Brasil e Paraguai anunciaram, nesta quinta‑feira, um plano conjunto para ampliar o turismo nas áreas fronteiriças, com apoio técnico da Unesco. O acordo foi firmado durante a 35ª Reunião de Ministros de Turismo do Mercosul, realizada em São Paulo. A iniciativa visa criar novas rotas, diversificar atrações e estimular a permanência dos visitantes nas regiões de Mato Grosso do Sul, Paraná e no território paraguaio.
Objetivos do plano
O principal objetivo é mapear oportunidades ainda não exploradas ao longo da fronteira, identificando pontos de interesse natural, cultural e histórico que possam atrair viajantes de ambos os países. Além disso, o plano busca incrementar o fluxo turístico e prolongar a estadia média dos visitantes, fatores essenciais para gerar receita e empregos locais.
Outro ponto central é fortalecer a cooperação institucional entre os órgãos de turismo dos dois países, criando canais de comunicação mais ágeis e compartilhando boas práticas. A Unesco, como parceira estratégica, contribuirá com metodologias de planejamento sustentável e com o reconhecimento de patrimônios que possam receber a certificação mundial.
Ações previstas e estudos estratégicos
Para alcançar esses objetivos, foram definidos quatro linhas de ação que serão desenvolvidas ao longo dos próximos três anos. Cada linha conta com etapas específicas, cronogramas detalhados e indicadores de desempenho.
- Levantamento de atrativos: equipes técnicas brasileiras e paraguaias realizarão visitas de campo nos municípios de Corumbá, Ponta Porã, Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e nas áreas rurais adjacentes, registrando recursos naturais, sítios arqueológicos e eventos culturais.
- Estudos de viabilidade: serão produzidos relatórios econômicos que avaliem o potencial de cada atrativo, considerando demanda de mercado, infraestrutura necessária e impactos ambientais.
- Capacitação de agentes locais: programas de formação para guias, empreendedores e autoridades municipais, focados em atendimento ao turista, gestão de negócios e preservação do patrimônio.
- Campanhas de promoção: desenvolvimento de materiais de marketing digital e tradicional, com ênfase em rotas temáticas que cruzem a fronteira, como o “Caminho das Cataratas” e o “Roteiro da Cultura Guarani”.
Os estudos estratégicos terão como base dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Departamento Nacional de Turismo (DNT), além de informações do Ministério do Turismo do Paraguai. A Unesco atuará como consultora, orientando a aplicação de padrões internacionais de turismo sustentável.
Um cronograma preliminar indica que a fase de levantamento de atrativos será concluída até o final de 2024, seguida pelos estudos de viabilidade em 2025. As capacitações e campanhas de promoção deverão estar em plena operação a partir de 2026, permitindo que o fluxo turístico já mostre sinais de crescimento.
Impactos esperados para a economia local
Os analistas projetam que o aumento do número de visitantes pode elevar em até 15% a receita gerada pelo turismo nas cidades fronteiriças até 2028. Esse crescimento será impulsionado não apenas pelos turistas internacionais, mas também pelos viajantes domésticos que buscarão novas experiências dentro do próprio país.
Com a extensão da permanência média de três para cinco dias, hotéis, pousadas e estabelecimentos de hospedagem terão maior ocupação, resultando em mais empregos diretos e indiretos. Restaurantes, lojas de artesanato e serviços de transporte também se beneficiarão, criando uma cadeia de valor que pode absorver trabalhadores locais em diferentes setores.
Além do impacto econômico, o plano tem potencial de reforçar a identidade cultural da região. Ao destacar manifestações artísticas, festivais tradicionais e a história compartilhada entre Brasil e Paraguai, o projeto promove o sentimento de pertencimento e a valorização do patrimônio imaterial.
Os municípios participantes já começaram a elaborar projetos de infraestrutura, como a melhoria de estradas, sinalização turística e a ampliação de pontos de acesso à internet. Essas melhorias são fundamentais para garantir uma experiência segura e confortável ao turista, além de facilitar a coleta de dados em tempo real para ajustes de estratégia.
Especialistas em desenvolvimento regional ressaltam que a integração turística pode servir como catalisador para outras áreas de cooperação, como comércio transfronteiriço, educação e saúde. Quando os fluxos de pessoas aumentam, surgem oportunidades para acordos bilaterais em setores complementares, fortalecendo ainda mais a relação entre os dois países.
O apoio da Unesco também traz credibilidade internacional ao projeto, o que pode atrair investidores estrangeiros interessados em projetos sustentáveis de turismo. Fundos de desenvolvimento, bancos de investimento e organizações não‑governamentais têm demonstrado interesse em financiar iniciativas que combinem crescimento econômico e preservação ambiental.
Por fim, a expectativa é que o plano sirva de modelo para outras regiões fronteiriças da América do Sul, inspirando países vizinhos a adotar estratégias semelhantes. O sucesso desse programa pode abrir caminho para uma agenda de turismo colaborativo no Mercosul, ampliando os benefícios para toda a região.








