acesso à informação sobre história negra tem impactado seu processo de aprendizagem e identidade. Esses testemunhos servirão como ponto de partida para a discussão sobre estratégias pedagógicas mais inclusivas.
Além dos estudantes, representantes das Subsecretarias de Acessibilidade e Inclusão e da Igualdade Racial, ambas vinculadas à Secretaria de Direitos Humanos, estarão presentes para esclarecer dúvidas sobre políticas públicas e encaminhar sugestões de melhorias.
Objetivos e metas da iniciativa
O encontro tem como finalidade principal ampliar a compreensão sobre a interseção entre raça e deficiência, destacando a necessidade de materiais educativos que abordem a história afro‑brasileira de forma acessível. Entre as metas específicas, estão:
- Divulgar boas práticas de letramento racial adaptadas a leitores com deficiência visual.
- Fortalecer a rede de apoio entre escolas, secretarias e organizações da sociedade civil.
- Coletar sugestões para a criação de novos recursos didáticos em braile e áudio.
- Estimular a participação ativa da comunidade negra com deficiência nos fóruns de política pública.
Ao final da manhã, será elaborado um relatório preliminar que reunirá os principais pontos discutidos e as propostas de ação. Esse documento será encaminhado às secretarias responsáveis e divulgado publicamente, garantindo transparência e continuidade ao debate.
Impactos esperados e próximos passos
Espera‑se que a iniciativa contribua para a formação de profissionais da educação mais sensíveis às questões de raça e acessibilidade, bem como para a criação de materiais pedagógicos que reflitam a diversidade cultural e sensorial da população guarulhense. O efeito multiplicador pode se estender a outras escolas e instituições que adotarem as recomendações surgidas do encontro.
Além disso, a ação pretende inspirar a realização de eventos semelhantes ao longo do ano, consolidando uma agenda permanente de letramento racial inclusivo. A continuidade das discussões será assegurada por meio de grupos de trabalho intersetoriais que se reunirão periodicamente.
Para quem ainda não se inscreveu, a recomendação é garantir a vaga o quanto antes, pois o número de participantes é limitado e a demanda tem sido alta. O contato via WhatsApp ou telefone está disponível de segunda a sexta, das 9h às 18h.
Em síntese, a manhã de 10 de novembro representa mais do que um simples debate; trata‑se de um passo concreto rumo à construção de uma sociedade onde raça, deficiência e direitos humanos caminhem lado a lado, reforçando o compromisso da cidade de Guarulhos com a justiça social e a inclusão plena.








