O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, em 8 de outubro de 2024, a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro que teriam ligação entre o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Will Willer Tomaz. A medida foi tomada após a Procuradoria‑Geral da República analisar indícios encaminhados pela Polícia Federal do Rio Grande do Sul.
Contexto da investigação
A apuração começou na primeira instância da Justiça Federal gaúcha, onde foram apurados crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e a suposta utilização de casas de apostas para movimentar recursos. A Polícia Federal quebrou o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrou e‑mails que apontavam Flávio Bolsonaro como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, controlada por Tomaz.
Devido ao foro privilegiado do senador, o caso foi remetido ao STF, que designou o ministro Alexandre de Moraes como relator. A notícia da abertura do inquérito foi divulgada inicialmente pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada posteriormente pelo portal G1.
Principais indícios apontados pela PF
O relatório policial descreve uma série de elementos que sugerem uma relação de proximidade entre o advogado e o senador. Entre os documentos encontrados, há referências a festas, encontros e reuniões, além de arquivos pessoais de Flávio armazenados no iCloud de Willer Tomaz.
Também foram identificadas viagens do senador custeadas pela empresa Cathedral, holding patrimonial de Tomaz. A PF apontou ainda indícios de controle efetivo de Willer Tomaz sobre a Rede Loto, a primeira a obter autorização da Loterj para operar apostas esportivas de quota fixa no Rio de Janeiro.
Outro ponto investigado envolve a empresa RioPag, que opera jogos no Rio de Janeiro e que, segundo a polícia, seria de fato controlada por Tomaz, ainda que seu nome não apareça no quadro societário. Por fim, foram analisadas movimentações de valores vultosos enviados para a Blaze, por meio da Foggo Entertainment Ltda.
- Alcazar Holdings – conta bancária citada nos e‑mails;
- Cathedral – holding que financiou viagens do senador;
- Rede Loto – plataforma de apostas investigada;
- RioPag – empresa de jogos supostamente controlada por Tomaz;
- Blaze (Foggo Entertainment Ltda) – destino de transferências financeiras.
Reações de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Ambos negam qualquer irregularidade. Willer Tomaz, em nota, classificou o vazamento de informações como “estranho” e acusou o uso indevido do aparato policial para influenciar a corrida presidencial. Ele afirmou que a Rede Loto nunca operou como plataforma de apostas e que a Cathedral funciona apenas como holding patrimonial.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem reiterado que não possui negócios com Tomaz e que não há circulação de recursos entre as empresas citadas. O senador também destacou que o inquérito foi aberto em um momento sensível da campanha eleitoral, sugerindo tentativa de interferência.
Implicações políticas e próximas etapas
Este é o segundo inquérito que chega ao STF envolvendo Flávio Bolsonaro. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o financiamento do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A repetição de investigações pode afetar a imagem do senador na disputa presidencial.
O relator Alexandre de Moraes tem prazo para decidir sobre possíveis medidas cautelares, como o bloqueio de bens ou a suspensão de atividades empresariais. Caso sejam confirmados indícios de crime, o processo pode evoluir para o plenário do STF, que decidirá sobre a admissibilidade das provas e eventual remessa ao Ministério Público.
Analistas políticos apontam que a divulgação dos indícios pode influenciar o eleitorado, sobretudo nas regiões onde Flávio tem maior apoio, como a Região dos Lagos e o Norte Fluminense. Ao mesmo tempo, a defesa do senador tenta minimizar o impacto, ressaltando a falta de provas conclusivas até o momento.
Enquanto o inquérito segue em tramitação, a imprensa continuará acompanhando os desdobramentos, especialmente as decisões do relator e eventuais novas quebras de sigilo que a PF possa solicitar. O caso permanece aberto, e novas informações podem surgir a qualquer instante.








