Na manhã de 12 de outubro de 2026, cerca de 200 representantes de diferentes setores se reuniram no Centro Municipal de Educação Adamastor, em Guarulhos, para dar o pontapé inicial ao processo de construção coletiva do Plano Municipal de Convivência Familiar e Comunitária de Crianças e Adolescentes. O evento marcou o início de uma série de ações que visam transformar o diagnóstico situacional em políticas públicas integradas, garantindo o direito à convivência segura e saudável para a infância e a juventude da cidade.
Diagnóstico e eixos temáticos
O diagnóstico, elaborado a partir de pesquisas realizadas entre abril e setembro de 2026, está estruturado em cinco eixos temáticos que orientam todo o plano. Cada eixo reúne demandas específicas e permite a articulação entre diferentes áreas da gestão municipal.
- Promoção da convivência familiar e comunitária
- Prevenção de situações de vulnerabilidade e risco
- Serviços de acolhimento
- Retorno à convivência familiar
- Adolescência e juventude
Essa divisão facilita a identificação de desafios que atravessam políticas de assistência social, educação, saúde, cultura, esporte, lazer, habitação e mobilidade. Ao reconhecer a transversalidade das questões, o plano reforça a necessidade de uma atuação coordenada entre secretarias e órgãos municipais.
Participação e grupos de trabalho
A partir da próxima semana, a cidade iniciará os Grupos de Trabalho, organizados em torno dos cinco eixos. Cada grupo contará com profissionais, gestores e representantes da sociedade civil, que discutirão experiências de outras cidades e construirão propostas específicas para Guarulhos.
Os encontros terão formato participativo, com sessões de escuta, dinâmicas de cocriação e apresentações de casos de sucesso. O objetivo é garantir que as decisões reflitam a realidade vivida por crianças, adolescentes, famílias e comunidades.
Além dos grupos permanentes, será aberta uma consulta pública online e presencial, permitindo que cidadãos enviem sugestões, críticas e ideias. Essa etapa ampliará a participação social e assegurará transparência ao processo.
Resultados preliminares e próximos passos
Os primeiros resultados do diagnóstico revelam números expressivos: 1.700 jovens responderam a questionários, 872 pais, mães ou responsáveis participaram das entrevistas, e 206 profissionais contribuíram com suas percepções. As respostas apontam para áreas críticas como acesso a espaços de lazer, qualidade das redes de apoio e vulnerabilidade em contextos de violência doméstica.
Foram realizadas 13 oficinas com crianças e adolescentes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV). Nessas sessões, os jovens compartilharam suas experiências familiares, percepções sobre o território e expectativas em relação aos espaços públicos.
O levantamento também identificou 111 crianças e adolescentes atualmente acolhidos, distribuídos em 63 grupos familiares. Essa informação será crucial para definir estratégias de retorno à convivência familiar, assegurando acompanhamento psicossocial e apoio econômico às famílias.
Com os dados em mãos, a Comissão Intersetorial para Elaboração do Plano iniciará a sistematização das propostas. O documento final está previsto para ser lançado em março de 2027, após revisão técnica, validação pelos conselhos municipais e aprovação pela Câmara de Vereadores.
Impacto esperado para crianças e adolescentes
O plano tem como meta principal criar condições para que todas as crianças e adolescentes de Guarulhos possam desenvolver vínculos afetivos sólidos, participar ativamente da vida urbana e crescer com proteção, dignidade e oportunidades. Entre as metas de curto prazo, destacam-se a ampliação de espaços de convivência seguros, a criação de programas de prevenção ao abuso e a melhoria dos serviços de acolhimento.
No médio prazo, espera‑se reduzir em 20% os casos de crianças em situação de risco, aumentar em 15% a taxa de retorno à convivência familiar e fortalecer as redes de apoio comunitário, integrando escolas, unidades de saúde e centros culturais.
Para alcançar esses objetivos, o plano prevê investimentos em infraestrutura (reforma de praças, construção de centros de atenção psicossocial), capacitação de profissionais (formação em escuta qualificada e mediação de conflitos) e campanhas de sensibilização (educação sobre direitos da criança e do adolescente).
O acompanhamento será feito por meio de indicadores mensuráveis, como número de atendimentos realizados, taxa de reincidência de vulnerabilidade e nível de satisfação da população. Relatórios trimestrais serão publicados no portal da prefeitura, garantindo transparência e permitindo ajustes ao longo do caminho.
Em síntese, a construção coletiva do Plano Municipal de Convivência Familiar e Comunitária representa uma oportunidade única de transformar conhecimento em ação, consolidando Guarulhos como referência nacional em políticas integradas para a infância e a juventude.
O sucesso do plano dependerá da continuidade do engajamento de todos os atores envolvidos – poder público, sociedade civil, famílias e, sobretudo, as próprias crianças e adolescentes que terão suas vozes ouvidas e seus direitos garantidos.








