Na manhã da última quarta‑feira, 28 de junho, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta aberta ao chegar em Miami e, ao mesmo tempo, provocou um debate inesperado ao usar um brasão incorreto. O erro chamou atenção porque o símbolo apresentado não corresponde ao modelo oficial em vigor desde 1971.
Erro no brasão e sua origem histórica
O brasão que apareceu na primeira versão da carta mostrava o escudo que esteve em uso até 1968, período marcado pela ditadura militar. Além disso, a legenda central trazia a expressão “Estados Unidos do Brazil”, nome adotado entre 1889 e 1967, antes da Constituição de 1967 mudar a denominação para República Federativa do Brasil.
A grafia com “z” em “Brazil” também estava presente, embora a forma correta – “Brasil” com “s” – tenha sido oficializada no início da década de 1930. Esse detalhe, embora sutil, evidencia a falta de revisão cuidadosa do material antes da sua publicação.
- Brasão usado até 1968: símbolo da República durante a maior parte da ditadura.
- Nome oficial entre 1889‑1967: “Estados Unidos do Brazil”.
- Alteração da grafia de “Brazil” para “Brasil” na década de 1930.
Essas incongruências não são apenas questões formais; elas tocam na identidade nacional e na memória institucional do país, gerando críticas de historiadores, juristas e do público em geral.
Reação e correção da carta aberta
Logo após a divulgação, o jornalista Paulo Figueiredo, responsável por encaminhar a carta à imprensa, enviou uma segunda versão contendo o brasão correto. O documento atualizado passou a exibir o escudo definido pela Constituição Federal de 1988, que reconhece as armas nacionais como um dos símbolos da República.
O artigo 13, § 1º da Constituição estabelece que a bandeira, o hino, as armas e o selo são símbolos oficiais. Assim, qualquer uso público desses elementos deve obedecer ao desenho legalmente aprovado.
Além da correção visual, a nova versão da carta também retirou a legenda “Estados Unidos do Brazil”, substituindo‑a por “República Federativa do Brasil”, em conformidade com a nomenclatura atual.
- Constituição de 1988 – Art. 13, § 1º: define os símbolos da República.
- Primeira versão da carta – contém brasão antigo e nome desatualizado.
- Segunda versão – apresenta brasão correto e nomenclatura atual.
Especialistas em comunicação apontam que o incidente evidencia a importância de um processo de revisão editorial rigoroso, sobretudo quando documentos oficiais são divulgados em plataformas digitais de amplo alcance.
Contexto legal dos símbolos nacionais
A legislação que regula o brasão brasileiro sofreu várias alterações ao longo das décadas. A Lei nº 5.443, de 28 de maio de 1968, retirou o antigo escudo da lista de símbolos oficiais, enquanto a Lei nº 5.700, de 1º de setembro de 1971, instituiu o modelo vigente até hoje, com pequenas modificações posteriores, como a atualização de 1992.
O texto da Lei de 1971 descreve detalhadamente o escudo: campo azul‑celeste, cinco estrelas de prata formando a constelação do Cruzeiro do Sul, bordadura dourada, espada, coroa de ramos de café e fumo, e a inscrição “República Federativa do Brasil” acompanhada das datas “15 de novembro” e “1889”.
Esses elementos simbólicos representam a história da nação, a soberania e os recursos naturais que marcaram o desenvolvimento do país. Por isso, a precisão na reprodução do brasão é exigida não só por questões legais, mas também por respeito ao patrimônio simbólico.
- Lei nº 5.443/1968 – elimina o brasão anterior.
- Lei nº 5.700/1971 – estabelece o brasão atual.
- Alteração de 1992 – ajustes menores na descrição do escudo.
O artigo 8º da Lei de 1971 traz a descrição completa do brasão, detalhando cores, materiais e inscrições. Essa especificação serve como referência para órgãos públicos, instituições educacionais e empresas que utilizam o símbolo em materiais oficiais.
Ao publicar um documento com o brasão errado, Flávio Bolsonaro acabou por gerar um debate que vai além de uma simples falha gráfica. O episódio reforça a necessidade de alinhamento entre comunicação política e normatização jurídica, sobretudo em um cenário onde imagens circulam rapidamente nas redes sociais.
Em síntese, a situação ilustra como pequenos deslizes podem se transformar em grandes discussões públicas, lembrando a todos os agentes de comunicação que a atenção aos detalhes é fundamental para preservar a credibilidade institucional.








