Na manhã desta terça‑feira, 3 de outubro de 2026, o Supremo Tribunal Federal abriu uma audiência pública para analisar o veto às apostas esportivas, conhecido como “bets”, que foi implementado pelo governo federal. A sessão foi convocada pelo ministro Luiz Fux e ocorreu nas dependências do STF, em Brasília, reunindo representantes de diversos setores da sociedade.
Contexto jurídico e político
A medida que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas foi formalizada por meio da MP 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A edição da MP coincidiu com a véspera do primeiro turno das eleições, gerando intenso debate sobre a utilização de atos normativos como ferramenta de campanha eleitoral.
Advogados da Advocacia‑Geral da União (AGU) argumentaram que a redação original da lista de expositores favorecia excessivamente operadores de jogos e clubes esportivos. Por isso, o ministro Fux determinou a reconfiguração da composição da mesa, buscando equilibrar as vozes presentes.
Impactos econômicos e sociais
Os setores que dependem das apostas esportivas alertam para a perda de receitas, quebra de contratos vigentes e insegurança jurídica. Entre os prejuízos apontados estão:
- Redução de arrecadação tributária estimada em bilhões de reais.
- Cancelamento de patrocínios e investimentos em clubes de futebol.
- Desemprego de profissionais ligados à operação de plataformas de apostas.
Por outro lado, organizações da saúde pública e entidades civis destacam os riscos da ludopatia, como superendividamento, transtornos mentais, desintegração familiar, aumento da violência doméstica e até casos de suicídio.
Estudos recentes indicam que a prática descontrolada de apostas pode elevar o índice de endividamento das famílias em até 12%, além de agravar problemas de ansiedade e depressão.
Participantes e posições
Na audiência, estiveram representados órgãos governamentais – AGU, Procuradoria‑Geral da República (PGR) e os ministérios da Fazenda, Saúde, Justiça e Esporte – além de entidades esportivas como CBF, COB, CNC e ABERT.
Do lado dos clubes, participaram dirigentes do Flamengo, Fluminense, Botafogo, Corinthians, São Paulo e Cruzeiro. Eles defenderam a manutenção de contratos publicitários firmados antes da MP, argumentando que a mudança abrupta prejudica a sustentabilidade financeira dos times.
Associações do setor de jogos, como a ANJL (Associação Nacional de Jogos de Loteria) e o IBJR (Instituto Brasileiro de Jogos e Regulação), apresentaram relatórios que apontam benefícios econômicos e a necessidade de regulamentação ao invés de proibição total.
Próximos passos e perspectivas
Ao final da audiência, o ministro Fux informou que a deliberação final sobre a MP dependerá da inclusão do processo na pauta do Plenário do STF. Ainda não há data definida para a votação, mas a expectativa é de que o tema seja debatido nas próximas semanas.
Especialistas em direito constitucional ressaltam que o STF pode decidir por duas vias: manter o veto, reforçando a política de proteção ao consumidor, ou abrir caminho para uma regulamentação que concilie arrecadação fiscal e prevenção de vícios.
Enquanto isso, o setor de apostas busca alternativas jurídicas, como a criação de um marco regulatório que estabeleça limites de operação, mecanismos de controle de jogo responsável e tributação diferenciada.








