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Mais bovinos que moradores: 34 municípios capixabas revelam a relação entre gado e população

Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que, em 2025, 34 municípios do Espírito Santo tinham mais cabeças de boi e vaca do que habitantes. O estudo, divulgado em junho de 2026, destaca a forte presença da pecuária em áreas que, à primeira vista, parecem urbanizadas.

Cidades que lideram o ranking de bovinos por habitante

Entre os municípios que mais se destacam, Mucurici, no Norte do estado, lidera com impressionantes 14 bovinos para cada pessoa. Com 78.096 animais e apenas 5.667 residentes, a proporção ultrapassa a média nacional e evidencia a tradição pecuária da região.

Logo em seguida, Ecoporanga, localizada no Noroeste capixaba, apresenta dez cabeças de gado para cada habitante. São 222.707 bovinos atendendo a uma população de 22.554 pessoas, o que também coloca a cidade no topo do ranking de maior número absoluto de animais no estado.

O terceiro lugar fica com Ponto Belo, no extremo Norte, onde a relação chega a cerca de sete bovinos por morador. O município conta com 48.252 cabeças de gado e 6.640 habitantes.

  • Mucurici: 14 bovinos por habitante (78.096 animais / 5.667 pessoas)
  • Ecoporanga: 10 bovinos por habitante (222.707 animais / 22.554 pessoas)
  • Ponto Belo: 7 bovinos por habitante (48.252 animais / 6.640 pessoas)

Esses números refletem a importância histórica da pecuária de corte na economia local, além de indicar desafios de manejo, infraestrutura e sustentabilidade ambiental.

Municípios com equilíbrio entre população e rebanho

Nem todos os municípios com mais gado que habitantes apresentam proporções tão extremas. Alguns mantêm um equilíbrio delicado, onde o número de residentes e de bovinos é quase igual.

São Domingos do Norte, por exemplo, possui 9.089 habitantes e 9.544 cabeças de gado, resultando em 1,05 bovinos por pessoa. Essa leve vantagem ainda garante ao município uma margem de lucro na produção de carne.

Pedro Canário, na Região Norte, apresenta situação semelhante: 21.803 habitantes contra 22.961 bovinos, também com 1,05 animais por residente. O município tem investido em melhoramento genético para aumentar a produtividade sem expandir a área de pastagem.

No interior sulista, Ibitirama registra 10.119 moradores e 10.560 cabeças de gado, o que corresponde a 1,04 bovinos por habitante. A cidade tem buscado diversificar a produção, incorporando leite e derivados ao seu portfólio.

Esses casos mostram que a relação entre população e rebanho pode ser um indicativo de gestão eficiente, sobretudo quando o número de animais não supera drasticamente a capacidade de suporte da terra.

A realidade do gado nas áreas urbanas do Espírito Santo

A Região Metropolitana de Vitória, apesar de ser a mais urbanizada do estado, ainda apresenta números surpreendentes. São cerca de 24 habitantes para cada bovino, considerando 85.079 animais e 2.053.916 moradores.

Na capital, Vitória, a proporção é ainda mais baixa: apenas um bovino para cada 2.890 habitantes. Com 119 animais e 343.935 residentes, a cidade tem o menor rebanho per capita do estado, reflexo da alta densidade urbana.

Vila Velha, segunda maior cidade do ES, possui 510.512 habitantes e 7.936 cabeças de gado, o que equivale a 64 pessoas por animal. O município tem políticas de controle de pastagens dentro dos limites urbanos para evitar conflitos de uso de terra.

Cariacica segue a mesma lógica, com 376.914 habitantes e 6.672 bovinos, resultando em 56 habitantes por cabeça de gado. A administração local incentiva a criação de pequenos sítios familiares nos perímetros da cidade.

Na Serra, a proporção é de 31 habitantes para cada bovino (586.901 pessoas e 18.764 animais). O município tem investido em programas de integração lavoura-pecuária para otimizar a produção.

Guarapari, conhecida pelas praias, ainda mantém 22.202 cabeças de gado para 137.659 habitantes, o que corresponde a seis pessoas por animal. O turismo e a pecuária coexistem, gerando oportunidades de turismo rural.

Viana, com 79.611 moradores e 17.126 bovinos, tem uma proporção de cinco habitantes por cabeça de gado. A cidade tem implementado projetos de manejo rotativo para preservar o solo.

Fundão apresenta a menor relação entre população e gado nas áreas urbanas, com 1,5 habitante para cada animal (18.941 pessoas e 12.260 bovinos). O município tem explorado a agroindústria para agregar valor ao rebanho.

No conjunto, o Espírito Santo registra uma média de um bovino para cada dois habitantes, totalizando 2.164.541 animais e 4.150.692 pessoas, segundo os dados de 2026 do IBGE. Essa proporção evidencia a relevância da pecuária na composição econômica e social do estado.

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