Neste domingo, 25 de outubro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, discursaram no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, para defender as urnas eletrônicas e lançar um apelo à pacificação nacional. As declarações ocorreram diante do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, e marcaram um momento crucial para a democracia brasileira, que se prepara para as eleições de 2026.
Defesa das urnas eletrônicas e seus benefícios
Hugo Motta ressaltou que as urnas eletrônicas brasileiras completam 30 anos de operação em 2026, destacando a importância de um sistema que já provou sua eficácia ao longo de três décadas. Ele afirmou que a tecnologia adotada garante rapidez na apuração dos votos, evitando longas esperas que costumavam caracterizar processos eleitorais antigos.
Além da velocidade, o presidente da Câmara enfatizou a segurança das máquinas, que contam com criptografia avançada e mecanismos de auditoria que dificultam qualquer tentativa de fraude. Segundo Motta, a transparência do processo é reforçada por auditorias públicas realizadas antes e depois da votação.
O ministro Kassio Nunes Marques, presente no evento, corroborou a avaliação ao afirmar que o TSE tem investido continuamente em melhorias técnicas e em treinamento de operadores, garantindo que o equipamento esteja sempre alinhado às melhores práticas internacionais.
Para ilustrar os benefícios, Hugo Motta apresentou uma lista resumida dos principais atributos das urnas eletrônicas:
- Rapidez na totalização dos resultados;
- Segurança criptográfica contra invasões;
- Auditabilidade por meio de logs detalhados;
- Acessibilidade para eleitores com necessidades especiais.
Ele ainda destacou que a adoção de tecnologia digital tem permitido a inclusão de eleitores em regiões remotas, onde a logística de transporte de cédulas seria inviável. Assim, o sistema contribui para a universalização do voto, um princípio constitucional.
Por fim, Motta concluiu que a continuidade das urnas eletrônicas é essencial para manter a confiança da população no processo democrático, sobretudo em um cenário de desinformação crescente nas redes sociais.
Apelo à pacificação e responsabilidade eleitoral
Davi Alcolumbre, ao ser convidado pelo presidente do TSE, aproveitou o momento para fazer um apelo enfático à pacificação nacional, independentemente do resultado das urnas. Ele ressaltou que a democracia só se sustenta quando todos os atores políticos reconhecem a legitimidade do vencedor.
Alcolumbre lembrou que a história brasileira tem episódios de violência pós‑eleitoral e que, desta vez, a responsabilidade cabe a cada cidadão, partido e instituição. Ele pediu que o país mantenha o diálogo como ferramenta principal para resolver divergências.
O presidente do Senado enfatizou que a paz social não é apenas um desejo, mas um dever constitucional que deve ser observado por todos os poderes da República. Ele citou o artigo 1º da Constituição, que estabelece a dignidade da pessoa humana como fundamento da ordem democrática.
Para reforçar a mensagem, Alcolumbre enumerou quatro princípios que, segundo ele, devem guiar o comportamento dos eleitores e dos candidatos:
- Respeito ao voto alheio;
- Diálogo construtivo entre partidos;
- Observância rigorosa das leis eleitorais;
- Combate ativo à desinformação e às notícias falsas.
Ele ainda destacou a importância de que as forças de segurança atuem de forma imparcial, garantindo que quaisquer manifestações ocorram dentro dos limites da lei e sem intimidação. Essa postura, segundo o senador, é crucial para evitar escaladas de tensão.
Ao final, Alcolumbre conclamou a sociedade civil organizada a participar ativamente da fiscalização dos processos, reforçando que a democracia se fortalece quando o cidadão exerce seu papel de vigilante.
Cenário eleitoral: números de eleitores e candidatos
O Tribunal Superior Eleitoral informou que, neste domingo, mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar, um número histórico que reflete o crescimento demográfico e a ampliação do direito ao voto. Desses, cerca de 136 milhões são eleitores obrigatórios, enquanto aproximadamente 22 milhões têm voto facultativo.
Os eleitores obrigatórios são aqueles com idade entre 18 e 70 anos, bem como analfabetos, conforme determina a legislação vigente. Já o voto facultativo abrange jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 e analfabetos que optam por não exercer o direito.
Para facilitar a compreensão, a seguir está a distribuição dos eleitores:
- Obrigatórios: 136.2 milhões;
- Facultativos: 22.1 milhões.
A disputa presidencial apresenta como principais candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). Ambos têm histórico político marcante e comandam bases eleitorais distintas.
Lula, ex‑presidente, busca um terceiro mandato, enquanto Flávio Bolsonaro, filho do atual presidente, representa a continuidade de uma agenda conservadora. A rivalidade entre os dois nomes tem gerado intensos debates nas mídias e nas redes sociais.
Além da corrida presidencial, as eleições de 2026 também definirão governadores em seis unidades da federação, além de senadores, deputados federais e estaduais. Essa pluralidade de cargos eleva a complexidade do processo e a importância de um sistema de votação confiável.
Os analistas apontam que a combinação de um eleitorado numeroso, candidatos polarizados e a presença de urnas eletrônicas avançadas cria um cenário único, que exigirá atenção redobrada das autoridades eleitorais.
Expectativas para o futuro da democracia brasileira
Com 30 anos de uso, as urnas eletrônicas se tornaram um símbolo de modernização do processo democrático no Brasil. Contudo, especialistas alertam que a tecnologia deve ser continuamente atualizada para enfrentar novas ameaças cibernéticas.
O TSE tem anunciado investimentos em inteligência artificial para detectar padrões de fraude em tempo real, bem como a implementação de auditorias independentes por organizações da sociedade civil. Essas medidas visam consolidar ainda mais a confiança da população nas eleições.
Ao mesmo tempo, a educação cívica surge como fator essencial para garantir que os eleitores compreendam não apenas o funcionamento das urnas, mas também a importância do voto consciente. Programas nas escolas e campanhas de mídia têm sido reforçados para esse fim.
Outra expectativa é a ampliação da participação de grupos historicamente marginalizados, como pessoas com deficiência e comunidades indígenas. As urnas eletrônicas já contam com recursos de acessibilidade, mas ainda há espaço para aprimoramentos que garantam total inclusão.
Por fim, Hugo Motta e Davi Alcolumbre deixaram claro que a legitimidade das eleições depende de um pacto coletivo entre autoridades, partidos e cidadãos. A mensagem central foi que, independentemente de quem vença, o Brasil deve avançar unido, respeitando a vontade popular expressa nas urnas.
Assim, a sociedade brasileira tem diante de si a oportunidade de reafirmar seu compromisso com a democracia, utilizando ferramentas tecnológicas avançadas e cultivando um clima de paz e respeito mútuo. O futuro da nação será definido não apenas pelos resultados das urnas, mas pela capacidade de seus habitantes de conviver em harmonia, mesmo diante de divergências políticas.








