Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, declarou que compreende a decisão do senador de viajar ao exterior com a família, embora não tenha sido oficialmente informado sobre o itinerário. A fala ocorreu na manhã de segunda‑feira, logo após surgirem notícias de que o candidato teria deixado o país. O comentário foi feito em Brasília, durante entrevista concedida a repórteres que cobrem a política nacional.
Entendimento da saída do senador
Marinho afirmou que, apesar de não concordar plenamente, aceita a possibilidade de Flávio ter saído do Brasil acompanhado de seus familiares. Segundo ele, a compreensão decorre de circunstâncias pessoais que ainda não foram detalhadas publicamente.
Ele ressaltou que a decisão de viajar não foi comunicada oficialmente ao seu círculo de campanha, o que gerou surpresa entre os assessores. Essa falta de comunicação, segundo o coordenador, pode indicar uma tentativa de preservar a privacidade do senador diante de um cenário político tenso.
O coordenador destacou que o apoio popular obtido por Flávio no segundo turno, próximo a 60 milhões de votos, cria expectativas sobre seu papel futuro na oposição a Lula. Por isso, a saída inesperada do candidato levanta dúvidas sobre a continuidade de sua liderança.
Comunicação e últimos contatos
De acordo com Marinho, a última mensagem trocada entre ele e Flávio ocorreu pela manhã, quando o senador informou que iria descansar. Após esse breve contato, não houve mais intercâmbio de informações entre os dois.
O coordenador explicou que, ao não receber atualizações, ficou impossibilitado de confirmar a localização exata do aliado. Essa ausência de comunicação alimentou especulações na imprensa e entre os apoiadores.
Para ilustrar a sequência de eventos, segue um resumo dos principais momentos:
- Manhã de segunda‑feira: mensagem de Flávio indicando que iria descansar.
- Imediatamente após: ausência de novos contatos entre Marinho e o senador.
- Horas depois: surgimento de notícias sobre a viagem ao exterior.
Esses fatos reforçam a percepção de que a saída não foi planejada em conjunto com a equipe de campanha.
Reação ao bloqueio judicial
Marinho criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a entrega dos passaportes de Flávio à Polícia Federal e proibiu sua saída do país. O coordenador classificou a medida como “persecutória”, argumentando que ela foi adotada logo após a eleição.
Ele apontou que a investigação envolvendo uma conta vinculada ao advogado Willer Tomaz não está diretamente relacionada ao senador, o que, segundo ele, enfraquece a base da apuração. Essa argumentação busca deslegitimar a ação judicial.
Além disso, Marinho citou casos de brasileiros que residem no exterior e enfrentam processos judiciais no Brasil, sugerindo que as sanções aplicadas ao senador são desproporcionais. Ele comparou a situação a sentenças que, em sua visão, não condizem com a gravidade dos fatos.
Para reforçar seu ponto de vista, o coordenador enumerou alguns argumentos:
- Falta de evidência direta ligando Flávio à conta investigada.
- Procedimento adotado rapidamente após a eleição, sugerindo motivação política.
- Comparação com precedentes de brasileiros no exterior que não tiveram restrições semelhantes.
Essas considerações foram apresentadas como base para solicitar a revisão da decisão judicial.
Contexto político e implicações
O cenário político atual coloca Flávio Bolsonaro como um dos principais nomes da oposição, especialmente após a expressiva votação no segundo turno. Sua ausência física do país pode impactar a estratégia de mobilização dos apoiadores.
Marinho enfatizou que a liderança da oposição ainda pode ser exercida à distância, mas reconheceu que a presença em território nacional facilita a articulação com outras figuras do bloco conservador.
Ele também alertou que a decisão de Moraes pode gerar precedentes para futuras restrições a candidatos que enfrentam investigações, o que, segundo o coordenador, poderia ser usado como ferramenta de pressão política.
Ao analisar o futuro da campanha, Marinho sugeriu que a equipe deve concentrar esforços em manter a coesão interna e em reforçar a narrativa de que a perseguição judicial é parte de uma estratégia para desestabilizar a oposição.
Em síntese, o coordenador de campanha demonstra compreensão pessoal da decisão de Flávio de viajar, mas mantém firme a crítica ao bloqueio judicial, apontando para possíveis impactos na dinâmica política nacional.








