Chico Lobo apresenta ao público o seu 36º álbum, “Recibo de violeiro”, que chega às lojas nesta sexta‑feira, 30 de outubro, pela gravadora Kuarup. O disco, disponível também em formato físico de CD, reúne toadas, folias, batuques, modões e até incursões ao rock e à bossa nova. O lançamento reforça a ligação do violeiro mineiro com as raízes rurais e com a cena musical contemporânea.
Três décadas de trajetória musical
Trinta anos depois de gravar o primeiro álbum solo, “No braço dessa viola”, em 1996, Chico Lobo segue firme na missão de registrar a cultura do interior. A carreira do artista começou em 1981, quando subiu ao palco do Teatro Municipal de São João Del‑Rei como integrante do Grupo Mutirão. Desde então, ele tem percorrido festivais, feiras e palcos de todo o Brasil, mantendo viva a tradição da viola caipira.
Ao longo desses anos, Lobo acumulou mais de três décadas de experiência como cantador, compositor e violeiro. Essa bagagem se reflete na variedade de estilos presentes em “Recibo de violeiro”. Cada faixa traz uma narrativa distinta, mas todas compartilham o mesmo objetivo: mapear musicalmente o Brasil rural.
Colaborações que enriquecem o disco
Um dos pontos altos do álbum são as parcerias com artistas de diferentes gêneros. Chico Lobo reúne nomes que vão da MPB ao rock, passando pela música popular nordestina. Essa pluralidade cria um mosaico sonoro que amplia o alcance da viola tradicional.
Entre os convidados, destacam‑se:
- Fernanda Takai – voz e violão em “Goiabada com queijo”.
- Grupo Mutirão – presença marcante no batuque de viola “Batuquinho”.
- Humberto Gessinger – colaboração em “Recibo de violeiro”, trazendo sua experiência no rock.
- Jane Duboc – duetos em “Águas do meu amor”, abordando temáticas ecológicas.
- John Ulhoa – coautoria e canto em “Goiabada com queijo”.
- Zeca Baleiro – participação em “Coração de sertãozinho”, descrevendo Lobo como “mapeador musical do Brasil”.
Essas colaborações não são meras adições; elas são fundamentais para construir a ponte entre o passado rural e as influências urbanas que permeiam a obra de Chico Lobo.
Mistura de ritmos e tradições
“Recibo de violeiro” apresenta dez músicas autorais que atravessam diferentes estilos. O álbum abre com “Cantar é um dom maior”, um samba rural que celebra a força da voz. Em seguida, “Viola do tempo”, parceria com o poeta gaúcho Carlos Di Jaguarão, traz um modão de viola que exalta a passagem do tempo.
Um dos momentos mais surpreendentes do disco ocorre em “Seu olhar”, onde a toada rural recebe o toque suave da bossa nova, graças à voz e ao piano de Leila Pinheiro. Essa fusão demonstra a capacidade de Lobo de dialogar com diferentes linguagens sem perder a identidade da viola.
Outras faixas, como “A manteiga e o pão”, mantêm a toada romântica tradicional, enquanto “Goiabada com queijo” incorpora elementos de folk e rock, refletindo a influência de John Ulhoa. Já “Batuquinho”, com a participação do Grupo Mutirão, destaca o batuque de viola, trazendo energia contagiante ao álbum.
A música‑título, “Recibo de violeiro”, mergulha no rock rural, com a presença de Thales Martinez e Humberto Gessinger, que adicionam guitarras elétricas e arranjos mais pesados. Por fim, “Águas do meu amor”, em parceria com Jane Duboc, aborda a luta ecológica através de uma toada que combina lirismo e protesto.
Homenagem ao Grupo Mutirão e ao legado rural
O álbum é dedicado ao Grupo Mutirão, a formação que marcou a estreia de Chico Lobo no cenário musical. A homenagem simboliza um ciclo completo: 45 anos após o primeiro concerto, o artista celebra a amizade e a influência que o grupo exerceu sobre sua trajetória.
Ao longo das faixas, há referências diretas a momentos vividos com o Mutirão, como o batuque de “Batuquinho” e a energia das folias de reis em “Na companhia de bichos”. Essas alusões reforçam o vínculo entre o passado e o presente, mostrando que a tradição pode ser reinterpretada sem perder sua essência.
Com a direção musical de Ricardo Gomes, produtor que acompanha Lobo desde 2016, o álbum ganha coesão e qualidade sonora. Gomes equilibra os diferentes timbres, garantindo que a viola, o piano, as guitarras e os percussivos converjam em um som harmonioso.
“Recibo de violeiro” não é apenas um disco; é um documento cultural que registra a riqueza do interior de Minas e do Brasil. Ao mapear ritmos, histórias e paisagens, Chico Lobo oferece ao ouvinte um convite para viajar por estradas de terra, festas de reisado e encontros de rock rural.
O lançamento já está gerando expectativa nas redes sociais, com fãs ansiosos para ouvir as novas interpretações da viola caipira. A combinação de tradição e inovação promete atrair tanto o público que acompanha Lobo há décadas quanto novas gerações interessadas em descobrir a música do interior.








