Na manhã de 29 de outubro de 2026, o presidente Donald Trump manifestou irritação ao descobrir que dois candidatos com o mesmo nome estavam disputando a mesma vaga no Senado dos Estados Unidos, no Alasca. A coincidência, que já havia sido noticiada, ganhou nova repercussão após uma investigação do The New York Times apontar supostos esforços da campanha da democrata Mary Peltola para recrutar um candidato com nome idêntico ao do senador republicano Dan Sullivan.
Como surgiu a duplicidade de candidatos
A estratégia teria se iniciado em meados de 2025, quando membros da equipe de Peltola foram instruídos a localizar pessoas chamadas Dan Sullivan no Alasca e convencê‑las a entrar na corrida pelo Senado. O objetivo, segundo o jornal, era gerar confusão entre eleitores que, ao ver dois nomes iguais na cédula, poderiam dividir os votos do candidato republicano.
Dois Sullivan apareceram nas primárias de agosto: o incumbente senador Dan Sullivan, que buscava a reeleição, e Daniel J. Sullivan Jr., um professor aposentado residente em uma comunidade pesqueira do estado. Enquanto o senador obteve 41,4% dos votos, o professor recebeu 2,5%, equivalentes a 4.107 votos. Ambos avançaram para a eleição geral, já que as regras do Alasca permitem que os quatro candidatos mais votados nas primárias sigam adiante.
O New York Times baseou sua reportagem em entrevistas, mensagens de texto e documentos internos que apontavam para a participação de advogados e funcionários do Comitê de Campanhas Democratas para o Senado (DSCC). O relatório sugeriu que a campanha de Peltola teria criado um “espaço de confusão” deliberado, embora o professor Sullivan tenha negado qualquer intenção de manipular o pleito.
Reação de Trump e ações do Departamento de Justiça
Antes mesmo da publicação da investigação, Trump pressionou o Departamento de Justiça (DOJ) a intervir, alegando que a presença de dois candidatos com o mesmo nome poderia comprometer a vitória da democrata Mary Peltola. Na quinta‑feira (29), o governo protocolou uma ação judicial que busca impedir a certificação dos resultados caso o senador republicano perca por margem estreita.
Segundo a Reuters, o DOJ já emitiu mais de 40 intimações e pedidos de documentos para entender a extensão da suposta estratégia. A ação judicial, ainda em fase preliminar, pretende bloquear a certificação dos resultados eleitorais do Alasca até que a investigação seja concluída.
Trump, em entrevista coletiva, acusou os democratas de “armar um truque sujo” e declarou que era “difícil acreditar que Peltola tenha sequer conseguido chegar à disputa”. O presidente reiterou que a situação era “injusta” e que exigia uma resposta rápida das autoridades federais.
Análises jurídicas e perspectivas para a eleição geral
Especialistas em direito eleitoral, como a professora Jessica Levinson, da Faculdade de Direito Loyola, argumentam que, a menos que haja ocultação de financiamento ou violação de leis de campanha, a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr. não configura crime. Levinson destacou que estratégias de confusão de nome são “legais, embora antiéticas”, e que a legislação atual não impede que um cidadão comum concorra ao cargo.
Outros analistas apontam que o caso pode abrir precedentes para futuras intervenções governamentais em disputas eleitorais, especialmente quando o governo federal se envolve em processos de certificação estadual. A preocupação é que decisões baseadas em “confusão de nomes” possam ser usadas como ferramenta política para bloquear resultados desfavoráveis.
Nas urnas gerais, programadas para 5 de novembro de 2026, a disputa permanece acirrada. Mary Peltola lidera as pesquisas, seguida de perto por Dan Sullivan, enquanto o candidato Daniel J. Sullivan Jr. ainda pode retirar votos críticos do republicano. A presença de dois Sullivan na cédula gera dúvidas sobre a efetividade dos esforços de campanha e sobre a capacidade do eleitor de distinguir entre os candidatos.
O Departamento de Justiça continua a coletar depoimentos e documentos, enquanto a campanha de Peltola insiste que a presença de Daniel J. Sullivan Jr. é legítima e que não há intenção de manipular o voto. O caso permanece aberto, e os próximos dias serão decisivos para determinar se a ação judicial será aceita pelos tribunais.
Em resumo, a controvérsia no Alasca destaca como táticas de campanha podem explorar lacunas do sistema eleitoral, provocando reações intensas de figuras políticas de alto escalão. Enquanto Trump pressiona por intervenção federal, especialistas alertam para os riscos de precedentes que possam comprometer a autonomia dos processos eleitorais estaduais.








