Na manhã desta quinta-feira (29), o dólar iniciou a sessão em alta de 0,37%, cotado a R$ 5,3599, enquanto o Ibovespa ainda aguardava a abertura oficial às 10h. O movimento reflete a expectativa de novos dados de inflação e atividade nos Estados Unidos, além das discussões sobre a reforma tributária e o aumento das alíquotas do ICMS no Brasil.
Perspectivas dos EUA: inflação e atividade econômica
Com o Federal Reserve mantendo a taxa básica entre 3,75% e 4%, o foco dos investidores mudou para o Personal Consumption Expenditures (PCE) e o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, divulgados nesta quinta. Os números são cruciais para definir se a política monetária permanecerá rígida ou se haverá espaço para cortes futuros.
Os analistas apontam que, apesar de um crescimento ainda robusto, sinais de desaceleração podem aparecer nos indicadores de consumo e produção industrial. Caso o PCE mostre inflação abaixo das expectativas, a pressão sobre o dólar pode diminuir, favorecendo moedas emergentes, inclusive o real.
Por outro lado, um PIB acima do projetado reforçaria a narrativa de que a economia americana está resistindo bem a choques externos, o que poderia sustentar a alta do dólar por mais tempo. Essa dualidade cria um cenário de alta volatilidade nos mercados cambiais.
Impactos da reforma tributária no Brasil
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro avançou com a atualização das alíquotas do ICMS sobre combustíveis, decisão oficializada no Diário Oficial da União. A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), afetará gasolina, diesel e gás de cozinha a partir de 2027.
Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a proposta de alíquota de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 2027, ainda sujeita à aprovação do Congresso e ao ajuste final pelo Senado. Essa taxa será parte central da nova estrutura tributária que visa substituir o antigo modelo por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
O novo regime tributário também prevê a cobrança transitória do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) com alíquota total de 0,1% nos anos de 2027 e 2028, dividida igualmente entre estados e municípios. A partir de 2029, a alíquota será ajustada gradualmente.
Essas mudanças têm implicações diretas no custo de produção e nos preços ao consumidor, influenciando a percepção de risco dos investidores estrangeiros e, consequentemente, a cotação do real frente ao dólar.
- Alíquota CBS proposta: 11,3% a partir de 2027
- IBS transitório: 0,1% (0,05% estados, 0,05% municípios) em 2027‑2028
- Atualização ICMS sobre combustíveis a partir de 2027
- Modelo IVA: crédito de tributos nas etapas da cadeia produtiva
- Aprovação final depende do Congresso e do Senado
Movimentação dos mercados internacionais
Na Ásia, os principais índices acionários registraram alta. O SSEC, índice de Xangai, e o CSI300 subiram 0,9%, impulsionados pelo otimismo em torno das ações de inteligência artificial após resultados positivos da SK Hynix.
No Japão, o Nikkei avançou 1,08%, enquanto o Kospi da Coreia do Sul valorizou impressionantes 6,63%, refletindo um impulso local em tecnologia e exportações. O Hang Seng de Hong Kong também teve ganhos modestos de 0,23%.
Esses movimentos reforçam a ideia de que, apesar das incertezas nos EUA, os mercados emergentes continuam a buscar oportunidades de crescimento, especialmente nos setores de tecnologia e energia.
O que esperar da cotação do dólar
Com a combinação de dados americanos ainda por vir, a reforma tributária brasileira em fase de consolidação e a volatilidade nos mercados globais, o dólar deve permanecer em um intervalo de negociação estreito nos próximos dias. Analistas recomendam atenção aos seguintes pontos:
- Publicação do PCE e do PIB dos EUA
- Decisões do Congresso sobre a alíquota da CBS
- Reação do mercado às atualizações de alíquotas do ICMS
- Desempenho dos índices asiáticos, principalmente em tecnologia
- Sentimento dos investidores quanto a risco‑país
Em resumo, a alta do dólar nesta manhã reflete um cenário de cautela, onde os agentes de mercado aguardam informações cruciais para definir a direção da política monetária americana e o impacto da nova estrutura tributária brasileira. O acompanhamento próximo desses indicadores será essencial para traders, empresas importadoras e exportadoras, bem como para quem acompanha o mercado de câmbio.








