Jotabê, compositor pouco conhecido fora dos círculos do samba, celebra nesta sexta‑feira o 50º aniversário do clássico “Malandro” com um show especial no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. O evento reúne músicos de renome e promete reviver a história da parceria que marcou a MPB nas décadas de 1970 e 1980. A apresentação também coincide com a comemoração dos 80 anos de vida do artista.
O início da parceria entre Jotabê e Jorge Aragão
Nos anos de 1976 a 1983, João Batista Alcântara, conhecido artisticamente como Jotabê, trabalhou lado a lado com Jorge Aragão, então integrante do Fundo de Quintal e futuro ícone solo. Apesar de sua contribuição decisiva para vários sucessos, Jotabê permaneceu à sombra do vocalista, recebendo poucos créditos públicos.
A colaboração começou quando ambos foram convidados para gravar o samba “Malandro”, que viria a ser registrado por Elza Soares em 1976. Jotabê, então com 30 anos, trouxe à composição a sensibilidade melódica que complementava a letra de Aragão, criando um dueto criativo que ainda hoje é estudado em escolas de música.
A história do samba ‘Malandro’ e sua trajetória
Embora a gravação de Elza Soares tenha lançado o samba ao grande público, a obra foi composta oito anos antes, em 1968, por Aragão e Jotabê. O ritmo contagiante e a letra que descreve a astúcia do malandro carioca capturaram a essência da boemia da zona norte, tornando‑se um hino não oficial da cidade.
Ao longo dos anos, “Malandro” foi regravado por diversos artistas, mas a versão de 1976 permanece a mais emblemática, marcando a consolidação da parceria entre os dois compositores. A canção abriu portas para outras colaborações, como “Cabelo pixaim” (1977) e “Logo agora” (1979), que também foram incluídas no repertório de Aragão.
O espetáculo ‘Malandro 50 anos – Jotabê convida’
Direto do Teatro Rival, o show “Malandro 50 anos – Jotabê convida” foi idealizado por Marcos Salles, que assumiu a direção e o roteiro. O programa conta com a participação do grupo Samba e Água Fresca, além de artistas convidados como Bia Ferraz, Marquinho China, Wanderley Monteiro e Weber Werneck.
Michel Sapienza, responsável pela direção musical, cuidou dos arranjos que mesclam o samba tradicional com influências contemporâneas, proporcionando ao público uma experiência sonora única. O espetáculo também inclui momentos de homenagem a outros compositores que trabalharam com Jotabê, como Marquinhos China, Sombrinha e o próprio Wanderley Monteiro.
Durante a apresentação, Jotabê relembra sua trajetória como compositor, destacando as canções que marcaram sua carreira:
- Cabelo pixaim (1977)
- Logo agora (1979)
- Bar da esquina (1980)
- Leva e traz (1981)
- Má intenção (1981)
- Pedaço de ilusão (1981)
- Meu pensamento (1983)
Cada música é acompanhada por histórias pessoais do artista, revelando curiosidades sobre o processo criativo e os bastidores das gravações. O público tem a oportunidade de ouvir versões inéditas e arranjos exclusivos, criados especialmente para a ocasião.
O legado e a celebração dos 50 anos
Além de comemorar o aniversário do samba, o evento serve como um marco para reconhecer a importância de compositores que, embora pouco divulgados, foram fundamentais para o desenvolvimento da música popular brasileira. Jotabê, que nasceu em Santa Cruz, zona oeste do Rio, demonstra que talento e dedicação podem permanecer ocultos por décadas, mas ainda assim influenciar gerações.
O show também coincide com a celebração dos 80 anos de vida de Jotabê, reforçando a ideia de que a arte pode ser celebrada em todas as fases da existência. A plateia, composta por fãs de longa data e novos admiradores, reage com entusiasmo, confirmando que o legado do compositor continua vivo.
Com a mídia local cobrindo o evento e as redes sociais amplificando os momentos mais marcantes, a repercussão promete ultrapassar os limites do Rio de Janeiro, levando a história de Jotabê a um público nacional e internacional. A iniciativa demonstra como projetos culturais podem resgatar narrativas esquecidas e transformar o reconhecimento em celebração coletiva.
Ao final da noite, Jotabê agradece ao público e aos músicos, reforçando seu compromisso de continuar compondo e colaborando com novos talentos. O espetáculo encerra com uma versão especial de “Malandro”, cantada em coro pelos convidados, simbolizando a união de gerações e a perenidade do samba.








