Em uma ligação telefônica realizada na segunda‑feira (19), o papa Leão XIV solicitou ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que busque cooperação com o presidente russo, Vladimir Putin, para viabilizar a entrada de ajuda humanitária em Oleshky, cidade ucraniana atualmente sob controle das forças russas. O pedido foi feito logo após o pontífice receber alta hospitalar, após cirurgia para remoção de um tumor pulmonar. A iniciativa surge em meio a uma grave crise de abastecimento na região ocupada.
Contexto da crise em Oleshky
Oleshky, localizada na província de Kherson, está sob ocupação russa desde os primeiros meses da invasão. A população enfrenta escassez de alimentos, combustível e medicamentos, segundo relatos da Organização das Nações Unidas (ONU). A falta de suprimentos tem provocado situações de vulnerabilidade extrema, com famílias recorrendo a racionamento severo e a busca por recursos nas áreas vizinhas.
Além da carência material, a cidade sofre com interrupções nos serviços básicos, como energia elétrica e água potável. A ONU alerta que a situação pode evoluir para uma emergência humanitária de grande escala se não houver intervenção rápida. Organizações não‑governamentais já registraram casos de desnutrição infantil e aumento de doenças respiratórias devido ao frio intenso.
As conversas do papa com líderes mundiais
Na sexta‑feira (16), ainda internado, Leão XIV manteve outra ligação, desta vez com Vladimir Putin. Na ocasião, o pontífice pediu que o presidente russo suspenda as hostilidades em áreas civis para permitir a entrega de suprimentos e a saída voluntária de civis que desejam deixar a zona de conflito. O papa enfatizou a “grave preocupação” com a situação humanitária em Oleshky e reiterou o compromisso do Vaticano com o diálogo para a paz.
Essas conversas fazem parte de um histórico de tentativas do Vaticano de mediar o conflito. No início da guerra, o papa Francisco ofereceu o Vaticano como espaço neutro para negociações, proposta que foi rejeitada pelo Kremlin. Ainda assim, Leão XIV tem mantido um canal de comunicação direto com ambas as partes, buscando abrir caminhos para a assistência humanitária.
Demandas específicas para a liberação de ajuda
Durante a chamada com Zelensky, o papa apresentou um conjunto de solicitações claras, que podem ser resumidas da seguinte forma:
- Estabelecimento de corredores humanitários seguros, monitorados por organizações internacionais.
- Suspensão temporária dos combates nas proximidades de Oleshky para garantir a livre circulação de veículos de ajuda.
- Permissão para a entrega de alimentos, água potável, combustível e medicamentos essenciais.
- Facilitação da saída voluntária de civis que desejam deixar a cidade ocupada.
Essas medidas, segundo o Vaticano, são fundamentais para evitar uma catástrofe humanitária e para demonstrar boa‑fé por parte de ambas as nações em direção a um futuro de paz.
Reação dos governos e da comunidade internacional
Logo após a ligação do papa, autoridades russas anunciaram a construção de uma “zona de segurança” que incluiria Oleshky. O governo russo afirmou que não participaria de negociações diretas com Kiev, mas que a zona visaria proteger civis. Especialistas apontam que a proposta pode ser uma estratégia para ganhar legitimidade internacional, embora ainda não haja detalhes concretos sobre sua implementação.
Por outro lado, o governo ucraniano recebeu o pedido com cautela, ressaltando a necessidade de garantias reais de segurança para a população. O presidente Zelensky agradeceu a preocupação do papa, mas enfatizou que a soberania ucraniana não pode ser comprometida por acordos que favoreçam a ocupação russa.
Na imprensa internacional, o The Washington Post destacou que a última entrega de alimentos em Oleshky ocorreu em maio, evidenciando a longa interrupção dos suprimentos. Organizações humanitárias pedem urgência, alertando que a falta de alimentos pode levar a um colapso nutricional em poucos meses.
O papel do Vaticano na busca por paz
Leão XIV, que assumiu o pontificado recentemente, tem adotado uma postura ativa em questões de conflito armado, enfatizando a necessidade de diálogo e de respeito ao direito internacional humanitário. O papa tem viajado para diferentes regiões do mundo, encontrando líderes religiosos e políticos para promover a reconciliação.
Ao reiterar o compromisso do Vaticano com a paz, Leão XIV busca consolidar o papel da Santa Sé como mediadora moral, ainda que sem poder coercitivo. Sua estratégia inclui apelos públicos, visitas a áreas afetadas e, agora, conversas diretas com chefes de Estado.
Analistas afirmam que, embora a influência do Vaticano seja limitada em termos políticos, seu peso moral pode pressionar líderes a adotarem medidas humanitárias, especialmente quando a opinião pública internacional está atenta.
Perspectivas e próximos passos
O futuro da situação em Oleshky dependerá da disposição das partes em aceitar os corredores humanitários propostos e em garantir a segurança dos civis. A comunidade internacional, liderada por agências da ONU e organizações não‑governamentais, continuará monitorando a situação e pressionando por respostas concretas.
Enquanto isso, o papa Leão XIV segue sua agenda pastoral, incluindo a celebração do Angelus após deixar o hospital, agradecendo as orações recebidas e reiterando seu pedido de solidariedade global. O mundo acompanha atentamente se as palavras do pontífice se transformarão em ação efetiva para aliviar o sofrimento da população de Oleshky.








