Na manhã desta quarta‑feira, 21 de setembro, cerca de 10 mil estudantes e professores tomaram as ruas de Atenas e de outras cidades gregas para reivindicar mais recursos para a educação e melhores condições de vida. O movimento, descrito como pacífico pelas autoridades, integra uma série de manifestações que varrem a Europa em resposta ao aumento dos preços e à deterioração dos serviços públicos.
Manifestação nas ruas de Atenas
Os manifestantes, que incluíram alunos do ensino fundamental, médio e universitário, percorreram o centro da capital até o Parlamento, onde cantaram slogans em defesa da “educação pública e gratuita”. Muitos permaneceram em vigília na Praça Syntagma durante a noite, reforçando a mensagem de continuidade da luta.
Além das caminhadas, professores e médicos participaram de greves que afetaram escolas e hospitais, denunciando salários baixos e a falta de pessoal qualificado. A combinação de protestos nas ruas e paralisações nos serviços públicos intensificou a pressão sobre as autoridades.
Reações do governo e propostas de investimento
A ministra da Educação, Sofia Zacharaki, afirmou que o governo está atento às reivindicações e reconheceu o peso das despesas com moradia nas famílias gregas. Ela destacou que projetos no valor de mais de 733 milhões de euros estão em andamento para construir residências estudantis e modernizar a infraestrutura das escolas.
Em paralelo, o governo anunciou um plano de subsídios de aproximadamente 1 bilhão de euros destinado a ajudar famílias e empresas a arcar com as contas de energia, um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento doméstico.
- Construção de residências estudantis
- Modernização de laboratórios e bibliotecas
- Subsídios energéticos para famílias vulneráveis
- Aumento gradual dos salários dos docentes
Apesar das promessas, os sindicatos educacionais argumentam que as medidas ainda são insuficientes para reverter o quadro de salas de aula superlotadas e de recursos escassos.
Contexto econômico e social da Grécia
O país ainda sente os efeitos da crise da dívida que se iniciou em 2009. Embora os salários tenham voltado a crescer, o poder de compra permanece entre os mais baixos da União Europeia, com a remuneração média girando em torno de 1.500 euros mensais.
Os aluguéis nas grandes cidades continuam elevados, e as contas de energia dispararam nos últimos anos, agravadas pela guerra na Ucrânia e pelas tensões geopolíticas na região. Essa combinação tem alimentado um sentimento de frustração entre jovens, famílias e trabalhadores.
Entre 2009 e 2018, a Grécia implementou três pacotes de resgate internacional que totalizaram cerca de 290 bilhões de euros, impondo severas medidas de austeridade. Embora a economia tenha apresentado sinais de recuperação, a desigualdade de renda e a precariedade dos serviços públicos ainda são questões centrais.
O contorno europeu da crise
Na França, protestos estudantis iniciados há quatro semanas mobilizaram cerca de 500 mil pessoas, resultando em milhares de detenções e até em incêndios em prédios públicos. O clima de tensão se intensifica à medida que se aproximam as eleições presidenciais, nas quais a candidata ultradireitista Marine Le Pen lidera as pesquisas.
Na Itália, a inflação de 4,2% em setembro desencadeou manifestações em Milão, Turim e Bolonha, onde mais de 270 manifestantes foram detidos. O vice‑primeiro‑ministro Matteo Salvini enviou 500 soldados para reforçar a segurança nas áreas de maior conflito.
Na Albânia, a situação escalou com o incêndio do Tribunal de Apelação de Tirana, após confrontos entre manifestantes e a polícia. O protesto começou como uma concentração pacífica de estudantes, mas rapidamente se transformou em violência.
Esses episódios demonstram que a insatisfação com o custo de vida e a qualidade dos serviços públicos transcende fronteiras, gerando um padrão de mobilização que pode influenciar políticas futuras em toda a região.
Para os gregos, a proximidade das eleições de 2027 aumenta a urgência de respostas concretas. O primeiro‑ministro Kyriakos Mitsotakis enfrenta o desafio de equilibrar as demandas populares com a necessidade de manter a estabilidade fiscal e atrair investimentos estrangeiros.
Enquanto isso, a sociedade civil continua organizando encontros, debates e ações de conscientização, buscando pressionar o governo a acelerar as reformas prometidas e a garantir que a educação pública volte a ser um direito efetivo e não apenas uma promessa política.








