O Dia das Bruxas, celebrado em 31 de outubro, transformou-se em um dos eventos mais aguardados pelos brasileiros, movimentando consumidores, lojistas e plataformas digitais. Em 2026, a data cai num sábado, o que favorece ainda mais a participação massiva em festas, compras de decoração e a tradicional prática de “doces ou travessuras” nas ruas.
Da tradição celta ao calendário brasileiro
Embora a origem do Halloween esteja ligada ao antigo festival celta de Samhain, a celebração chegou à América do Norte com imigrantes irlandeses e evoluiu nos Estados Unidos até o formato atual de fantasias, abóboras iluminadas e brincadeiras infantis. No Brasil, o primeiro contato foi discreto, principalmente em escolas de idiomas que utilizavam a data para ensinar aspectos culturais de países de língua inglesa.
A partir da década de 1990, e com força nos anos 2000, o cinema, a televisão e, mais recentemente, as redes sociais, impulsionaram a difusão do tema. Hoje, o Halloween está presente em escolas, condomínios, bares, festas temáticas e, sobretudo, nas vitrines de lojas que criam campanhas específicas para a ocasião.
Impacto econômico nas micro e pequenas empresas
Um levantamento do Sebrae-SP divulgado em outubro de 2026 revelou que 94% das micro e pequenas empresas paulistas que podem ser influenciadas pelo Halloween esperam algum efeito positivo. Dentre elas, 68% projetam aumento nas vendas e 45% acreditam que a data pode atrair novos clientes.
O estudo entrevistou 1.034 proprietários de pequenos negócios de 17 segmentos diferentes, incluindo alimentação, doces, vestuário, beleza, decoração, presentes, artesanato e entretenimento. Os resultados mostraram que 84% dos entrevistados já estavam organizando ações específicas para a data.
- 46% planejam promoções e kits temáticos;
- 44% investirão em decoração dos estabelecimentos;
- 41% farão divulgação direcionada ao Halloween.
Entre as empresas que investiram em 2025, 55% registraram aumento de faturamento e metade relatou crescimento no número de clientes. Não são apenas lojas de fantasias que se beneficiam; salões de beleza, restaurantes, bares, papelarias e pequenos produtores também encontraram oportunidades para lançar produtos e serviços temáticos.
Tendências de consumo no comércio eletrônico
Um levantamento da Nuvemshop, analisando pedidos entre 1º e 14 de outubro de 2026, apontou crescimento de 26% no faturamento de produtos relacionados ao Halloween em comparação ao mesmo período do ano anterior. Em dois anos, a alta chegou a 81%.
O ticket médio por compra atingiu R$ 296,96, representando um aumento de 10,5% em relação a 2025. Os segmentos que mais contribuíram para esse volume foram decoração, doces, papelaria, beleza e experiências, que juntos responderam por 59% do faturamento temático na plataforma. Fantasias e acessórios representaram os restantes 41%.
O comportamento de compra também mudou. Enquanto os pedidos de decoração e itens para casa quase quintuplicaram em dois anos, as vendas de doces e alimentos triplicaram, indicando que os consumidores estão buscando transformar suas residências em verdadeiros cenários de filme de terror.
Embora os números reflitam apenas uma plataforma de comércio eletrônico, eles ajudam a ilustrar como o Halloween passou a ser um motor de consumo diversificado, envolvendo categorias que antes não tinham relação direta com a festa.
Perfil do consumidor brasileiro
Uma pesquisa realizada pela Globo em 2025 revelou que 33% dos brasileiros pretendiam comemorar o Halloween naquele ano. Entre as classes A e B, esse percentual chegou a 50%, demonstrando que a data tem forte apelo entre consumidores de maior poder aquisitivo.
As principais formas de participação apontadas foram a compra de doces, a decoração de casas e a presença em festas temáticas. Esses hábitos reforçam a ideia de que o Halloween se consolidou como um evento cultural, capaz de gerar oportunidades de negócios em múltiplos setores.
Com a popularização crescente, especialistas preveem que a data continuará a evoluir no Brasil, incorporando novas tendências como realidade aumentada em experiências de loja, kits de maquiagem temáticos e eventos híbridos que misturam presencial e digital.
Em síntese, o Halloween deixou de ser apenas uma curiosidade importada para se tornar um elemento estruturante do calendário comercial brasileiro, gerando receita, atraindo novos públicos e estimulando a criatividade de empreendedores de todos os portes.








