A mais recente pesquisa da Gerp, divulgada neste sábado, 24 de outubro, aponta um empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento, realizado por telefone com 2.308 eleitores que escolheram entre os dois candidatos, mostra Flávio com 52% dos votos válidos e Lula com 48%.
Metodologia e margem de erro
A Gerp utilizou a metodologia de votos válidos, excluindo as respostas “nenhum deles” e “não sei”. Dessa forma, apenas os entrevistados que manifestaram preferência por um dos candidatos foram contabilizados. A margem de erro adotada pelo instituto é de 4 pontos percentuais, critério que define o que é considerado empate técnico.
No cenário geral, considerando toda a amostra, Flávio registra 49% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 46%. Os 3% restantes não souberam responder ou optaram por não votar em nenhum dos dois. A diferença de 3 pontos percentuais também está abaixo do limite de 4 pontos, reforçando a classificação de empate.
Quando a pergunta foi feita de forma espontânea, antes de apresentar os nomes dos candidatos, Flávio obteve 47% e Lula 44%. Outros 8% declararam desconhecimento e 1% citou outros nomes. Essa variação confirma a estabilidade da disputa dentro da margem de erro.
Desempenho regional
Os resultados variam significativamente entre as regiões brasileiras. No Centro-Oeste, Flávio lidera com 71% dos votos válidos, contra 29% de Lula. No Sul, a vantagem do senador é de 65% a 35%, diferença considerada estatisticamente relevante.
No Nordeste, a situação se inverte: Lula conquista 60% dos votos válidos, enquanto Flávio fica com 40%. No Norte, Flávio mantém a liderança com 56% frente a 44% de Lula. Já no Sudeste, os percentuais são quase iguais, 51% a 49%, configurando um empate técnico.
Essas disparidades regionais refletem fatores históricos, econômicos e culturais que influenciam a preferência dos eleitores. Por exemplo, o Centro-Oeste e o Sul historicamente apresentam maior apoio a candidatos de perfil conservador, enquanto o Nordeste tem tradição de apoio a candidatos progressistas.
Perfil dos eleitores e rejeição
O recorte por gênero revela outra camada de polarização. Entre os homens, Flávio recebe 56% das intenções de voto, enquanto Lula tem 40%. Entre as mulheres, a situação se inverte, com Lula alcançando 50% e Flávio 43%.
A rejeição também segue padrões distintos. Lula tem 48% de rejeição geral, contra 45% de Flávio. Entre os homens, 54% afirmam que não votariam em Lula de forma alguma, enquanto 38% rejeitam Flávio. Entre as mulheres, 51% rejeitam Flávio e 42% rejeitam Lula.
Quando analisamos a renda familiar, surgem contrastes marcantes:
- Até 1 salário mínimo: Lula 61% vs. Flávio 32%.
- 2 a 5 salários mínimos: Flávio 53% vs. Lula 44%.
- 5 a 10 salários mínimos: Flávio 54% vs. Lula 44%.
- 10 a 20 salários mínimos: Flávio 52% vs. Lula 41%.
O grupo acima de 20 salários mínimos foi entrevistado em apenas 69 casos, sendo considerado indicativo e não representativo para conclusões definitivas.
A rejeição por renda também apresenta diferenças: entre os que ganham até 1 salário mínimo, a rejeição a Flávio chega a 61%; entre quem recebe de 2 a 5 salários, a rejeição a Lula atinge 50%; e entre a faixa de 10 a 20 salários, a rejeição a Lula chega a 52%.
Comparativo com pesquisas anteriores
Comparando com a pesquisa anterior da Gerp, divulgada em 21 de outubro, Flávio tinha 50% dos votos totais e Lula 45%. Agora, Flávio registra 49% e Lula 46%, mantendo a diferença dentro da margem de erro. Nos votos válidos, Flávio caiu de 53% para 52%, enquanto Lula subiu de 47% para 48%.
A diferença numérica entre os candidatos diminuiu de 6 para 4 pontos percentuais, indicando uma aproximação nas intenções de voto nos últimos dias que antecedem o segundo turno.
Além disso, a pesquisa mostrou que 2% dos entrevistados não votariam em nenhum dos candidatos, 2% afirmam que votariam em qualquer um e 3% ainda não sabem como decidir. Esses eleitores indecisos podem ser decisivos para o resultado final.
O que esperar para o segundo turno
Com o empate técnico nas principais métricas, a corrida eleitoral se torna ainda mais imprevisível. A disputa pode depender de fatores externos, como debates, alianças políticas e eventos de campanha nas próximas semanas.
A Gerp reforça que, apesar da proximidade dos números, a margem de erro de 4 pontos continua válida. Portanto, pequenas variações nas amostras podem mudar a classificação de empate para liderança de um dos candidatos.
Analistas apontam que a mobilização dos eleitores de baixa renda, que atualmente favorecem Lula, pode ser crucial. Por outro lado, a força do eleitorado masculino e das regiões Centro-Oeste e Sul ainda sustenta a vantagem de Flávio.
Em resumo, a pesquisa indica uma competição acirrada, com ambos os candidatos em posição de empate técnico, e destaca a importância de estratégias de campanha focadas nos grupos demográficos ainda indecisos.








