O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta terça‑feira (20) que já revogou mais de 300 mil vistos desde o início do segundo mandato de Donald Trump, que retomou a presidência em janeiro de 2025. A medida foi anunciada em Washington, D.C., e reflete a intensificação das políticas migratórias adotadas pelo governo. Os números divulgados mostram um ritmo acelerado nas últimas semanas, quase dobrando a quantidade anunciada em agosto passado.
Aumento das revogações de vistos
Os dados oficiais revelam que, nos últimos meses, a taxa de cancelamento de vistos subiu de forma significativa, indicando uma estratégia mais agressiva de controle migratório. A autoridade migratória não especificou ainda quais nacionalidades foram mais afetadas, tampouco os tipos de vistos que foram alvo da nova onda de revogações.
Especialistas apontam que a falta de transparência pode dificultar a compreensão dos impactos reais sobre os requerentes de visto ao redor do mundo. A ausência de detalhes também impede que organizações de direitos humanos avaliem se há discriminação ou violação de normas internacionais.
De acordo com o relatório, a maioria das revogações ocorreu entre julho e outubro de 2026, período em que o governo intensificou a fiscalização nas fronteiras e nos consulados americanos. A medida faz parte de um conjunto mais amplo de ações que visam restringir o fluxo migratório para os Estados Unidos.
Além das revogações, o Departamento de Estado tem revisado periodicamente os critérios de elegibilidade para diferentes categorias de visto, ajustando requisitos de documentação e entrevistas. Essas mudanças costumam gerar um efeito cascata, aumentando a pressão sobre os consulados e sobre os próprios solicitantes.
O aumento das revogações também tem reflexos econômicos, já que muitos dos vistos cancelados pertencem a profissionais e empresários que contribuem para setores como tecnologia, saúde e turismo. A perda desses talentos pode impactar negativamente a competitividade dos EUA no cenário global.
Novas exigências de fiança para cidadãos de 50 países
Em 31 de julho, o Departamento de Estado anunciou a permanência de um programa de fiança que exige que cidadãos de cinquenta países, em sua maioria da África, depositem até US$ 20 mil ao solicitar vistos de entrada nos Estados Unidos. O programa, inicialmente piloto, foi considerado bem‑sucedido após um ano de testes.
Segundo o comunicado oficial, o objetivo da fiança é prevenir a permanência ilegal de visitantes no país, especialmente nos vistos de negócios (B1) e turismo (B2). A medida também se aplica a outras categorias, como o visto de estudante (F‑1) e o visto de trabalho especializado (H‑1B).
Os países incluídos na lista abrangem nações como Nigéria, Quênia, Etiópia, Gana e Sudão, entre outras. A escolha desses Estados foi justificada pelo Departamento como baseada em dados de risco migratório.
- Visas B1 – negócios
- Visas B2 – turismo
- Visas F‑1 – estudantes
- Visas H‑1B – trabalhadores qualificados
- Visas EB‑2 NIW – profissionais com habilidades excepcionais
A exigência de fiança tem gerado críticas de organizações de direitos humanos, que argumentam tratar cidadãos de determinados países como suspeitos por padrão. Advogados de imigração alertam que a taxa pode ser proibitiva para muitos solicitantes, reduzindo ainda mais a diversidade de imigrantes nos EUA.
Entretanto, o governo defende a medida como uma ferramenta eficaz para coletar dados e monitorar o cumprimento das condições de visto. O comunicado oficial afirma que o programa “forneceu dados suficientes para sugerir que a fiança de visto é uma ferramenta eficaz”.
Para os consulados, a fiança representa um recurso adicional que pode ser usado para garantir o retorno dos visitantes ao final de sua estadia autorizada. O dinheiro depositado é devolvido ao solicitante caso ele cumpra todas as condições do visto.
Impactos e críticas à política migratória
As ações do governo Trump, desde a revogação em massa de vistos até a imposição de fianças elevadas, têm sido alvo de intenso debate tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Analistas apontam que a política pode estar alinhada com a agenda de “America First”, que prioriza a segurança nacional sobre a abertura econômica.
Grupos de defesa dos imigrantes denunciam que a estratégia pode violar acordos internacionais de direitos humanos, especialmente ao não divulgar as nacionalidades afetadas e ao aplicar critérios diferentes para países com perfis socioeconômicos semelhantes.
Do ponto de vista econômico, setores como turismo, educação superior e tecnologia podem sofrer com a diminuição de visitantes e estudantes estrangeiros. Universidades americanas já relataram queda nas inscrições de estudantes internacionais, o que pode afetar receitas e a diversidade acadêmica.
Por outro lado, defensores da política argumentam que o endurecimento das regras de visto ajuda a prevenir fraudes, tráfico de pessoas e a entrada de indivíduos que possam representar risco à segurança nacional. Eles ressaltam que a medida é parte de um esforço mais amplo de modernização do sistema de imigração.
Organizações internacionais, como a ONU, têm solicitado ao governo dos EUA maior transparência e respeito aos princípios de não discriminação. Em declarações recentes, a agência alertou que políticas excessivamente restritivas podem gerar tensões diplomáticas e prejudicar a cooperação bilateral.
Enquanto isso, a comunidade empresarial americana tem buscado alternativas, como programas de visto de empreendedor e incentivos fiscais, para atrair talentos que possam ser desencorajados pelas novas exigências.
Em síntese, a revogação de mais de 300 mil vistos e a institucionalização da fiança representam um marco na política migratória dos Estados Unidos sob o segundo mandato de Trump. O desenrolar desses mecanismos ainda será monitorado de perto por autoridades, empresas e sociedade civil.








