No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 30 de outubro, o candidato Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, viu variações significativas em seu desempenho eleitoral em todo o país. A comparação entre os dois turnos revelou ganhos expressivos em alguns estados e perdas inesperadas em outros, alterando o panorama da disputa nacional. Este artigo detalha os números, destaca os estados mais impactados e interpreta o que esses movimentos podem indicar para o futuro político.
Variações estaduais: ganhos e perdas
Ao analisar os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, constata‑se que Flávio Bolsonaro aumentou a votação em 20 unidades da federação e no Distrito Federal, enquanto registrou queda em seis estados. O aumento ou a diminuição são medidos em números absolutos, ou seja, a diferença de votos entre o primeiro e o segundo turno.
Os estados onde a votação diminuiu são:
- Acre
- Amapá
- Roraima
- Maranhão
- Amazonas
- Tocantins
Já os lugares que registraram crescimento incluem:
- São Paulo
- Minas Gerais
- Paraná
- Rio Grande do Sul
- Goiás
- Distrito Federal
- Outros 14 estados
É importante notar que a simples diferença de votos não indica a origem desses eleitores, nem permite atribuir a transferência a um candidato específico. O que se observa, porém, é a dinâmica de mobilização e a capacidade de manter ou ampliar a base de apoio em diferentes regiões.
Os estados com maior aumento de votos
São Paulo liderou o ranking de ganho absoluto, adicionando 1.217.155 votos ao total obtido no primeiro turno. Esse salto representa um incremento de aproximadamente 12,5 % sobre a votação anterior, reforçando a importância do eleitorado paulista para a estratégia do candidato.
Minas Gerais e Paraná também apresentaram aumentos relevantes, contribuindo para que o candidato superasse a marca dos 59 milhões de votos no segundo turno. Em Minas Gerais, embora o número tenha subido, o candidato acabou ficando atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, que conquistou 50,43 % dos votos válidos naquele estado.
Goiás destacou‑se pelo maior crescimento proporcional entre todos os estados, com um salto de 14,30 % – de 2.051.888 para 2.345.334 votos. Esse desempenho foi acompanhado por um aumento semelhante no Distrito Federal, onde a votação subiu de 1.100.000 para 1.250.000 votos, reforçando a presença do PL na região central do país.
Além desses, Rio Grande do Sul e o próprio Distrito Federal completam o top‑5 dos maiores ganhos, sinalizando que a campanha conseguiu mobilizar eleitores em áreas tradicionalmente competitivas.
Os estados com maior queda e o cenário nacional
No Norte, cinco dos seis estados com perda de votos estão concentrados, evidenciando uma tendência de retração da base do candidato nessa região. O Acre registrou a maior perda absoluta – 15.092 votos – embora o candidato ainda tenha vencido o estado com 66,57 % dos votos válidos.
O Amapá sofreu a maior redução proporcional, com 13.604 votos a menos, equivalente a uma queda de 6,41 % em relação ao primeiro turno. O Amazonas e o Maranhão também apresentaram declínios, sendo que, no Maranhão, a maioria dos eleitores acabou optando por Lula no segundo turno.
No panorama nacional, incluindo o voto no exterior, Flávio Bolsonaro totalizou 59.826.041 votos, correspondendo a 48,21 % dos válidos. Seu adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79 %.
Esses números revelam que, apesar dos ganhos expressivos em estados-chave, a perda de votos em regiões do Norte e Nordeste impediu que o candidato alcançasse a maioria necessária para vencer. A análise sugere que a estratégia de consolidação de apoio ainda depende de fortalecer a presença em áreas onde a queda foi mais acentuada.
Em conclusão, o segundo turno de 2026 trouxe um panorama de contrastes: expansão significativa em áreas de maior densidade populacional e retração em regiões menos povoadas, mas politicamente estratégicas. O resultado final reforça a importância de uma campanha que equilibre a mobilização de eleitores tradicionais com a conquista de novos apoiadores, sobretudo em estados onde a perda de votos pode indicar desafios de comunicação ou de percepção da candidatura.








