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ONU alerta: nenhum país está a salvo do aquecimento global

Na quarta‑feira, 21 de setembro, a Organização das Nações Unidas divulgou um novo alerta sobre a escalada do aquecimento global, apontando que nenhum país está imune aos efeitos climáticos. O comunicado foi emitido a partir da sede da ONU, em Nova Iorque, e se baseia no Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2026, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Cenário alarmante das emissões

O relatório indica que, mesmo que todas as nações cumpram integralmente os compromissos climáticos assumidos até o momento, o planeta ainda pode registrar um aumento de 2,6 °C acima dos níveis pré‑industriais até o final do século. Esse número ultrapassa em muito a meta histórica do Acordo de Paris, que visa manter o aquecimento bem abaixo de 2 °C e perseguir o limite de 1,5 °C.

Segundo o Emissions Gap Report 2026, a possibilidade de limitar o aquecimento a 1,5 °C foi “perdida” por décadas de ações insuficientes. Para reverter essa trajetória, seria necessário reduzir as emissões globais em cerca de 6 % ao ano, de forma contínua, até 2035, além de remover grandes volumes de dióxido de carbono da atmosfera.

Os dados preliminares para 2025 mostram que as emissões globais permaneceram praticamente estáveis em relação ao recorde de 2024, com variações tão pequenas que são quase indistinguíveis. Contudo, a distribuição desses níveis varia significativamente entre os principais emissores.

  • Estados Unidos: aumento de 133 megatoneladas de CO₂e, impulsionado por maior demanda de eletricidade e uso de carvão.
  • Indonésia e China: registraram novos aumentos nas emissões.
  • Índia, Rússia e União Europeia: apresentaram quedas modestamente positivas.

Impactos concretos e respostas globais

O secretário‑geral da ONU, António Guterres, descreveu o panorama como uma combinação de inundações mortais, ondas de calor brutais, incêndios florestais devastadores e crises econômicas que aprofundam desigualdades. Ele ressaltou que os países menos responsáveis historicamente pelos gases de efeito estufa são os que sofrem primeiro e com maior intensidade.

Entre os impactos mais urgentes, destacam‑se:

  1. Elevação do nível do mar, ameaçando comunidades costeiras.
  2. Eventos climáticos extremos, que aumentam custos de reconstrução e seguros.
  3. Escassez de recursos hídricos, afetando agricultura e segurança alimentar.
  4. Deslocamento de populações, gerando crises migratórias.

A secretária‑executiva do Pnuma, Inger Andersen, enfatizou que “nenhum país está a salvo das mudanças climáticas”, citando inclusive a decisão dos Estados Unidos de abandonar o Acordo de Paris no ano passado. Essa afirmação reforça a ideia de que a vulnerabilidade climática transcende fronteiras políticas e econômicas.

Países em desenvolvimento, particularmente os mais vulneráveis, acusam os maiores emissores de abandonar metas ambiciosas e de adiar ações críticas. Jasper Inventor, diretor adjunto do Greenpeace Internacional, descreveu o relatório como “um novo sinal de alerta, mas os governos continuam apertando o botão de adiar”.

Caminhos possíveis e desafios restantes

Apesar do cenário sombrio, há indicadores positivos que podem ser alavancados. A coautora do estudo, Anne Olhoff, destacou que a capacidade mundial em energias renováveis cresceu três vezes mais rápido do que o previsto, e a energia solar fotovoltaica se multiplicou por sete nos últimos anos.

No entanto, os combustíveis fósseis ainda representam um obstáculo significativo. O relatório aponta que não houve avanços suficientes para reduzir a dependência de carvão, petróleo e gás natural ao nível exigido pelas metas de Paris.

Para alcançar um aquecimento máximo de 1,8 °C até 2050 – condição pré‑requisito para limitar o aumento a 1,5 °C até 2100 – será imprescindível combinar:

  • Políticas públicas rigorosas que imponham limites de emissão e incentivem a descarbonização.
  • Investimentos massivos em tecnologias de captura e armazenamento de carbono.
  • Transição acelerada para fontes de energia limpa, como solar, eólica e hidrogênio verde.
  • Cooperação internacional que garanta financiamento e transferência de tecnologia para países em desenvolvimento.

O próximo desafio será a cúpula climática da ONU, que ocorrerá de 9 a 20 de novembro na Turquia, país que registrou o segundo maior aumento de emissões em 2025. Observadores esperam que a reunião sirva de ponto de inflexão para reforçar compromissos e transformar promessas em ações concretas.

Em síntese, o alerta da ONU evidencia que a janela de oportunidade para evitar os piores impactos climáticos está se fechando rapidamente. A escolha entre acelerar a transição energética ou enfrentar consequências ainda mais graves está nas mãos dos governos, empresas e sociedade civil.

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