Em entrevista concedida no sábado, 31 de outubro, na sua residência na Flórida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país já destruiu grande parte da capacidade militar iraniana, mas ainda precisa “cuidar” de um ou dois alvos estratégicos, entre eles a suposta instalação nuclear conhecida como “montanha Pickaxe”.
Declarações de Trump sobre o Irã
Trump enfatizou que as negociações para encerrar a guerra iniciada pelos EUA e Israel em fevereiro estavam avançando, embora tenha ressaltado a falta de confiança nas partes envolvidas. Segundo o presidente, o programa nuclear iraniano foi praticamente desativado, mas ainda resta eliminar pontos críticos que poderiam representar risco futuro.
O mandatário afirmou que Washington não tem pressa para lançar novas operações, pois a maior parte das forças armadas iranianas já foi neutralizada. “Neutralizamos sua capacidade nuclear. Ainda temos que cuidar de, eu diria, um ou dois locais, mas podemos fazer isso em 10 minutos”, disse Trump.
Ele citou especificamente a “montanha Pickaxe”, descrevendo-a como um alvo que pode ser tratado rapidamente. “Provavelmente podem olhar para a montanha Pickaxe, precisamos cuidar disso. Podemos fazer tudo isso muito rapidamente”, acrescentou, reforçando a ideia de uma ação cirúrgica e veloz.
Ao responder aos jornalistas, Trump também mencionou que a decisão sobre novos ataques ainda não havia sido tomada, deixando em aberto a possibilidade de ação militar dependendo da evolução das negociações.
O presidente ressaltou ainda que o Irã nega a existência de qualquer atividade nuclear no local apontado, mas que os EUA mantêm vigilância constante para confirmar suas alegações.
Em outro momento, Trump destacou que a estratégia americana visa evitar uma escalada desnecessária, focando apenas em alvos que representem ameaça direta ao interesse dos EUA. Ele afirmou que a capacidade de resposta rápida dos militares norte‑americanos garante que qualquer operação seja concluída em poucos minutos.
Por fim, o mandatário sugeriu que, caso novos ataques sejam necessários, eles seriam coordenados com aliados da região, especialmente Israel, que tem interesse direto em conter o programa nuclear iraniano.
Reações de líderes iranianos e de Israel
O líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, respondeu às declarações de Trump com forte retórica, afirmando que qualquer ameaça será enfrentada com resposta imediata e contundente, sem restrições geográficas.
Khamenei fez essas declarações durante reunião com altos comandantes militares, enfatizando que o Irã está preparado para defender sua soberania contra qualquer agressão externa.
Já o porta‑voz do Exército iraniano, Mohamad Akraminia, alertou que um futuro conflito poderia se estender por mais tempo do que o último, indicando que o presidente americano não teria controle total sobre o calendário da guerra.
Do lado israelense, o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu qualificou a situação como uma “oportunidade histórica e única” para derrubar o governo iraniano, reforçando a postura agressiva de Tel Aviv em relação ao programa nuclear de Teerã.
Netanyahu também ressaltou que as recentes eleições em Israel, realizadas na última terça‑feira, podem influenciar a dinâmica do conflito, já que o novo governo ainda está em formação.
Além disso, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Eli Cohen, declarou que Israel permanecerá vigilante e pronto para agir caso o Irã avance em sua capacidade nuclear, alinhando-se às estratégias americanas.
Em resposta às ameaças iranianas, o governo israelense tem intensificado a cooperação de inteligência com os EUA, compartilhando informações sobre possíveis alvos estratégicos.
Por fim, representantes iranianos foram enviados ao Golfo Pérsico para participar de consultas indiretas com os Estados Unidos, na tentativa de avançar nas negociações de paz, apesar das declarações agressivas de seus líderes.
Posicionamento dos EUA e da comunidade internacional
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Trump ainda não tomou decisão final sobre novos ataques ao Irã e que Washington permanece aberta a soluções diplomáticas, buscando evitar uma escalada militar.
Rubio destacou que o foco da administração é garantir a segurança regional por meio de pressão econômica e diplomática, ao mesmo tempo em que mantém a opção de ação militar como último recurso.
Na mesma linha, o Departamento de Defesa dos EUA reforçou que as forças armadas continuam monitorando a situação, mas que não há planos imediatos de mobilização de tropas.
Vários aliados europeus, incluindo a França e o Reino Unido, pediram cautela e enfatizaram a necessidade de um retorno à mesa de negociações, evitando uma nova onda de violência no Oriente Médio.
O Conselho de Segurança da ONU ainda não deliberou sobre resoluções específicas relacionadas ao conflito, mas tem acompanhado de perto as declarações de Trump e as respostas iranianas.
Organizações não‑governamentais, como a Anistia Internacional, alertaram para o risco de violações dos direitos humanos em caso de intensificação dos combates, especialmente em áreas civis.
Os Emirados Árabes Unidos, representados por Anwar Gargash, expressaram esperança de avanços diplomáticos, mas também declararam estar preparados para o pior cenário, reforçando a importância da estabilidade regional.
Enquanto isso, o Pentágono continua a atualizar seus planos de contingência, incluindo a possibilidade de operações aéreas rápidas, caso a situação exija intervenção direta.
Impactos nas eleições e nas relações regionais
As próximas eleições legislativas nos Estados Unidos, marcadas para a primeira semana de novembro, podem influenciar a postura de Trump em relação ao Irã, já que decisões militares podem ser usadas como argumento político.
Analistas apontam que a retórica agressiva pode ser uma tentativa de mobilizar a base conservadora, que costuma apoiar políticas de força contra ameaças externas.
Ao mesmo tempo, a instabilidade gerada pelo conflito pode afetar a percepção dos eleitores sobre a competência do governo em conduzir política externa.
Em Israel, as recentes eleições gerais ainda não resultaram em um governo estável, o que pode complicar a coordenação de ações conjuntas com os EUA contra o Irã.
Especialistas em geopolítica destacam que a falta de um governo consolidado em Israel pode limitar a eficácia das respostas militares e diplomáticas na região.
Por outro lado, a postura firme dos Emirados Árabes Unidos, que buscam avançar nas negociações, pode abrir espaço para mediação regional, caso as partes envolvidas optem por um diálogo.
O Irã, ao enviar representantes ao Golfo para consultas indiretas, demonstra que ainda há canais de comunicação abertos, apesar da retórica beligerante de seus líderes.
Entretanto, a possibilidade de um novo confronto militar poderia prolongar o sofrimento das populações civis, aumentar os fluxos de refugiados e gerar instabilidade econômica nos mercados de energia.
Em resumo, as declarações de Trump sobre a necessidade de eliminar “um ou dois” alvos no Irã trazem à tona questões estratégicas, diplomáticas e políticas que reverberam não apenas nos corredores do poder em Washington, mas também nas ruas de Teerã, Tel Aviv e nas capitais europeias.








