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Secretário de Mobilidade de Salvador culpa sindicato pelos atrasos de ônibus nas eleições

Na tarde do segundo turno das eleições presidenciais, os ônibus de Salvador sofreram atrasos que deixaram milhares de eleitores desamparados. O secretário de Mobilidade, Pablo Souza, afirmou que a ação do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários da capital baiana foi a principal causa da interrupção. O incidente ocorreu no domingo, 25 de outubro, na capital da Bahia, um dos redutos mais fortes do Partido dos Trabalhadores.

Contexto da crise de mobilidade no dia da votação

O secretário de Mobilidade, economista de formação, explicou que a paralisação foi motivada por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que buscaram afixar adesivos de campanha nos veículos. Segundo Souza, a prática gerou um efeito dominó nas garagens, atrasando a liberação dos ônibus para a rota regular.

Ele ressaltou que, antes da ação sindical, cerca de mil ônibus já circulavam normalmente, atendendo a demanda da população. Contudo, a intervenção nas garagens G5, Caminho de Areia, e em outras três unidades simultâneas, fez com que o fluxo fosse interrompido por mais de duas horas.

O secretário ainda destacou que a prefeitura não cometeu nenhuma irregularidade e que os atrasos foram consequência direta da ação do sindicato, que, segundo ele, transformou o ato de colar adesivos em um verdadeiro “pedágio” de campanha.

Reação das autoridades e medidas judiciais

Fotos, vídeos e áudios foram encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para apuração de crimes eleitorais, como propaganda ilegal em dia de votação. O TRE chegou a decretar prisão preventiva contra o secretário, mas o mandato foi revogado após a constatação de que ele se encontrava em Paris em um evento internacional.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, decidiu ampliar o horário de votação em todo o país em duas horas, medida que, segundo o secretário, foi influenciada pelos transtornos ocorridos em Salvador.

Além disso, a Secretaria de Mobilidade enviou documentos à Polícia Federal, que assumiu a condução do inquérito contra os responsáveis pela ação sindical. Souza afirmou que o áudio vazado do presidente do sindicato comprova a coordenação da campanha de apoio ao candidato petista.

Posicionamento do sindicato e resposta da prefeitura

Em nota oficial, o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários negou qualquer responsabilidade pelos atrasos e classificou as acusações como infundadas. O comunicado ressaltou o compromisso com a transparência, a verdade e o respeito à representação sindical.

Por outro lado, a equipe da secretaria compareceu à garagem G5 para interpelar os representantes sindicais, alegando crime eleitoral e prejuízo ao atendimento da população. O confronto resultou em ameaça de fechamento da garagem, o que agravou ainda mais o impacto operacional.

Souza explicou que, após a retirada dos adesivos, os ônibus foram liberados, mas o efeito já havia se instalado, gerando um “gotejamento” de veículos que comprometia a dinâmica do serviço.

Impactos na participação eleitoral e na imagem da cidade

Apesar dos contratempos, Salvador registrou uma redução da taxa de abstenção, passando de 20% para 15% no segundo turno, o que equivale a cerca de 85 mil eleitores a mais nas urnas. O secretário atribuiu esse resultado ao engajamento da população e ao fato de que a maioria dos ônibus acabou circulando ao longo do dia.

Ele também enfatizou que nenhum ônibus foi barrado por causa de adesivos, e que a ação sindical não visava prejudicar a votação, mas sim promover apoio ao candidato. Segundo ele, a estratégia de “adesivaço” foi utilizada como ferramenta de propaganda, mas acabou gerando um efeito colateral inesperado.

O caso ganhou repercussão nacional, gerando debates sobre a legalidade de intervenções sindicais em serviços públicos durante períodos eleitorais. Analistas políticos apontam que a situação evidencia a necessidade de regras mais claras para evitar a manipulação de serviços essenciais em campanhas.

  • Identificação das garagens envolvidas: G5 (Caminho de Areia), G2, G7 e G9.
  • Horário da ação sindical: início às 9h30, com pico de interrupções às 10h15.
  • Quantidade de ônibus afetados: cerca de 300 veículos tiveram a saída retardada.
  • Tempo total de atraso estimado: entre 2 e 2,5 horas em cada rota impactada.

A prefeitura de Salvador reforçou que continuará monitorando a situação e adotará medidas para evitar que episódios semelhantes se repitam em futuras eleições. O secretário de Mobilidade destacou que a transparência nas investigações será mantida e que a colaboração com as autoridades eleitorais permanecerá firme.

Em entrevista, Pablo Souza afirmou que a prioridade da secretaria é garantir a mobilidade da população, sobretudo em momentos críticos como as eleições. Ele concluiu que, apesar dos desafios, a cidade conseguiu manter a ordem e a segurança do processo democrático.

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