Um levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego indica que os afastamentos por ludopatia cresceram 438% entre 2023 e 2025, com benefícios concedidos pelo INSS em todo o país. O aumento foi registrado de 67 beneficiários em 2023 para 361 em 2025, segundo dados da Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho.
Crescimento alarmante dos afastamentos
Os números revelam uma escalada sem precedentes de casos de incapacidade temporária associados ao vício em jogos de azar. O salto de quase cinco vezes o número de beneficiários evidencia um problema de saúde pública ainda pouco reconhecido. Especialistas apontam que a facilidade de acesso a plataformas digitais pode ter potencializado esse crescimento.
Além do aumento percentual, a concentração dos afastamentos se deu em um curto intervalo de tempo, indicando que a dependência se desenvolve rapidamente. O Ministério destaca que o acompanhamento médico é essencial para evitar complicações mais graves.
Perfil dos trabalhadores afetados
Os dados apontam que a maioria dos afastados são homens, representando 71% dos casos. A faixa etária mais vulnerável situa‑se entre 30 e 39 anos, um período em que a pressão profissional costuma ser alta.
Essa demografia sugere que fatores como estresse no trabalho e disponibilidade de tempo livre podem favorecer o engajamento em apostas online. Mulheres também foram afetadas, embora em menor proporção, e merecem atenção nas políticas de prevenção.
O estudo indica ainda que a maioria dos beneficiários reside em regiões metropolitanas, onde o acesso à internet de alta velocidade é mais comum. Essa conexão facilita a prática de apostas em sites e aplicativos.
Impacto setorial e medidas governamentais
O setor de serviços lidera os afastamentos, respondendo por 54% dos casos, seguido pela indústria (23%) e comércio (20%). Outras atividades somam apenas 2,8%, demonstrando que a dependência não se restringe a um único segmento econômico.
Em resposta ao aumento, o governo federal reforçou a proibição de sites e aplicativos de apostas, medida que entrou em vigor em 6 de outubro após veto presidencial à MP 1.394. A iniciativa visa reduzir a oferta de jogos de azar e proteger a saúde mental da população.
A subsecretária Paula Montagner enfatizou que a restrição é crucial para a recuperação psicológica dos brasileiros. “Os poucos dados disponíveis são claros em relação ao vício que os jogos criam. Precisamos afastar essa ameaça da vida de crianças, adolescentes e adultos em todas as regiões do país”, declarou.
Além da proibição, o Ministério do Trabalho recomenda a implantação de programas de apoio psicológico nas empresas, sobretudo nos setores mais afetados. A ideia é oferecer acompanhamento precoce e evitar que o problema evolua para incapacidade temporária.
Especialistas sugerem ainda campanhas de conscientização que expliquem os riscos do jogo excessivo e orientem sobre canais de ajuda. O objetivo é desestigmatizar a busca por tratamento e facilitar o acesso a recursos de saúde.
- Vigilância contínua dos indicadores de afastamento;
- Parcerias entre INSS e serviços de saúde mental;
- Treinamento de gestores para identificar sinais de ludopatia;
- Ampliação de linhas de apoio telefônico e digital.
O aumento dos afastamentos também tem repercussões econômicas, pois a perda de produtividade impacta o PIB. Empresas que investem em prevenção podem reduzir custos associados a licenças médicas.
Analistas apontam que a tendência pode se intensificar se a regulamentação das apostas não for acompanhada de medidas efetivas de controle. A legalização parcial, sem mecanismos de proteção, pode gerar novos desafios.
Por outro lado, alguns setores defendem que a regulamentação poderia gerar arrecadação e recursos para programas de saúde. O debate continua no Congresso, que tem até 120 dias para decidir sobre a MP.
Enquanto isso, trabalhadores que já enfrentam dificuldades relacionadas ao vício são encorajados a procurar o INSS e solicitar avaliação médica. O benefício de incapacidade temporária pode ser fundamental para a recuperação.
Os números também ressaltam a necessidade de pesquisas mais aprofundadas sobre ludopatia no contexto laboral. Dados mais robustos permitem políticas públicas mais precisas e eficazes.
Em síntese, o cenário aponta para um problema emergente que requer ação coordenada entre governo, empresas e sociedade civil. A combinação de proibição, prevenção e tratamento pode reverter a tendência de crescimento dos afastamentos.








