Em 24 de outubro de 2026, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro divulgou nota pública contestando o indiciamento realizado pela Polícia Federal, que aponta fraudes nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O comunicado foi emitido em Brasília, onde o caso tem sido acompanhado de perto por autoridades judiciais e pelo público interessado em questões bancárias.
Defesa de Vorcaro questiona a legalidade do indiciamento
A equipe jurídica de Vorcaro descreveu o indiciamento como “frágil e absurdo”, ressaltando que as conclusões da Polícia Federal se baseiam em leitura seletiva de mensagens e em hipóteses ainda não comprovadas tecnicamente. Segundo os advogados, o relatório foi apresentado antes da conclusão das perícias e das análises de documentos essenciais.
Os procuradores da PF reconheceram que ainda faltam exames periciais, que parte do material apreendido não foi analisada e que pessoas-chave não foram ouvidas. Essa situação, segundo a defesa, caracteriza um ato “açodado e afoito”, que antecipa conclusões antes da finalização da investigação.
Argumentos sobre a inexistência de prejuízo ao BRB
Um dos pontos centrais da defesa é a afirmação de que não houve prejuízo ao BRB nas negociações envolvendo as carteiras da Tirreno. O negócio foi interrompido, e as carteiras foram substituídas por outros ativos, gerando, segundo a defesa, resultados positivos para o Banco de Brasília.
Os números citados no relatório da PF provêm da petição inicial de uma ação indenizatória movida pelo próprio BRB, que é parte interessada. A defesa destaca que a Polícia Federal ainda não teve acesso ao resultado da auditoria sobre os ativos entregues em substituição.
- Negócio interrompido e substituição das carteiras
- Resultados positivos apontados pelos próprios executivos do BRB
- Ausência de perícia oficial que comprove prejuízo
Além disso, a defesa já solicitou, na esfera cível, a realização de perícia que, segundo eles, “sepultará definitivamente a narrativa fantasiosa de fraude”.
Acusações de lavagem de dinheiro ainda sem análise concreta
O relatório da PF imputa ao banqueiro a prática de lavagem de capitais, porém registra que a análise bancária, fiscal e patrimonial ainda está pendente. Não há, até o momento, evidência de rastreamento dos fluxos financeiros que comprovem a suposta ocultação de recursos.
Os advogados argumentam que a imputação de lavagem de dinheiro se baseia em conjecturas e não em provas concretas, já que a investigação ainda não concluiu a etapa de identificação de eventual proveito econômico.
Pedidos de arquivamento e revogação da prisão preventiva
Com base na ausência de prova técnica de fraude ou prejuízo, a defesa requer o arquivamento do inquérito nº 5026/STF e a revogação da prisão preventiva de Vorcaro, que permanece detido desde março de 2026. Eles defendem que o direito de responder em liberdade deve ser garantido, especialmente diante da fragilidade das acusações.
O pedido inclui ainda a solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF) de conceder mais 60 dias para a continuação das investigações, mas sem que isso implique em novas restrições à liberdade do acusado.
Em resumo, a defesa de Daniel Vorcaro sustenta que o indiciamento foi precipitado, que não há prejuízo comprovado ao BRB, que as acusações de lavagem de dinheiro carecem de evidência e que a prisão preventiva viola princípios básicos do direito de defesa.
O caso segue em aberto, e a comunidade jurídica acompanha de perto os próximos desdobramentos, que podem definir não apenas o futuro de Vorcaro, mas também precedentes importantes para investigações de fraudes bancárias no Brasil.








