Neste domingo, 25 de outubro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro concluíram a corrida eleitoral que tem dividido o país desde o primeiro turno. A decisão final será tomada nas urnas, onde milhões de brasileiros ainda decidirão entre a continuidade do PT e a renovação da família Bolsonaro.
Cenário das pesquisas
As oito principais sondagens divulgadas na véspera da votação apontam para um empate técnico entre os dois candidatos. O Gerp registrou 52% a 48% a favor de Flávio, enquanto a Futura mostrou margem mínima de 0,02 ponto percentual, 50,1% a 49,9%.
No Datafolha e na Quaest, a vantagem de Flávio é de 51% contra 49% para Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Essa proximidade faz da eleição a mais apertada desde a redemocratização, superando o duelo de 1989 entre Collor e Lula.
- 1989: Collor 47% x Lula 44%
- 2014: Dilma Rousseff x Aécio Neves (diferença de 4 pontos)
- 2022: Lula x Jair Bolsonaro (diferença de 4 pontos)
Em todas as pesquisas, Flávio aparece ligeiramente à frente, mas a diferença nunca ultrapassa o limite de erro estatístico, o que indica que o segundo turno ainda pode mudar o panorama.
Desafios de Lula para a reeleição
Lula busca um quarto mandato, mas enfrenta obstáculos históricos. Desde 1989, nenhum candidato conseguiu reverter a derrota do primeiro turno no segundo turno, e a tendência atual aponta para a manutenção da liderança do primeiro colocado.
Segundo o Datafolha, 95% dos eleitores já definiram sua escolha, reduzindo a margem de virada para o petista. Além disso, a abstenção no primeiro turno foi recorde, com 21% da população (cerca de 33 milhões) não comparecendo às urnas.
Essa ausência tende a prejudicar Lula, pois os eleitores que deixaram de votar são, em sua maioria, idosos e de baixa renda, grupos nos quais o candidato tem maior apoio.
O governo de Lula também enfrenta baixa aprovação. Embora tenha registrado um leve aumento nos últimos dias, quase metade do eleitorado (48% segundo a Quaest) ainda desaprova sua gestão. Em 2022, Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente a não ser reeleito com 47% de desaprovação.
Mesmo com esses entraves, Lula mantém forte apoio em segmentos tradicionais:
- Mulheres
- Pobres
- Idosos
- Católicos
- Eleitorado do Nordeste (acima de 60% nas pesquisas)
Esses grupos são decisivos para a estratégia de mobilização nas urnas, especialmente se a campanha conseguir reduzir a taxa de abstenção.
Estratégias de Flávio Bolsonaro
Flávio construiu sua candidatura sobre a base política do pai, Jair Bolsonaro, que ainda exerce forte influência entre eleitores de direita. Mesmo com a prisão domiciliar de Jair, o apoio familiar foi apresentado como herança política nas urnas.
Sem alianças com outros partidos, inclusive o Centrão, Flávio contou apenas com o PL. Essa independência reforçou a imagem de candidato autônomo e consolidou a maior bancada parlamentar da história do PL, tanto na Câmara quanto no Senado.
Além do apoio familiar, Flávio capitalizou a insatisfação geral com o governo atual. A campanha enfatizou temas como insegurança, inflação e corrupção, buscando atrair eleitores desencantados com a gestão de Lula.
Para ampliar seu alcance, a campanha adotou estratégias digitais intensivas, incluindo transmissões ao vivo, micro‑influenciadores e anúncios segmentados nas redes sociais. A lista de ações inclui:
- Debates ao vivo com líderes regionais
- Distribuição de material impresso em áreas rurais
- Visitas a comunidades indígenas e quilombolas
- Encontros com empresários do agronegócio
Essas iniciativas visam reforçar a percepção de que Flávio representa uma alternativa de mudança e renovação, especialmente entre eleitores que ainda não decidiram seu voto.
Perspectivas para o segundo turno
Com a disputa tão equilibrada, o segundo turno pode ser decidido por pequenos fatores. A mobilização dos eleitores que ficaram em casa no primeiro turno será crucial para ambos os candidatos.
Se Lula conseguir reduzir a abstenção entre idosos e população de baixa renda, pode ampliar sua vantagem nos estados onde já tem maioria, como o Nordeste e parte do Centro‑Oeste.
Por outro lado, Flávio pode ganhar terreno ao atrair eleitores indecisos nas regiões Sul e Sudeste, onde a oposição ao PT tem ganhado força nos últimos meses.
Analistas apontam que o debate sobre o pacote de medidas econômicas anunciado por Lula nas últimas semanas pode influenciar o eleitorado de classe média, que ainda está em dúvida.
Além disso, a presença de Jair Bolsonaro em campanha, mesmo que limitada, pode gerar um efeito de “efeito coorte”, mobilizando eleitores que ainda não foram ao voto.
Em resumo, a corrida presidencial de 2026 está em um ponto de inflexão. O resultado dependerá da capacidade de cada candidato de transformar apoio latente em votos efetivos, de reduzir a taxa de abstenção e de convencer o eleitor indeciso de que seu projeto é o melhor para o futuro do Brasil.








