Na madrugada de segunda‑feira, 19 de junho, a Ucrânia sofreu um dos maiores ataques aéreos lançados por Moscou nos últimos meses, deixando mais de meio milhão de residências sem energia elétrica. A ofensiva, que combinou mísseis balísticos e centenas de drones, atingiu diversas regiões, sobretudo a capital Kiev e cidades próximas.
Alcance e intensidade da ofensiva
A operação russa contou com um número expressivo de armamentos. Foram disparados 16 mísseis balísticos contra Kiev e áreas circundantes, além de mais de 200 drones que sobrevoaram diferentes partes do território ucraniano.
Os alvos incluíram infraestruturas críticas, como subestações, linhas de transmissão e centros de controle de energia. De acordo com fontes oficiais, mais de dez instalações energéticas foram danificadas, provocando apagões generalizados.
- 16 mísseis balísticos
- 200+ drones
- 10+ instalações energéticas afetadas
O ataque foi coordenado para ocorrer simultaneamente em múltiplas frentes, dificultando a resposta das defesas aéreas ucranianas e ampliando o impacto sobre a população civil.
Impactos nas infraestruturas e na população
O corte de energia atingiu aproximadamente 500 mil casas, deixando famílias sem luz, aquecimento e acesso a serviços essenciais. Em áreas urbanas, a falta de eletricidade provocou paralisações de hospitais, escolas e transportes públicos.
Em Kiev, uma mulher de 58 anos relatou que a explosão de um míssil fez móveis voarem dentro de seu apartamento, prendendo seu marido sob um armário. Ela descreveu o medo intenso e a sensação de impotência diante da destruição repentina.
Além da capital, cidades industriais como Kryvyi Rih também registraram vítimas mortais. Três pessoas perderam a vida: uma mulher em Kiev e duas residentes de Kryvyi Rih, cidade natal do presidente ucraniano.
Os apagões forçaram milhares de famílias a buscar refúgio em abrigos improvisados, onde a falta de iluminação e aquecimento agravou as condições de vulnerabilidade, sobretudo para idosos e crianças.
Reações políticas e críticas internacionais
O presidente Volodymyr Zelensky utilizou o Telegram para denunciar a ausência de alertas prévios por parte dos aliados ocidentais. Segundo o mandatário, a Ucrânia não recebeu informações antecipadas sobre o lançamento dos mísseis balísticos, o que reduziu drasticamente o tempo disponível para ativar os sistemas de defesa aérea.
Essa queixa surge em meio a tensões entre Kiev e Washington, especialmente sob a administração de Donald Trump, que tem sido acusada de atrasar entregas de mísseis defensivos. Zelensky afirmou que a falta de apoio efetivo representa “uma negação da realidade” por parte dos parceiros internacionais.
Ao mesmo tempo, a crítica se estendeu ao uso de tecnologias de comunicação por satélite. O presidente acusou a SpaceX, empresa de Elon Musk, de limitar o funcionamento dos sistemas Starlink e Starshield nas linhas de frente, citando velocidades de transmissão entre 130 e 161 km/h como insuficientes para as necessidades militares.
Na semana anterior, autoridades ucranianas já haviam denunciado que o Starshield teria sido deliberadamente restringido pelos Estados Unidos, prejudicando operações com drones de ataque e de interceptação. O governo americano, por sua vez, negou qualquer intervenção intencional.
Desafios de comunicação e tecnologia militar
Desde o início da invasão, em fevereiro de 2022, o compartilhamento de inteligência dos EUA tem sido crucial para que a Ucrânia detecte lançamentos de mísseis balísticos e se prepare para ataques. A redução dos alertas antecipados compromete não apenas a defesa aérea, mas também a capacidade de civis buscarem abrigo a tempo.
Os problemas com o Starlink e Starshield afetam diretamente a logística militar. A limitação de banda larga impede a transmissão em tempo real de imagens de drones, reduzindo a eficácia das operações de reconhecimento e de resposta rápida.
Especialistas apontam que a dependência crescente de sistemas satelitais cria vulnerabilidades estratégicas, sobretudo quando há disputas políticas que podem influenciar o acesso a essas tecnologias.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha de perto os desdobramentos, ressaltando a necessidade de garantir que a Ucrânia receba suporte técnico e logístico adequado para enfrentar ataques de grande escala e proteger sua população civil.








