O atacante do Tottenham e da Seleção brasileira, Richarlison de Andrade, entrou em conflito judicial pela posse de uma casa de luxo localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, desde 2020. A disputa ganhou ainda mais atenção durante as eleições presidenciais de 2026, quando o nome do senador Flávio Bolsonaro foi citado como suposto interessado no imóvel. O caso envolve investimentos milionários, contratos de compra e venda e decisões de tribunais superiores.
Origens da disputa e primeiros investimentos
Em 2020, Richarlison utilizou a empresa Sport 70 Intermediação de Negócios LTDA para aportar cerca de R$ 10 milhões na aquisição da mansão. Segundo o jogador, o negócio foi concluído de forma regular, com pagamento integral e assinatura de documentos que garantiam a transferência administrativa do bem.
Logo após a compra, o senador Flávio Bolsonaro teria demonstrado interesse em adquirir a propriedade, proposta que o atleta recusou de imediato. A recusa, porém, desencadeou uma série de manobras que culminaram na assinatura de um contrato de compra e venda entre a WT Administração de Imóveis e Bens – empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz – e a M Locadora, suposta proprietária da casa.
Desdobramentos judiciais e decisões dos tribunais
O impasse judicial começou a se intensificar quando a empresa de Richarlison contestou a validade do contrato firmado entre WT Administração e M Locadora. A disputa chegou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ‑RJ), que reconheceu os direitos da WT Administração sobre o imóvel, apontando a comprovação do pagamento e da documentação.
Insatisfeita, a Sport 70 recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em junho de 2025, o STJ negou o recurso especial da empresa, mantendo a decisão do TJ‑RJ. Diante da unanimidade da decisão, a Sport 70 apresentou um pedido de desistência ao STJ em setembro de 2025, formalizando a renúncia ao processo.
O advogado de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz, alegou que Richarlison negociou com partes que não eram os verdadeiros proprietários, o que teria enfraquecido a sua posição jurídica. Em um vídeo gravado, Tomaz afirmou que a empresa do jogador perdeu o caso no STJ e, posteriormente, assinou a renúncia.
Lições para compradores de alto padrão
A advogada especialista em direito imobiliário, Dayene Lopes, ressaltou a importância de verificar a legitimidade do vendedor antes de fechar negócios envolvendo milhões de reais. Ela recomenda a análise minuciosa de documentos como certidões de registro, contratos de compra e venda e comprovantes de pagamento.
Segundo Lopes, a falta de atenção a esses detalhes pode gerar prejuízos difíceis de ser revertidos. Ela destaca que o ressarcimento só é viável quando o comprador consegue identificar o responsável legal pela venda.
- Confirme a regularidade da documentação do imóvel;
- Exija a certidão de registro atualizada do vendedor;
- Verifique se o pagamento foi efetuado mediante transferência bancária rastreável;
- Consulte um advogado especializado antes de assinar qualquer contrato.
O caso de Richarlison serve como alerta para atletas, empresários e investidores que desejam adquirir propriedades de alto padrão. A complexidade das transações imobiliárias no Brasil exige cautela, transparência e apoio jurídico especializado.
Enquanto a disputa se encaminha para a fase de execução das decisões judiciais, Richarlison ainda busca alternativas para recuperar parte do investimento. A situação demonstra como questões de direito de posse podem se transformar em verdadeiras novelas públicas, especialmente quando envolvem figuras de destaque nacional.
O desfecho definitivo ainda depende de possíveis recursos ou acordos extrajudiciais. Entretanto, a decisão do STJ permanece como marco jurídico que reforça a necessidade de due diligence rigorosa em transações imobiliárias de alto valor.








