Neste sábado, 24 de outubro de 2026, o Datafolha e a Quaest divulgam as últimas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da corrida presidencial. As entrevistas serão publicadas às 18h, poucas horas antes da votação marcada para o domingo, 25 de outubro. Os resultados prometem revelar o clima eleitoral em todo o país, pouco antes dos eleitores irem às urnas.
Como são realizadas as pesquisas eleitorais
As pesquisas de opinião têm a missão de captar o sentimento dos eleitores em um dado momento, registrando a temperatura da disputa. Para isso, os institutos utilizam um método científico rigoroso, que começa com a definição da amostra representativa da população votante.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, explicou ao Jornal Nacional que as pesquisas buscam identificar padrões de comportamento e antecipar possíveis movimentos da opinião pública. Essa abordagem exige a seleção aleatória de entrevistados que reflitam as características demográficas do país.
- Definição da população-alvo (eleitores aptos a votar).
- Estratificação por sexo, idade, escolaridade e renda.
- Seleção aleatória de entrevistados dentro de cada estrato.
- Aplicação de questionário padronizado.
- Processamento dos dados e cálculo da margem de erro.
Como é impossível entrevistar todos os eleitores, os institutos trabalham com amostras que variam entre 1.000 e 1.200 entrevistas, dependendo da região e da complexidade da pesquisa. Cada entrevista representa milhares de eleitores, graças a técnicas de ponderação que ajustam os resultados para refletir a realidade demográfica.
Metodologia e margem de erro
A margem de erro é um parâmetro estatístico que indica a variação possível entre o resultado da amostra e o resultado real da população. Quanto maior a amostra, menor a margem de erro, o que aumenta a confiabilidade dos números divulgados.
Por exemplo, uma pesquisa com 500 entrevistas pode apresentar uma margem de erro de até 4,5%, enquanto uma com 1.200 entrevistas costuma ficar entre 2,5% e 3,0%. Essa diferença pode ser decisiva em disputas apertadas, onde poucos pontos percentuais podem mudar o rumo da corrida.
Além da margem de erro, os institutos divulgam o nível de confiança, geralmente estabelecido em 95%. Isso significa que, se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, 95 dos resultados ficariam dentro da margem de erro calculada.
Desafios recentes: abstenção e confiança dos eleitores
Um dos maiores desafios das pesquisas atuais é o alto índice de abstenção. No primeiro turno da eleição de 2022, cerca de 31 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas, representando 20% do eleitorado habilitado. Esse cenário gera dúvidas sobre a capacidade das pesquisas de prever o comparecimento real nas urnas.
Para contornar esse problema, os institutos passaram a incluir perguntas específicas no questionário, investigando a intenção de comparecer às urnas e os motivos de eventual desistência. Essas perguntas ajudam a calibrar os resultados e a oferecer uma estimativa mais realista do número de votos efetivos.
Outro ponto crítico é a confiança do público nas pesquisas. Muitos eleitores acreditam que os resultados são previsões de vitória, quando, na verdade, eles apenas retratam a situação no momento da entrevista. Essa diferença entre previsão e diagnóstico pode gerar interpretações equivocadas, sobretudo em períodos de alta volatilidade política.
O que os números indicam para o segundo turno
Os dados preliminares divulgados pelos institutos apontam uma disputa ainda equilibrada entre os principais candidatos. Enquanto um candidato registra cerca de 48% de intenção de voto, o adversário aparece com 45%, e o restante dos eleitores está distribuído entre candidatos menores e indecisos.
Esses números, embora próximos, ainda carregam uma margem de erro que pode inverter a liderança. Além disso, a distribuição regional dos votos mostra variações significativas: o candidato da esquerda tem maior apoio nas capitais do Sudeste e do Sul, enquanto o candidato de direita tem forte sustentação nas regiões Norte e Centro-Oeste.
É importante destacar que as pesquisas também revelam tendências de voto de eleitores que ainda não decidiram, mas que podem ser decisivos no dia da votação. Esse segmento, conhecido como “eleitores indecisos”, representa cerca de 7% do total e costuma ser influenciado por debates, eventos de campanha e notícias de última hora.
Em síntese, as últimas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno das eleições de 2026 reforçam a importância de acompanhar o cenário em tempo real. Elas fornecem ao eleitor informações valiosas para entender a dinâmica da corrida, mas não substituem a decisão final nas urnas.








