Em apenas dois dias, canais estrangeiros inspirados no “Exército do Lula” viram seu número de seguidores quase dobrar, passando de 123 mil para 249 mil. O fenômeno ocorreu entre 20 e 22 de outubro de 2026, abrangendo plataformas de França, Espanha e Argentina. A rápida expansão demonstra a capacidade de adaptação de estratégias digitais brasileiras a contextos políticos externos.
Crescimento explosivo nos principais canais
O salto mais expressivo foi registrado no canal francês L’équipe de Mélenchon officielle, que passou de 57 mil para 147 mil membros, um aumento de 157,89%. Essa comunidade apoia o líder ultraesquerdista Jean‑Luc Mélenchon, que se prepara para a disputa presidencial de 2027.
Na Espanha, o grupo La fuerza de la gente – alinhado ao primeiro‑ministro Pedro Sánchez – cresceu 68%, elevando seu público de 25 mil para 42 mil integrantes. Já na Argentina, o Ejército del Peronismo aumentou sua base de 41 mil para 60 mil, representando um acréscimo de 46,34%.
Esses números refletem um padrão de adoção de técnicas de mobilização digital que surgiram durante a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
- França: +157,89% (57 mil → 147 mil)
- Espanha: +68% (25 mil → 42 mil)
- Argentina: +46,34% (41 mil → 60 mil)
Como funciona a estratégia do Exército do Lula
A base da estratégia está no uso intenso do WhatsApp para distribuir “missões” aos apoiadores. Cada missão inclui instruções claras: compartilhar publicações, convidar novos participantes e ampliar a repercussão de mensagens nas redes sociais.
Os canais criam um ambiente de gamificação, onde os integrantes recebem reconhecimento por cumprir tarefas, como curtidas, reposts e convites. Esse modelo gera um efeito de rede que potencializa o alcance orgânico sem depender de investimento publicitário.
Além do WhatsApp, as plataformas utilizam grupos no Telegram e no Signal para coordenar ações em tempo real, permitindo ajustes rápidos de conteúdo conforme a reação do público.
Os participantes também recebem materiais prontos – imagens, textos e vídeos – que podem ser adaptados para diferentes idiomas, facilitando a disseminação transnacional.
Impactos políticos e perspectivas internacionais
O sucesso da replicação estrangeira indica que partidos de esquerda ao redor do mundo buscam novas formas de competir contra o avanço de movimentos conservadores e de extrema‑direita. Na França, Mélenchon aparece como um dos principais candidatos para 2027, enquanto Marine Le Pen lidera as pesquisas de direita.
Na Argentina, o Ejército del Peronismo se posiciona como força de oposição ao presidente Javier Milei, cujo governo tem adotado políticas econômicas liberais que geram controvérsia. A mobilização digital pode ser decisiva para reverter a tendência de apoio ao governo.
Especialistas apontam que a estratégia do Exército do Lula pode inspirar outras campanhas, inclusive em países onde o acesso a mídia tradicional é limitado ou censurado. A capacidade de criar redes de apoio autônomas oferece uma alternativa viável para a construção de bases eleitorais.
Entretanto, críticos alertam para riscos de desinformação e manipulação, já que a mesma estrutura pode ser usada para disseminar notícias falsas ou conteúdo polarizador. A transparência das fontes e a verificação de fatos tornam‑se desafios centrais.
Desafios e oportunidades para a esquerda global
Um dos principais desafios é adaptar o modelo culturalmente, respeitando diferenças de linguagem, humor e referências locais. O que funciona no Brasil pode não ressoar da mesma forma em contextos europeus ou latino‑americanos.
Ao mesmo tempo, a estratégia oferece oportunidades de fortalecimento de alianças transnacionais, permitindo que partidos compartilhem recursos, estratégias e experiências em tempo real.
Organizações da sociedade civil têm observado o fenômeno e começam a desenvolver guias de boas práticas para o uso ético de ferramentas de mobilização digital.
O futuro da política digital parece apontar para uma maior integração entre campanhas nacionais e movimentos internacionais, com a tecnologia como principal facilitadora.
Em síntese, a duplicação de seguidores em apenas dois dias demonstra que a fórmula brasileira de engajamento online está se tornando um modelo exportável, capaz de influenciar eleições e debates em diferentes continentes.








