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Alíquota da nova Contribuição sobre Bens e Serviços pode ultrapassar 30% e superar países desenvolvidos, veja a análise

O Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou, nesta semana, uma proposta de alíquota de referência para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o novo tributo que substituirá PIS, Cofins e parte do IPI. A sugestão fixa a alíquota em 11,3% a partir de 2027, data prevista para o início da cobrança integral. A medida será enviada ao Congresso, que tem até 15 de dezembro para definir o valor final.

Proposta do TCU e alíquota de referência

Os técnicos do TCU basearam o cálculo nos dados da Receita Federal, projetando a arrecadação necessária para manter a carga tributária atual. A estimativa considera a extinção dos tributos federais citados ao final de 2026 e a necessidade de compensar a perda de receita. O governo federal havia inicialmente previsto uma alíquota de 8,8% para 2024, enquanto a consultoria Roit calculou 9,43% para 2027.

O Comitê Gestor do IBS (CGIBS) divulgou, em julho, que a alíquota da CBS para 2024 seria de aproximadamente 9,2%. Essa diferença entre as projeções oficiais e a proposta do TCU gerou debate entre especialistas, que temem um aumento mais brusco do imposto ao consumidor.

Além da CBS federal, a reforma prevê a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nos níveis estadual e municipal, com alíquota marginal de 0,1% até 2028. A partir de 2029, os entes subnacionais deverão aumentar gradualmente a cobrança, atingindo a plena tributação em 2033.

Comparação internacional e impactos

Analistas apontam que, se a alíquota da CBS permanecer em 11,3% e os tributos estaduais e municipais evoluírem conforme o cronograma, a carga total sobre o consumo pode chegar a 30% em 2033. Essa projeção supera a alíquota média dos países da OCDE, que segundo a Tax Foundation foi de 19,4% em 2026.

O ranking da Tax Foundation inclui países como Alemanha, Canadá, Japão e Estados Unidos, cujas alíquotas variam entre 15% e 22%. O Brasil, com uma estimativa de 30%, ficaria acima de todas essas nações desenvolvidas.

  • Estados Unidos – cerca de 22%
  • Canadá – aproximadamente 20%
  • Alemanha – 19%
  • Japão – 17%
  • França – 21%

O governo federal, entretanto, argumenta que a carga atual sobre o consumo já ultrapassa 34% quando se consideram todos os tributos encadeados. Segundo o Executivo, a complexidade do sistema impede um cálculo preciso, pois muitos impostos incidem “por dentro”, ou seja, são incorporados ao preço do bem.

A reforma pretende mudar esse modelo, passando a cobrar os tributos “por fora”, ou seja, exibindo-os separadamente nas notas fiscais. Essa mudança deve tornar mais transparente o peso real dos impostos para o consumidor.

Desafios da carga tributária no consumo

Um dos principais problemas apontados pelos especialistas é a regressividade da tributação sobre o consumo. Quando a maior parte da arrecadação vem de impostos indiretos, a carga recai proporcionalmente mais sobre quem tem menor renda.

Luís Garcia, advogado tributarista da USP/SP, destaca que o alto endividamento do setor público e a rigidez das despesas obrigatórias mantêm a pressão por arrecadação. Ele afirma que, sem ajustes estruturais, a reforma sozinha não trará alívio fiscal significativo.

Além disso, a decisão política de manter o peso dos impostos sobre o consumo, tomada pelo governo Lula e pelos legisladores, reforça a concentração da carga tributária em bens e serviços. Essa estratégia, embora simplifique a arrecadação, eleva o custo de vida para a população de baixa renda.

Outros entraves incluem a necessidade de adequação dos sistemas de cobrança nos estados e municípios, que ainda precisam definir suas alíquotas marginais e adaptar a infraestrutura tecnológica.

Perspectivas para 2033 e além

Se a alíquota plena da CBS chegar a 30% em 2033, o Brasil ultrapassará o patamar dos países mais desenvolvidos em termos de tributação ao consumo. Essa situação pode gerar críticas internacionais e pressionar o governo a rever o modelo.

Entretanto, defensores da reforma argumentam que a unificação dos tributos simplificará o sistema, reduzirá a burocracia e melhorará a competitividade das empresas. Eles acreditam que, a longo prazo, a transparência e a simplificação compensarão o aumento percentual.

O Senado tem até 15 de dezembro para decidir sobre a alíquota proposta pelo TCU. Caso a proposta seja aceita, o valor será oficialmente encaminhado ao Congresso, que poderá ajustar a taxa antes da implementação.

Enquanto isso, consumidores, empresários e analistas acompanham de perto as discussões, pois a definição final impactará diretamente o preço dos produtos, a competitividade das empresas e a distribuição da carga tributária entre diferentes faixas de renda.

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