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Flávio e Lula intensificam campanha para recuperar 33 milhões de eleitores ausentes

No dia 25 de outubro de 2026, as urnas brasileiras abrirão para o segundo turno das eleições presidenciais, com Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva como candidatos finalistas. Após um primeiro turno marcado por recordes de abstenção e margem estreita, as duas campanhas intensificam esforços para mobilizar os 33 milhões de eleitores que deixaram o voto em branco.

Desafios da abstenção e estratégias de mobilização

O Tribunal Superior Eleitoral divulgou que a taxa de abstenção no primeiro turno chegou a 21,1%, o que corresponde a 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Essa marca é a maior do século, e ao mesmo tempo o diferencial entre Flávio Bolsonaro e Lula foi de apenas 2,2 milhões de votos, o que demonstra que cada voto ainda pode mudar o resultado final.

Lula ressaltou que a falta de comparecimento tem origem, em grande parte, no desinteresse dos eleitores, e que a responsabilidade da campanha é “devolver o interesse para que eles participem do processo eleitoral”. O presidente enfatizou que reconquistar 30 milhões de eleitores ausentes é fundamental para garantir a vitória no segundo turno.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, alertou que muitos eleitores que votaram no primeiro turno podem achar que já cumpriram sua obrigação e decidir não comparecer novamente. O senador pediu que “pelo amor de Deus, não façam isso”, tentando transformar o medo de perder votos em um chamado à ação.

Em um cenário tão apertado, especialistas apontam que a mobilização de eleitores indecisos ou ausentes pode ser o fator decisivo. A campanha de cada candidato está investindo recursos em centros de votação, transporte gratuito, mensagens de texto e aplicativos de lembrete para reduzir a distância entre o eleitor e a urna.

Alvos estratégicos: jovens, baixa escolaridade e regiões chave

Estudos do TSE mostram que a abstenção costuma ser maior entre jovens entre 16 e 24 anos e entre eleitores com ensino fundamental ou médio incompleto. Esses grupos, historicamente, tendem a favorecer Lula, mas também são vulneráveis a campanhas de incentivo ao voto que prometem benefícios imediatos.

Na Bahia, a maior coligação eleitoral da região, Lula alcançou 66,2% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Flávio ficou com 28,5%. O objetivo da campanha petista agora é elevar esse percentual para 75% no segundo turno, o que representaria um ganho líquido próximo de 800 mil votos. Só na capital, Salvador, 461 mil eleitores faltaram, o que equivale a 23,4% do eleitorado total da cidade.

No Ceará, o governador reeleito Elmano de Freitas e o senador Camilo Santana trabalham para ampliar o resultado de Lula em cerca de 500 mil votos. A estratégia inclui visitas a escolas, feiras de emprego e eventos culturais que atraiam o público jovem e de baixa escolaridade.

Outros estados do Nordeste, como Pernambuco, Paraíba e Maranhão, também são alvos prioritários. A campanha tem mapeado bairros onde a taxa de abstenção ultrapassa 30% e está instalando pontos de atendimento para orientar o eleitor sobre documentos, horário de votação e transporte.

  • Jovens entre 16 e 24 anos
  • Eleitores com ensino fundamental ou médio incompleto
  • Habitantes de áreas urbanas periféricas
  • Eleitores que residem em zonas rurais com acesso limitado a transporte

Planos de campanha de Lula e Flávio para o segundo turno

Lula aposta em uma mensagem de “governo amplo”, que combina diálogo nacional, atenção ao custo de vida e políticas de inclusão social. A propaganda eleitoral será veiculada em TV, rádio e nas redes sociais, com ênfase em depoimentos de trabalhadores, estudantes e pequenos empreendedores que já sentiram os efeitos das políticas do atual governo.

Um documento interno da campanha, obtido pela imprensa, indica que, para garantir a vitória, Lula precisa que pelo menos 40% dos eleitores ausentes no primeiro turno votem nele. Esse número corresponde a mais de 13 milhões de pessoas, ou seja, mais do que a soma dos votos de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) nas eleições de 2022.

Flávio Bolsonaro está focado em reforçar a ideia de que o país precisa de “renovação” e que o voto de cada cidadão é essencial para impedir a “repetição de políticas que não funcionam”. O candidato tem investido em anúncios de curta duração nas plataformas digitais, além de visitas a sindicatos e associações de classe que ainda não se posicionaram definitivamente.

Ambas as campanhas estão utilizando tecnologia de geolocalização para identificar eleitores que ainda não compareceram às urnas. Aplicativos enviam notificações personalizadas, lembrando datas, horários e oferecendo opções de transporte gratuito ou caronas solidárias. Equipes de campo também distribuem panfletos com QR codes que direcionam para tutoriais de como registrar o voto pela internet, caso o eleitor opte por voto remoto onde permitido.

Além das estratégias de comunicação, há um esforço logístico intenso: montagem de pontos de apoio nas proximidades de escolas, igrejas e centros comunitários, treinamento de voluntários para orientar sobre documentos necessários e criação de linhas telefônicas de apoio que funcionam 24 horas por dia nas semanas que antecedem o pleito.

Especialistas em ciência política alertam que, mesmo com todos esses esforços, não há garantia de que os eleitores ausentes escolherão Lula. Por isso, a campanha petista está concentrando recursos nos redutos onde já obteve desempenho expressivo, como o Nordeste, enquanto a campanha de Flávio aposta em ampliar sua presença nas regiões Sul e Sudeste, onde a margem de vitória ainda é estreita.

Em última análise, a corrida para o segundo turno será medida não apenas pelo número de eleitores mobilizados, mas também pela capacidade de transformar a motivação em voto efetivo. O dia 25 de outubro promete ser decisivo, e a batalha pela participação cidadã está sendo travada nas ruas, nas telas e nos corações dos brasileiros.

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