Na noite de quinta-feira (29), a Polícia Militar de Guarulhos apreendeu R$ 100 mil em espécie durante a abordagem de uma Mercedes‑Benz sem placas. A ação ocorreu na avenida Santos Dumont, na zona leste da cidade, e envolveu o influenciador digital Toguro, cuja identidade foi confirmada pelos agentes.
Detalhes da abordagem
A viatura policial realizou a parada ao observar a falta de identificação oficial no veículo. Os policiais solicitaram a inspeção do interior da Mercedes‑Benz, que estava ocupada por dois homens: um motorista de 22 anos e um passageiro não identificado.
Durante a vistoria, os agentes encontraram uma caixa de sapatos dentro de uma sacola preta, contendo exatamente R$ 100 mil em notas. O dinheiro foi imediatamente recolhido e colocado sob custódia para averiguação.
O condutor afirmou que trabalhava para Toguro e que a quantia pertencia ao influenciador. Segundo seu relato, o valor seria transportado até uma unidade da academia Smart Fit, em Arujá, para ser entregue a outro influenciador conhecido como Cerol.
Além disso, o motorista declarou que a Mercedes‑Benz estava registrada em nome da empresa Marketing Gael, empresa vinculada ao próprio Toguro. Essa informação foi anotada no boletim de ocorrência.
Reações e esclarecimentos de Toguro
Após a apreensão, Toguro compareceu à delegacia do 4º Distrito Policial de Guarulhos para prestar esclarecimentos. Ele apresentou documentos bancários que, segundo ele, comprovavam a origem lícita do dinheiro.
Os documentos mostraram que a quantia havia sido transferida de uma conta vinculada à sua empresa de marketing digital, com finalidade de pagamento de um veículo de luxo, um Cadillac Escalade, que seria adquirido em breve.
Com a comprovação documental, a autoridade policial autorizou a devolução dos R$ 100 mil ao influenciador, encerrando a fase de apreensão. No entanto, a polícia manteve a investigação sobre a suposta adulteração de sinal identificador do veículo.
- Valor apreendido: R$ 100 mil em espécie.
- Local da abordagem: Avenida Santos Dumont, Guarulhos.
- Veículo: Mercedes‑Benz sem placas, registrado em nome da Marketing Gael.
- Destinatário alegado: Academia Smart Fit, Arujá, para entrega ao influenciador Cerol.
- Resultado: Devolução do dinheiro após comprovação bancária.
Implicações legais e procedimentos
O caso foi registrado como crime de adulteração de sinal identificador de veículo automotor, previsto no artigo 311 do Código Penal. A polícia solicitou perícia técnica na Mercedes‑Benz para confirmar a irregularidade das placas.
Além da perícia, os dois ocupantes do veículo foram conduzidos ao 4º Distrito Policial, onde foram ouvidos e tiveram seus documentos anotados. O motorista recebeu advertência, enquanto o passageiro foi liberado após esclarecimentos.
A autoridade policial destacou que a apreensão de dinheiro em espécie, mesmo que posteriormente devolvido, é medida preventiva para evitar lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas.
Especialistas em direito penal apontam que a simples falta de placas pode configurar crime de falsidade documental, ainda que o condutor alegue desconhecimento. O registro da empresa Marketing Gael como proprietária do automóvel também será analisado para verificar possíveis irregularidades societárias.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais, gerando debates sobre a responsabilidade de influenciadores digitais ao movimentar grandes somas em dinheiro físico. Muitos usuários questionaram a necessidade de transportar valores tão elevados sem uso de meios bancários.
Em resposta, Toguro afirmou que a prática era pontual e que, a partir daquele incidente, adotará procedimentos mais seguros para movimentação de recursos, como transferências eletrônicas e uso de cofres bancários.
O episódio também trouxe à tona a discussão sobre a regulamentação de influenciadores digitais no Brasil, especialmente no que se refere à transparência financeira e à prestação de contas perante autoridades fiscais.
Autoridades da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo reforçaram que a polícia continuará vigilante em casos de suspeita de irregularidades veiculares, especialmente quando houver indícios de uso de veículos para transporte de valores ou contrabando.
Por fim, o caso serve como alerta para que outros criadores de conteúdo e empresários do meio digital adotem práticas de compliance mais robustas, evitando situações que possam colocar em risco a reputação e a liberdade de operação.








