No último domingo, 20 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro, do Rio de Janeiro, encerrou a campanha presidencial com uma vitória inesperada no primeiro turno, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por mais de 2,2 milhões de votos. O resultado surpreendeu analistas que antes tratavam sua candidatura com ceticismo, mas refletiu a profunda insatisfação de parte do eleitorado com o governo atual.
Estratégia de campanha e o aproveitamento do descontentamento
Flávio Bolsonaro adotou uma abordagem focada nos problemas cotidianos que afetam os brasileiros, como a criminalidade crescente e o alto custo de vida. Ao evitar a pauta de costumes que marcou a campanha de seu pai em 2022, o candidato conseguiu atrair eleitores que buscavam mudanças concretas, sem se envolver em debates polarizadores.
As mensagens de campanha foram construídas em torno de imagens de roubo de celulares e carrinhos de supermercado vazios, símbolos que geram forte apelo popular. Essas cenas foram repetidas em anúncios televisivos e nas redes sociais, reforçando a percepção de que o candidato entende as dificuldades diárias da população.
Além disso, o senador aproveitou o momento de baixa aprovação do governo Lula, que registrou índices de desaprovação superiores à aprovação durante o terceiro mandato. Essa conjuntura política permitiu que Flávio Bolsonaro se apresentasse como a alternativa viável para quem deseja “tirar o PT do poder”.
O papel do antipetismo como escudo político
O antipetismo funcionou como um verdadeiro escudo de proteção, mascarando as incoerências e contradições presentes na trajetória do candidato. Enquanto prometia ajuste fiscal, o senador assegurava que não haveria cortes em investimentos ou programas sociais, gerando dúvidas sobre a viabilidade de suas propostas.
Essa postura também facilitou que setores da sociedade fechassem os olhos para as suspeitas de corrupção que pairam sobre Flávio Bolsonaro. A rejeição ao PT foi usada como pretexto para minimizar as investigações que o envolvem, desviando a atenção dos eleitores das questões éticas.
Entre as principais controvérsias, destacam‑se:
- Acusação de prática de “rachadinha” no antigo gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que foi suspensa por decisão judicial.
- Investigação do STF sobre um pedido de 134 milhões de reais ao empresário Daniel Vorcaro, supostamente destinado à produção de uma cinebiografia do ex‑presidente Jair Bolsonaro.
- Inquérito da Polícia Federal que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador.
Mesmo diante dessas denúncias, o antipetismo manteve-se como força motriz, pois muitos eleitores consideram o PT responsável por escândalos históricos como o Mensalão e o Petrolão, ignorando que as investigações atuais apontam para figuras próximas a Flávio Bolsonaro.
Controvérsias e investigações que cercam o candidato
No debate transmitido pela TV Bandeirantes, o presidente Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos bancários e telefônicos, buscando provar quem realmente está envolvido em práticas corruptas. O senador, porém, recusou o convite, argumentando que a medida seria uma “armadilha política”.
A recusa não impediu que o tema dominasse as redes sociais por alguns dias, gerando memes, críticas e apoio fervoroso de seus seguidores, que enxergavam a postura de Lula como tentativa de desestabilizar a campanha.
Apesar das críticas, uma parcela significativa do eleitorado decidiu votar no senador independentemente das fragilidades de suas propostas ou das investigações em curso. Essa decisão reflete a prioridade de muitos eleitores: impedir a volta do PT ao poder, mesmo que isso signifique apoiar um candidato com histórico questionável.
Em síntese, a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno evidencia como o antipetismo pode ser utilizado como ferramenta de mobilização eleitoral, eclipsando questões de integridade e consistência de políticas públicas. O futuro da campanha dependerá agora da capacidade do candidato de transformar promessas em ações concretas e de enfrentar, com transparência, as investigações que ainda pairam sobre sua figura.








