Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada no último dia 30 de outubro de 2026, os apoiadores de Jair Bolsonaro mudaram a forma de contestar o resultado. Em vez de acampamentos diante de quartéis, eles passaram a interagir nas redes sociais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscando apoio internacional.
A mudança de estratégia de protesto
O estudo da Ativaweb DataLab aponta que a militância bolsonarista adaptou suas táticas ao ambiente digital. O deslocamento da rua para o feed do Instagram e do Facebook demonstra uma tentativa de transformar o ato de protestar em métricas de engajamento. Essa transição reflete a percepção de que curtidas e comentários podem substituir o voto perdido nas urnas.
Os ativistas criaram perfis falsos, contas automatizadas e utilizaram inteligência artificial para amplificar mensagens. O objetivo era gerar visibilidade e pressionar autoridades estrangeiras, sobretudo o ex‑presidente americano, que ainda mantém grande influência nas redes.
Análise dos dados de engajamento
Foram analisadas 1 234 989 menções entre comentários e curtidas nas plataformas citadas, todas registradas no dia 29 de outubro de 2026. Dentre essas interações, 34,1% foram classificadas como pedidos de socorro, enquanto 33,4% das curtidas pertenciam a esse mesmo grupo.
A narrativa de fraude eleitoral e de suposta ditadura respondeu por quase 8% dos comentários e por 9,2% das curtidas. Enquetes informais, usadas como iscas de engajamento, representaram 7,4% dos comentários, mas capturaram 40% das curtidas totais.
- Pedidos de socorro (SOS, Help): 34,1% dos comentários.
- Acusações de fraude: 8% dos comentários.
- Enquetes de engajamento: 7,4% dos comentários, 40% das curtidas.
Esses números revelam que a maioria das interações não buscava debate, mas sim chamar a atenção de um público externo que não tem jurisdição sobre o processo eleitoral brasileiro.
O que as curtidas significam para os bolsonaristas
De acordo com Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, a curtida funciona simbolicamente como um voto perdido. “Ninguém ali está conversando com Trump. Estão fazendo uma contagem pública de cabeças, e a curtida é o voto que eles sentem que perderam na urna”, explicou.
Essa interpretação transforma o algoritmo em uma urna paralela. Cada like passa a representar um apoio simbólico, uma forma de validar a narrativa de que o resultado oficial foi ilegítimo.
Além disso, a presença de contas rotuladas por inteligência artificial indica uma estratégia coordenada. Quedas abruptas de curtidas sugerem que o movimento tenta criar picos de atenção que, ao desaparecer, reforçam a ideia de manipulação externa.
Implicações para a democracia brasileira
O relatório evidencia que a migração do protesto físico para o ambiente digital pode gerar indícios de inautenticidade. Quando palavras como “SOS” e “Help” dominam as discussões, o debate construtivo desaparece, substituído por apelos a intervenções externas.
Essa dinâmica coloca em risco a soberania do processo eleitoral. Ao buscar apoio de potências estrangeiras, os militantes criam um cenário em que a legitimidade das urnas pode ser questionada internacionalmente, ainda que sem base legal.
Especialistas alertam que a estratégia pode inspirar outros grupos a replicar o modelo, usando plataformas globais para contestar resultados locais. O efeito cascata pode enfraquecer a confiança nas instituições democráticas.
Por fim, a pesquisa aponta que a mobilização digital não é apenas um reflexo da derrota, mas uma tentativa de transformar o descontentamento em pressão política. A contagem de curtidas, como um voto simbólico, demonstra como a tecnologia pode ser usada tanto para fortalecer quanto para ameaçar a democracia.








