Uma nova pesquisa da AtlasIntel revelou que Flávio Bolsonaro lidera o segundo turno da eleição presidencial no Distrito Federal, com 56,9% das intenções de voto, contra 43,1% de Lula. O levantamento foi divulgado neste sábado, 24 de outubro, e abrangeu 1.807 eleitores entre os dias 18 e 23 de outubro. A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Perfil demográfico dos eleitores
O recorte por gênero evidencia uma diferença marcante: entre os homens, Flávio Bolsonaro acumula 62,9% das preferências, enquanto Lula alcança apenas 36,2%. Entre as mulheres, a disputa se estreita, com Flávio ainda à frente, mas com um percentual consideravelmente menor, e Lula registrando um apoio mais próximo ao do candidato masculino.
Nas faixas etárias, o cenário também varia. Na categoria 16 a 24 anos, Lula lidera com 52,6% das intenções, enquanto Flávio registra 41,2%. Já entre os eleitores de 25 a 34 anos, a balança se inverte, favorecendo Flávio, que obtém 54,6% de apoio. Em grupos mais velhos, a vantagem de Flávio se mantém ou se amplia.
Os dados religiosos mostram divergências ainda mais pronunciadas:
- Católicos: Flávio 58,5% – Lula 40,4%
- Evangelicos: Flávio 81,3% – Lula 15,8%
- Outras religiões: Lula supera Flávio
- Sem religião: disputa quase equilibrada, com ligeira vantagem para Lula
Esses números indicam que a preferência por Flávio está fortemente concentrada entre eleitores católicos e, sobretudo, evangélicos, enquanto os eleitores sem filiação religiosa tendem a ser mais indecisos ou a favorecer Lula.
Variações regionais no Distrito Federal
A AtlasIntel segmentou o DF em sete áreas – Central, Centro‑Sul, Sudoeste, Oeste, Norte, Sul e Leste – e encontrou diferenças relevantes entre elas. Em algumas regiões, a vantagem de Flávio é quase absoluta; em outras, a competição se mostra mais equilibrada.
No eixo Central e Centro‑Sul, Flávio mantém uma liderança confortável, superando Lula por mais de 15 pontos percentuais. Essas áreas concentram a maior parte da população administrativa e apresentam um perfil socioeconômico que tem favorecido o candidato do governo federal.
Já nas zonas Sudoeste e Oeste, a margem de vantagem diminui, ficando em torno de 8 a 10 pontos. O eleitorado dessas regiões apresenta maior diversidade de renda e inclui um número expressivo de jovens profissionais que tendem a ser mais críticos em relação ao atual governo.
Nas áreas Norte, Sul e Leste, a disputa se aproxima ainda mais. Em algumas localidades, a diferença entre os candidatos está abaixo de 5 pontos, indicando que pequenas variações de mobilização podem mudar o resultado final nessas regiões.
É importante ressaltar que, por se tratar de subamostras menores, os resultados regionais devem ser interpretados com cautela, pois a margem de erro pode ser maior que a apresentada para a amostra total.
Lealdade dos eleitores e cruzamentos com outras disputas
O cruzamento com o primeiro turno demonstra forte retenção de votos: 98,8% dos eleitores que apoiaram Flávio na primeira fase afirmam que permanecerão com ele, enquanto 99,3% dos eleitores de Lula mantêm a preferência. Essa estabilidade indica que a maioria dos eleitores já consolidou sua escolha.
Entre os eleitores dos candidatos derrotados, Flávio apresenta vantagem nos grupos que apoiaram Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Embora esses segmentos sejam menores, eles podem ser decisivos em localidades onde a margem entre os dois principais candidatos é estreita.
O estudo também analisou o cruzamento entre a escolha presidencial e o voto para o governo do Distrito Federal:
- Eleitores de Celina Leão: predominância de Flávio Bolsonaro
- Eleitores de Leandro Grass: predominância de Lula
Essas correlações sugerem que a preferência por um candidato ao governo pode influenciar, mas não determina, a escolha presidencial, já que há eleitores que dividem seu voto entre partidos diferentes nas duas disputas.
Implicações para o segundo turno
O panorama geral indica que Flávio Bolsonaro entra no segundo turno com uma vantagem considerável no DF, sobretudo entre eleitores masculinos, evangélicos e nas regiões centrais. No entanto, a presença de Lula entre os jovens e nas áreas com menor vantagem de Flávio cria um cenário de competição ainda aberto.
Para a campanha de Lula, a estratégia pode focar em mobilizar o eleitorado jovem, as mulheres e as regiões onde a diferença está abaixo de 5 pontos, além de buscar alianças com líderes religiosos que ainda não se posicionaram.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro pode consolidar sua base evangélica, reforçar a presença nas áreas centrais e trabalhar para reduzir a diferença entre os eleitores sem religião, que ainda representam um grupo potencialmente volátil.
A margem de erro de 2 pontos percentuais deve ser considerada nas projeções finais, pois pequenas variações na participação ou na efetivação do voto podem alterar o panorama apresentado pela pesquisa.
Em suma, a pesquisa AtlasIntel oferece um retrato detalhado das preferências eleitorais no Distrito Federal, mas o resultado final dependerá da capacidade dos candidatos de transformar intenções em votos efetivos nas urnas.








