A Coreia do Norte testou nesta semana dois mísseis de cruzeiro lançados de submarinos, enquanto a Coreia do Sul realizou o primeiro voo de um míssil hipersônico desenvolvido integralmente no país. Os testes ocorreram entre 10 e 12 de outubro de 2026, nas áreas costeiras do leste norte‑coreano e no mar próximo à península sul‑coreana. Essas demonstrações refletem a intensificação da corrida armamentista hipersônica na região do Indo‑Pacífico.
Testes de mísseis submarinos norte‑coreanos
Na manhã de 10 de outubro, a agência estatal KCNA divulgou que duas variantes de mísseis de cruzeiro foram lançadas a partir de submarinos da Marinha da Coreia do Norte. Os projéteis percorreram centenas de quilômetros antes de atingir alvos simulados na zona de teste da costa leste. Segundo fontes militares, um dos mísseis foi equipado com um motor de propulsão avançado que permite voar em trajetórias de baixa altitude, dificultando a detecção por radares tradicionais.
Um dia depois, Kim Jong Un visitou o recém‑inaugurado Museu da Revolução da Defesa Nacional, onde foram exibidos, entre outros artefatos, um míssil balístico intercontinental supostamente capaz de alcançar o território continental dos Estados Unidos. A presença do líder ao lado de sua filha, Kim Ju Ae, reforçou a mensagem de que Pyongyang pretende projetar poder tanto nuclear quanto convencional.
Especialistas apontam que o desenvolvimento rápido desses sistemas indica uma transferência de tecnologia possivelmente facilitada pelos laços militares com a Rússia. O assessor sênior do International Crisis Group, Chris Green, destacou que “as armas hipersônicas são apenas a manifestação mais recente de uma corrida armamentista que dura décadas na península”.
Primeiro míssil hipersônico integralmente sul‑coreano
Em 9 de outubro, o presidente sul‑coreano Lee Jae‑myung acompanhou o lançamento de teste do primeiro míssil hipersônico projetado e produzido inteiramente na Coreia do Sul. O voo foi realizado a partir de uma base naval no sul do país, com o projétil atingindo velocidades superiores a Mach 5 e realizando manobras evasivas durante a fase de reentrada.
O desenvolvimento desse míssil foi anunciado como parte de um programa de defesa estratégica que busca reduzir a vulnerabilidade frente ao crescente arsenal hipersônico do Norte. O Ministério da Defesa sul‑coreano afirmou que o novo sistema pode ser integrado a plataformas terrestres e marítimas, ampliando a capacidade de resposta rápida a ameaças regionais.
Analistas militares sul‑coreanos ressaltam que o sucesso do teste representa um marco tecnológico, mas também traz à tona desafios logísticos e de produção em massa. O general aposentado Chun In‑bum, pesquisador do National Institute for Deterrence Studies, alertou que “a maior capacidade ofensiva aumenta o perigo geral representado pelo Norte”.
Implicações geopolíticas e respostas estratégicas
O avanço simultâneo das duas Coreias em tecnologia hipersônica eleva o risco de escalada militar no Indo‑Pacífico. Enquanto o Norte foca em armas convencionais avançadas para complementar seu arsenal nuclear, o Sul busca equilibrar o poder com sistemas de alta velocidade que são mais difíceis de interceptar.
Green argumenta que, se ambos os lados continuarem a desenvolver capacidades viáveis, “os sistemas podem acabar anulando um ao outro como vantagem significativa no campo de batalha”. No entanto, ele também enfatiza que a presença de armas nucleares no Norte continua como o principal fator de dissuasão.
- Desafio de defesa antimíssil: a necessidade de ampliar sistemas de interceptação no Sul e no Japão.
- Risco de uso indevido: armas hipersônicas são mais difíceis de abater, aumentando a tentação de seu emprego.
- Pressão diplomática: aliados dos EUA podem exigir respostas coordenadas para conter a corrida.
Chun In‑bum observa que a origem da tecnologia hipersônica norte‑coreana ainda é incerta, mas suspeita de espionagem industrial em empresas dos EUA, Coreia do Sul e Japão, além de cooperação com aliados estratégicos. Independentemente da fonte, o fato de os testes terem sido bem‑sucedidos gera preocupação entre os planejadores de defesa da região.
Para o Norte, a estratégia descrita como “porco‑espinho” – manter-se afiado e espinhoso – continua sendo central. A combinação de dissuasão nuclear e armas convencionais avançadas cria um cenário onde a resposta a uma agressão poderia envolver múltiplas camadas de ataque.
Do lado sul‑coreano, a resposta inclui não apenas a produção de novos mísseis, mas também o fortalecimento de alianças com os Estados Unidos e a ampliação de exercícios conjuntos. O governo sul‑coreano tem anunciado investimentos em radares de alta frequência e em sistemas de defesa baseada em lasers para tentar neutralizar a ameaça hipersônica.
Em síntese, a corrida hipersônica na península coreana não é apenas uma competição tecnológica, mas um reflexo de tensões geopolíticas mais amplas. A capacidade de lançar mísseis a velocidades extremamente altas e com trajetórias imprevisíveis altera a dinâmica de dissuasão tradicional, exigindo novas estratégias de segurança para os países vizinhos e para a comunidade internacional.








