Um levantamento da Datafolha divulgado neste sábado (24) revelou que, na véspera do segundo turno das eleições, Flávio Bolsonaro (PL) lidera com 51% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 49% entre os eleitores que pretendem votar nos dois candidatos. A pesquisa foi realizada nos dias 23 e 24 de outubro, abrangendo todo o território nacional.
Metodologia, margem de erro e critérios da pesquisa
A amostra totalizou 4.050 entrevistados, selecionados de forma aleatória para representar diferentes regiões, faixas etárias, gêneros, níveis de escolaridade, renda familiar e crenças religiosas. O estudo foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, seguindo os padrões técnicos exigidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Isso significa que, dentro desse intervalo, os resultados podem variar sem comprometer a validade da tendência observada. Vale ressaltar que a margem de erro pode ser maior em subgrupos menores, como determinadas faixas de renda ou categorias religiosas.
O cálculo apresentado considera apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e abstenções. Conforme a legislação eleitoral, para vencer no primeiro turno um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos mais um voto adicional.
Desempenho por região e perfil demográfico
Ao analisar o comportamento do eleitorado por região, a pesquisa indica que Flávio Bolsonaro tem maior apoio nas áreas do Sul e Centro-Oeste, enquanto Lula mantém vantagem nas regiões Nordeste e Sudeste. Essa divisão geográfica reflete historicamente padrões de voto, mas também evidencia a mobilização de bases locais nos últimos meses.
Em termos de gênero, os homens demonstram preferência ligeiramente maior por Flávio Bolsonaro, registrando 53% de intenção de voto, enquanto as mulheres tendem a apoiar Lula, com 52% de preferência. A diferença, embora pequena, pode ser decisiva em urnas apertadas.
A idade também apresenta nuances importantes. Eleitores entre 18 e 29 anos mostram-se mais inclinados a votar em Lula (55%), enquanto a faixa de 60 anos ou mais favorece Flávio Bolsonaro (56%). Os eleitores de 30 a 59 anos apresentam resultados quase equilibrados, com uma leve vantagem para o candidato da esquerda.
Quando analisamos a escolaridade, indivíduos com ensino superior completo tendem a apoiar Lula (54%), enquanto aqueles com ensino fundamental ou médio incompleto dão preferência a Flávio Bolsonaro (52%).
Na dimensão de renda familiar, famílias com renda mensal acima de cinco salários mínimos apresentam 53% de intenção de voto para Lula, ao passo que famílias com renda até dois salários mínimos mostram 55% de apoio a Flávio Bolsonaro.
Por fim, a religião revela outra camada de diferenciação: eleitores que se declaram católicos têm 52% de apoio a Lula, enquanto protestantes registram 54% de preferência por Flávio Bolsonaro. O segmento sem religião ou com crenças não especificadas se mantém quase dividido.
- Região: Sul e Centro-Oeste – Flávio Bolsonaro (51%); Nordeste e Sudeste – Lula (52%).
- Gênero: Homens – Flávio Bolsonaro (53%); Mulheres – Lula (52%).
- Idade: 18‑29 – Lula (55%); 60+ – Flávio Bolsonaro (56%).
- Escolaridade: Ensino superior – Lula (54%); Ensino médio/incompleto – Flávio Bolsonaro (52%).
- Renda familiar: >5 salários – Lula (53%); ≤2 salários – Flávio Bolsonaro (55%).
- Religião: Católicos – Lula (52%); Protestantes – Flávio Bolsonaro (54%).
Implicações para o segundo turno e perspectivas eleitorais
Com a diferença de dois pontos percentuais dentro da margem de erro, a disputa se configura como um empate técnico. Esse cenário sugere que a campanha de ambos os candidatos ainda tem margem para influenciar eleitores indecisos, especialmente aqueles que ainda não definiram sua escolha ou que pretendem votar em branco ou nulo.
Especialistas apontam que a mobilização nas redes sociais, a presença de lideranças regionais e o desempenho de debates ao vivo podem ser fatores decisivos nos próximos dias. Além disso, a logística de votação, com a urna eletrônica garantindo rapidez na apuração, pode acelerar a divulgação dos resultados oficiais.
Outro ponto relevante é a participação de eleitores que historicamente abstêm. Se a taxa de comparecimento aumentar, o número de votos válidos também cresce, o que pode alterar o percentual final de cada candidato. Estratégias de incentivo ao voto, como campanhas de conscientização e facilitação do acesso às urnas, podem, portanto, mudar o panorama apresentado pela pesquisa.
Em síntese, a Datafolha oferece um retrato detalhado do eleitorado brasileiro, destacando as divergências regionais, demográficas e socioeconômicas que compõem a disputa. Enquanto o país se prepara para o segundo turno, a atenção se volta para os eleitores indecisos, cujas escolhas podem definir o rumo da política nacional nos próximos quatro anos.








