A Giga+, antiga Alloha Fibra, confirmou que manteve conversas com a Sky nos últimos meses sobre uma possível operação de fusão e aquisição. O comunicado foi divulgado nesta semana, após solicitação da B3 e divulgação de reportagem do Grupo Estado. As negociações apontam para a criação de um novo player de fibra óptica no Brasil.
Negociações e posicionamento no mercado
Segundo o comunicado oficial, as discussões foram iniciadas no primeiro trimestre de 2024 e continuam em andamento, sem que nenhuma decisão final tenha sido tomada até o momento. A empresa deixou claro que não houve assinatura de acordo vinculante, nem compromisso formal que impeça outras oportunidades estratégicas.
O foco das conversas está na combinação das operações de banda larga da Giga+ com a Zaaz, operadora de fibra da Waiken ILW, controladora da Sky. Caso a operação se concretize, o novo conglomerado deverá contar com cerca de 1,91 milhão de acessos, o que o posicionaria como a quarta maior provedora de internet fixa do país.
Atualmente, as principais operadoras de fibra no Brasil são Claro, Vivo e a Nio – empresa que assumiu a base de clientes da Oi. Abaixo, segue a classificação estimada dos maiores players, com base nos dados de agosto de 2024:
- Claro – mais de 5 milhões de acessos
- Vivo – aproximadamente 4,2 milhões de acessos
- Nio – cerca de 2,3 milhões de acessos
- Potencial Sky + Giga+ – 1,91 milhão de acessos
- Brisanet – 1,58 milhão de acessos
Além do volume de assinantes, a fusão ampliaria a presença geográfica das duas redes, que juntas já operam em 1.110 cidades e lideram em 173 municípios. A sobreposição atual de infraestrutura ocorre em apenas 123 cidades, o que indica grande margem para sinergias operacionais.
Impactos financeiros e estratégicos
A Giga+ registrou uma queda de 16,5% em sua base de acessos no período de 12 meses encerrado em agosto, enquanto a Sky e a Zaaz apresentaram crescimento de 47,7% no mesmo intervalo. Essa divergência cria um cenário propício para que a Giga+ recupere participação de mercado por meio da aliança.
Do ponto de vista financeiro, a combinação pode gerar economias de escala significativas, reduzindo custos de manutenção de rede, otimização de compras de equipamentos e racionalização de equipes administrativas. Os principais benefícios esperados incluem:
- Redução de custos operacionais em até 15% no primeiro ano.
- Ampliação da capacidade de investimento em upgrades de tecnologia, como GPON e FTTH.
- Maior poder de negociação com fornecedores de equipamentos e serviços de backhaul.
- Possibilidade de oferta de pacotes convergentes (fibra + móvel + satélite).
Além disso, a fusão pode melhorar a alocação de capital da Giga+, permitindo que recursos antes destinados à expansão de rede sejam redirecionados para iniciativas de inovação, como serviços de nuvem e segurança digital para clientes residenciais e empresariais.
Perspectivas futuras e concorrência
A Sky não está focada apenas no mercado de fibra; a empresa também lançou a Sky Móvel, operadora virtual (MVNO) que utiliza a rede da Surf Telecom, e planeja introduzir o Sky Link, um serviço de internet via satélite que pretende competir diretamente com a Starlink.
Essas iniciativas ampliam o portfólio de produtos da Sky, criando oportunidades de cross‑selling que podem ser exploradas após a eventual fusão com a Giga+. Por exemplo, clientes residenciais poderiam receber um pacote que inclui conexão de fibra de alta velocidade, serviço de telefonia móvel e acesso à internet por satélite para áreas rurais.
Do lado da concorrência, a Brisanet, atualmente na quarta posição, tem buscado fortalecer sua base por meio da aquisição da Ligga Telecom, operação que já recebeu aprovação da Anatel e do Cade, aguardando apenas liberação do Ministério das Comunicações. Caso a Ligga seja incorporada, a Brisanet adicionará centenas de milhares de acessos, intensificando a disputa entre os provedores regionais de maior porte.
Em um cenário onde a regulação do Cade tende a ser mais cautelosa, a aprovação de grandes combinações como a proposta entre Sky e Giga+ dependerá da demonstração de que a operação não reduzirá a competição em regiões críticas. A sobreposição limitada das redes em apenas 123 cidades pode ser um argumento favorável para os reguladores.
Por fim, analistas de mercado apontam que a consolidação do setor de fibra óptica no Brasil deve acelerar nos próximos anos, impulsionada pela crescente demanda por serviços de alta velocidade, trabalho remoto e consumo de conteúdo em streaming. A possível união entre Sky e Giga+ representa um passo importante nessa tendência, podendo redefinir o mapa de competição e abrir espaço para novos players que ainda não possuem escala nacional.








