O Google anunciou que, a partir de 2026, passará a exibir anúncios nas respostas geradas por sua inteligência artificial no Brasil, ampliando o chamado Modo IA. A iniciativa será lançada nos próximos dois meses, juntamente com o México e o Reino Unido, após já ter sido testada em dez países. Essa mudança visa adaptar a publicidade digital ao novo formato de busca por conversação.
Expansão do Modo IA para novos mercados
O plano de expansão foi detalhado por Shashi Thakur, vice‑presidente e gerente‑geral do Google Ads, em publicação no blog oficial da empresa. A estratégia inclui levar o formato de anúncios em IA a mais mercados até o final do ano, com foco especial no Brasil, que se tornará um dos primeiros da América Latina a receber a novidade.
Até o momento, a ferramenta já está ativa em dez países:
- Austrália
- Canadá
- Índia
- Quênia
- Malásia
- Nova Zelândia
- Nigéria
- Paquistão
- Filipinas
- Cingapura
Essas regiões foram escolhidas como laboratórios para avaliar o desempenho dos anúncios em ambientes de busca baseados em IA.
Os testes iniciais mostraram que as consultas no Modo IA são, em média, três vezes mais extensas que as buscas tradicionais. Essa maior riqueza de informação permite ao algoritmo entender melhor a intenção do usuário, oferecendo resultados mais precisos e, agora, anúncios mais relevantes.
Como funcionam os anúncios nas respostas de IA
No novo formato, os anúncios aparecerão diretamente nas respostas geradas pela IA, acompanhados do rótulo “Patrocinado” para garantir transparência ao usuário. O objetivo é integrar a publicidade ao fluxo da conversa, de modo que ela pareça uma continuação natural da interação.
Além disso, o Google está testando nos Estados Unidos os chamados anúncios multiturno, que podem ser exibidos em perguntas complementares feitas durante a mesma sessão. Essa abordagem permite que a publicidade acompanhe a evolução da dúvida do usuário, oferecendo soluções em tempo real.
Segundo Thakur, as taxas de cliques (CTR) dos anúncios no Modo IA já se aproximam das observadas nos resultados orgânicos, indicando que os usuários consideram as ofertas relevantes. A empresa afirma que continuará ajustando os formatos para melhorar ainda mais a experiência.
Para os anunciantes, a novidade abre oportunidades de segmentação mais refinada. É possível direcionar campanhas a usuários que formulam perguntas detalhadas, aumentando a probabilidade de conversão. A plataforma também oferece relatórios específicos para mensurar o desempenho dos anúncios em ambientes de IA.
Impactos financeiros e de mercado
A revelação ocorre em um momento de pressão sobre a Alphabet, controladora do Google, devido a resultados financeiros abaixo das expectativas. As ações da empresa recuaram 11,7% na quinta‑feira (29) após a divulgação de um balanço trimestral considerado decepcionante.
Analistas apontam que a desaceleração nas receitas de publicidade nas buscas, combinada com o aumento dos investimentos em IA, tem gerado preocupação sobre a capacidade de transformar esses gastos em retornos sustentáveis. O índice Nasdaq, que reúne muitas empresas de tecnologia, também recuou mais de 1% no mesmo dia.
Ao introduzir anúncios no Modo IA, o Google busca revitalizar sua principal fonte de receita – a publicidade nas buscas – adaptando‑a ao futuro da pesquisa conversacional. A expectativa é que a novidade atraia novos anunciantes e reforce a confiança dos investidores na estratégia de longo prazo da empresa.
Entretanto, a iniciativa levanta questões sobre privacidade e transparência. Organizações de defesa do consumidor já sinalizaram a necessidade de garantir que os usuários reconheçam claramente quando uma resposta é patrocinada, evitando confusões entre conteúdo orgânico e pago.
Em resumo, a expansão dos anúncios no Modo IA representa um marco na evolução da publicidade digital, combinando tecnologia avançada de linguagem natural com modelos de negócios consolidados. O sucesso dessa estratégia dependerá da aceitação dos usuários, da eficácia dos anúncios e da capacidade da Alphabet de equilibrar investimentos em IA com geração de receitas.








