Uma abóbora de 1.432 kg foi colhida em Rhode Island, nos Estados Unidos, e batizou o Guinness World Records como a maior já registrada. A pesada foi realizada no dia 10 de outubro durante um concurso de abóboras gigantes no sul da Nova Inglaterra, e o título foi oficializado quatro dias depois. O feito superou a marca anterior de 1.296 kg estabelecida na Inglaterra.
A conquista histórica de Ron Wallace
Ron Wallace, produtor rural de 58 anos, é o responsável pelo cultivo que mudou o cenário das competições de abóboras nos EUA. Ele começou a plantar esses frutos como hobby há mais de três décadas, inspirado pelo pai, um dos pioneiros da região.
Em 2006, Wallace já havia conquistado seu primeiro recorde mundial com uma abóbora de 681,3 kg. O sucesso inicial lhe deu confiança para investir em técnicas mais avançadas.
Doze anos depois, em 2012, ele bateu novamente o próprio recorde, atingindo 911,27 kg. Cada nova colheita trouxe aprendizados que foram refinados ao longo dos anos.
No ano de 2023, o agricultor decidiu experimentar o cultivo em estufa, uma novidade para a região. Segundo ele, o controle de temperatura e a proteção contra pragas foram decisivos para o crescimento excepcional.
A estufa permitiu um manejo mais preciso da irrigação, garantindo que a planta recebesse água na quantidade ideal durante todo o ciclo de desenvolvimento. Essa prática reduziu o estresse hídrico, favorecendo o acúmulo de massa nos frutos.
Além da tecnologia, Wallace destacou a troca constante de dicas entre produtores de abóboras gigantes como fator-chave. Encontros regionais e fóruns online ajudaram a disseminar métodos de adubação e poda que aumentam a produtividade.
O prêmio da competição local foi de US$ 3.500, cerca de R$ 17.600 na cotação atual. Embora outros concursos oferecessem valores muito maiores, Wallace preferiu permanecer próximo à sua comunidade.
Tecnologias e estratégias que impulsionaram o crescimento
O uso de estufas não foi a única inovação adotada. O produtor também implementou um programa de fertilização baseado em análises de solo, ajustando a dosagem de nitrogênio, fósforo e potássio conforme a fase da planta.
Ele adotou a técnica de “poda de seleção”, removendo frutos menores para concentrar energia nos que apresentam maior potencial de peso. Essa prática, embora controversa entre alguns agricultores, mostrou resultados notáveis.
Para melhorar a absorção de nutrientes, Wallace utilizou microrganismos benéficos que aumentam a disponibilidade de fósforo. Esses biofertilizantes reduziram a necessidade de produtos químicos sintéticos.
O manejo da irrigação foi automatizado com sensores de umidade no solo, que acionam sistemas de gotejamento apenas quando necessário. Isso evitou o excesso de água, que pode comprometer a estrutura do fruto.
Em termos de controle de pragas, foram instaladas telas anti-insetos nas janelas da estufa, reduzindo a incidência de ácaros que podem danificar as folhas e, consequentemente, o desenvolvimento da abóbora.
Wallace também investiu em treinamento para sua equipe, garantindo que todos compreendessem a importância de cada etapa do cultivo. A capacitação constante aumentou a eficiência operacional.
Quando comparado ao método tradicional ao ar livre, o cultivo em estufa mostrou um aumento de produtividade de aproximadamente 35%, segundo dados internos do produtor.
Outros concursos tentaram atrair Wallace com prêmios mais altos, como:
- US$ 20.000 para o vencedor do concurso de Massachusetts
- US$ 35.000 no evento de Nova York
- US$ 70.000 oferecidos por um festival europeu de abóboras
Mesmo diante dessas ofertas, ele manteve o foco na celebração comunitária e na tradição local.
O impacto econômico e cultural da abóbora gigante
A vitória de Wallace gerou grande repercussão na mídia internacional, trazendo visibilidade para a agricultura familiar da Nova Inglaterra. O interesse de jornalistas e curiosos impulsionou o turismo na região durante o fim de semana do concurso.
Restaurantes e padarias locais começaram a planejar receitas especiais, como tortas de abóbora que podem render até 3 mil porções a partir de um único fruto. Essa perspectiva abre oportunidades de negócios para produtores de alimentos artesanais.
Além do aspecto econômico, a conquista reforçou o orgulho cultural da comunidade, que vê nas competições de abóboras um evento que une gerações. As festas ao redor do peso da abóbora incluem música ao vivo, barracas de comida e exposições de artesanato.
Especialistas em agronegócio apontam que o sucesso de Wallace pode inspirar outros agricultores a adotar práticas sustentáveis e inovadoras, como o uso de estufas e biofertilizantes.
O Guinness World Records, ao reconhecer o novo recorde, destacou a rapidez com que a marca mudou de mãos, algo que só havia ocorrido uma vez antes, em 1999. Essa raridade aumentou ainda mais a importância do feito.
Com a nova recorde, espera‑se que Wallace receba convites para palestras e workshops em universidades e feiras agrícolas, disseminando seu conhecimento técnico.
O impacto também se estende ao setor de seguros agrícolas, que agora considera o cultivo de abóboras gigantes como uma atividade de alto risco e alto retorno, ajustando políticas de cobertura.
Em resumo, a abóbora de 1.432 kg não é apenas um número impressionante; ela simboliza a convergência entre tradição, inovação e comunidade, demonstrando que a agricultura pode ser ao mesmo tempo lucrativa e culturalmente rica.








