Michel Temer, ex‑presidente do Brasil, compartilhou suas lições para o futuro mandatário em entrevista concedida em 2024, durante um evento em Brasília. Ele destacou a necessidade de diálogo e consenso em um país ainda marcado por polarizações e desafios econômicos. O ex‑governante apontou caminhos que, segundo ele, podem auxiliar tanto Lula (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) a conduzir o governo que se iniciará em 2027.
Contexto político e econômico ao final do mandato de Temer
Quando assumiu a presidência em 2016, Temer herdou um cenário de intensa crise institucional, após o impeachment de Dilma Rousseff. O país vivia forte divisão partidária, alta inflação e recessão profunda. Em dois anos e sete meses de gestão, o ex‑presidente conseguiu reduzir a polarização e melhorar alguns indicadores macroeconômicos.
O governo adotou medidas de contenção fiscal, reduziu a taxa de juros e estabilizou a inflação, o que permitiu uma leve recuperação do PIB. Apesar das críticas, as reformas estruturais avançaram, ainda que com resistência de setores específicos.
Principais reformas e consensos alcançados
Temer enumerou as reformas que marcaram seu período e que, segundo ele, foram possíveis graças ao diálogo com diferentes agentes sociais.
- Reforma da Previdência: revisão das regras de aposentadoria para garantir sustentabilidade fiscal.
- Reforma Trabalhista: modernização das relações de trabalho, com flexibilização de acordos coletivos.
- Teto de Gastos: estabelecimento de limite de despesas primárias do governo.
- Redução de juros: política monetária mais austera para conter a inflação.
- Recuperação de estatais: reestruturação de empresas como a Petrobras e a Caixa.
O ex‑presidente ressaltou que a reforma trabalhista só foi enviada ao Congresso depois de quatro meses de conversas intensas com centrais sindicais e representantes de indústrias. Ele enfatizou que o imposto sindical foi extinto “sem traumas”, graças ao consenso construído.
Orientações para o próximo presidente
Temer advertiu que o futuro mandatário precisará manter a mesma postura de busca por consenso. “O novo presidente vai precisar de muito diálogo com o Congresso e com a sociedade”, afirmou. Ele sugeriu que, antes de iniciar qualquer agenda, seja realizada uma “grande conversação nacional” para reconectar o país dividido.
Segundo ele, o líder da Casa deve adotar uma postura equilibrada, madura e corajosa, focada na consolidação das bases institucionais, políticas e econômicas, sem viés ideológico. A ideia é que o governo se apresente como agente de pacificação, capaz de unir diferentes forças em torno de metas comuns.
Desafios fiscais e estratégicos para 2027
Um dos maiores obstáculos apontados por Temer é a questão fiscal. Ele alertou que, após a campanha de 2022, foram gastos mais de 300 bilhões de reais em promessas de governo, o que exigirá ajustes urgentes.
O ex‑presidente destacou que a necessidade de equilíbrio fiscal não pode ser adiada, pois o déficit pode comprometer a credibilidade do país nos mercados internacionais. Ele recomendou a continuidade das reformas estruturais e a revisão de gastos supérfluos.
Além da questão fiscal, Temer sugeriu que o próximo governo invista em infraestrutura, educação e tecnologia, áreas que podem gerar crescimento de longo prazo. Ele também apontou a importância de manter a autonomia do Banco Central para garantir estabilidade monetária.
Em resumo, as recomendações de Temer giram em torno de três pilares: diálogo permanente, reformas estruturais consolidadas e disciplina fiscal. Seguindo esses princípios, o futuro presidente teria maiores chances de conduzir um governo estável e com apoio popular.
Por fim, o ex‑presidente reforçou que a política deve ser vista como ferramenta de solução de problemas e não como arena de confrontos. “Um país que conversa consigo mesmo tem mais chances de prosperar”, concluiu, deixando claro que a pacificação nacional é o objetivo maior para qualquer administração que se inicie em 2027.








