Em meio à disputa presidencial de 2026, o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, analisou a viabilidade das propostas fiscais dos principais candidatos. Ele destaca que as promessas de aumento de gastos sociais e de benefícios para empreendedores colidem com um quadro fiscal já fragilizado. A avaliação foi feita durante entrevistas concedidas em Brasília, logo após o encerramento da campanha.
Cenário fiscal atual
O Brasil enfrenta um desequilíbrio entre receitas e despesas que se agrava a cada ano. As projeções para o Orçamento de 2027 apontam um superávit de apenas 0,1% do PIB, valor insuficiente para cobrir os compromissos já assumidos. Além disso, a introdução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) tem sido superestimada, inflando ainda mais as receitas esperadas.
Os gastos tributários já ultrapassam R$ 620 bilhões, e a dívida pública continua em alta, pressionada por juros elevados que já estão na “estratosfera”. Esse cenário limita o espaço fiscal para novas despesas, tornando qualquer aumento de gasto um risco de recessão.
Por que as promessas são insustentáveis
Segundo Salto, as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro somam custos que excedem em bilhões o que o orçamento pode suportar. As medidas do presidente Lula, anunciadas nas duas últimas semanas, devem consumir cerca de R$ 48,6 bilhões apenas em 2027. Já o senador Flávio propõe perdão generalizado de dívidas, uma iniciativa que, segundo o economista, é financeiramente inviável.
Ambos os candidatos, ao priorizarem o populismo, ignoram o ritmo acelerado de crescimento das despesas obrigatórias, como a Previdência, os pisos da saúde e da educação. Enquanto a economia cresce a um ritmo moderado, essas despesas aumentam de forma “chinesa”, criando um desequilíbrio estrutural.
- Previdência: necessidade de reforma para conter o déficit.
- Pisos da saúde e educação: crescimento descontrolado sem limites reais.
- Abono salarial e supersalários: aumentos que pressionam o orçamento.
- Emendas parlamentares: despesas que escapam ao controle central.
- Gastos tributários: mais de R$ 620 bilhões em benefícios fiscais.
Propostas de ajuste necessárias
Salto recomenda um conjunto de medidas que visam reduzir a taxa de crescimento das despesas desordenadas. Uma das estratégias é limitar o aumento dos pisos da saúde e da educação a 1% de variação real ao ano, alinhando-os ao teto de gastos vigente.
Outra ação crucial é revisar os subsídios e as subvenções concedidas a setores específicos, garantindo que apenas programas com retorno comprovado sejam mantidos. O economista também sugere a revisão das emendas parlamentares, estabelecendo critérios de mérito e impacto econômico.
Além disso, é fundamental acelerar a aprovação de um novo arcabouço fiscal que combine responsabilidade social, factibilidade política e respeito à Constituição. O ajuste deve ser implementado em etapas para evitar choques bruscos na economia.
Desafios para o próximo presidente
O maior desafio será equilibrar a necessidade de ajustes fiscais com a pressão social por manutenção de direitos adquiridos. O presidente eleito terá que conduzir um diálogo transparente com o mercado, demonstrando comprometimento com a estabilidade fiscal.
Para isso, será essencial contar com uma equipe técnica capacitada, capaz de articular reformas estruturais sem gerar instabilidade política. A liderança e a convicção do chefe de Estado serão determinantes para aprovar medidas impopulares, mas necessárias.
Em síntese, o caminho para a sustentabilidade fiscal passa por cortes estratégicos, revisão de benefícios e um compromisso firme com a disciplina orçamentária. Sem essas ações, o Brasil corre o risco de entrar em recessão profunda em 2027.








