O primeiro debate do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aconteceu no domingo, 18 de outubro, e foi transmitido pela Band. O confronto, que marcou a única vez que os dois candidatos se enfrentaram em um palco televisivo, ficou marcado por trocas de acusações e poucas propostas concretas.
Segurança pública: promessas e críticas
A jornalista Adriana Araújo abriu o debate apresentando dados sobre roubos de celulares, homicídios e a expansão do crime organizado, exigindo três propostas claras dos candidatos. Flávio Bolsonaro respondeu com a promessa de “declarar guerra ao narcoterrorismo”, classificar facções criminosas como organizações terroristas e ampliar o tempo de prisão dos líderes do crime.
Lula, por sua vez, defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso e a criação de um Ministério da Segurança Pública para coordenar ações da União com estados e municípios. O presidente ainda reiterou seu slogan de campanha: “Para o trabalhador proteção, para o bandido prisão”.
Endividamento e economia: propostas divergentes
O tema do endividamento dos brasileiros foi um dos poucos que gerou propostas específicas. Flávio Bolsonaro afirmou que seu governo “vai comprar a sua dívida dos bancos por um valor muito menor” e criticou o programa Desenrola por não ter resolvido o problema nas suas primeiras edições.
Lula destacou a necessidade de modernizar a indústria, investir em economia verde e impulsionar o setor digital para acelerar o crescimento nacional. Ele também ressaltou que o Desenrola, em sua terceira edição, já compra a dívida diretamente das instituições bancárias com desconto mínimo de 90%.
Saúde e legado da pandemia
Lula relembrou os mais de 700 mil mortos durante a pandemia de Covid‑19 e atribuiu a responsabilidade à gestão do ex‑presidente Jair Bolsonaro. O presidente ressaltou a importância de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar o acesso a vacinas.
Flávio Bolsonaro prometeu indicar para a pasta da Saúde o médico Claudio Lottenberg, diretor do Conselho do Albert Einstein, caso fosse eleito. O candidato tentou posicionar a proposta como um reforço à gestão técnica da saúde pública.
Trocas de acusações e clima do debate
Os dois candidatos dedicaram boa parte do tempo a apontar escândalos de corrupção envolvendo figuras próximas. Lula citou o inquérito sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, suspeito de favorecimento a lobista Roberta Luchsinger. O presidente afirmou que “é uma questão da Polícia Federal”.
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre os vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro e sobre o destino dos recursos solicitados ao mesmo. O senador desconversou, mudando de assunto diversas vezes.
Ambos também abordaram o escândalo do INSS, trocando acusações sobre qual governo – o terceiro mandato de Lula ou a gestão de Jair Bolsonaro – teria gerado o esquema criminoso.
Ao final, Lula avaliou o debate como “muito baixo” e denunciou o excesso de acusações, afirmando que o nível poderia ter sido maior. O estrategista digital da campanha de Lula, deputado André Janones, minimizou o impacto do evento, dizendo que ele serve mais para engajar militantes nas redes sociais do que para mudar a decisão dos eleitores.
Flávio Bolsonaro e sua equipe deixaram o local sem conceder entrevistas à imprensa. A campanha do candidato do PL informou que o senador foi retirado do local pela equipe da Polícia Legislativa.








